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É hoje! Jacyntho Brandão lança nova tradução de poema acádio em BH

Após sucesso de sua última publicação, “Ele que o abismo viu: Epopeia de Gilgámesh”, o autor e professor de Letras da UFMG, Jacyntho Lins Brandão, lança nesta quinta-feira (12) mais uma tradução de um poema acádio. O evento GRATUITO será realizado na Livraria Dom Quixote, Editora e Café, localizada na região da Savassi, em Belo Horizonte.

A obra escolhida dessa vez foi o antigo poema “Ao Kurnugu, Terra Sem Retorno – Descida De Ishtar Ao Mundo Dos Mortos”. Composto no início do primeiro milênio antes de nossa era, foi conservado em duas tabuinhas de argila escritas em cuneiforme. Nele confluem tradições semitas e sumérias que remontam ao terceiro milênio, que te convida para uma viagem poética às origens, que dizem muito do que somos, e a experiência de um retorno que, se espera, nos faça mais humanos. 

A tradução pioneira em língua portuguesa, feita diretamente do acádio por Jacyntho Lins Brandão, é acompanhada de estudo sobre aspectos linguísticos, literários, mitológicos e culturais do poema. “Eu escolhi este poema pela beleza que ele traz, essa é minha inspiração: a beleza trazida pelas palavras escritas há tanto tempo e que carregam grandes significados, quase nunca traduzidos”, explica o autor da tradução ao BHAZ.

Além do importante significado traduzido no livro, essa publicação foi considerada especial por Jacyntho. “Quero ressaltar que no início do livro fiz uma homenagem ao meu filho Pedro Guadalupe [publicitário e criador do BHAZ que faleceu em um acidente de carro em maio de 2018]. Essa publicação é em especial para ele”, afirma o professor.

Sobre o livro

O poema acádio que se apresenta em edição bilíngue, conhecido como Descida de Ishtar ao mundo dos mortos, foi conservado em duas tabuinhas de argila, escritas em cuneiforme, pertencentes à biblioteca do rei assírio Assurbanípal (685-627 a. C.). Tendo sido composto no início do primeiro milênio antes de nossa era, nele confluem tradições semitas e sumérias que remontam ao terceiro milênio, envolvendo a viagem da deusa Ishtar (em sumério, Inana) ao mundo subterrâneo dos mortos – o Kurnugu – e sua surpreendente volta dessa “terra sem retorno”. 

A relação com a produção mais antiga não supõe demérito, pois no processo de recontar velhas histórias novos sentidos sempre emergem. Sendo Ishtar a deusa ligada à sexualidade, sua descida tem consequências de duas ordens. De um lado, implica o fim da libido sexual que impede a humanidade e os outros animais de sucumbir ao aniquilamento enquanto espécie. De outro, já que à descida da deusa segue seu retorno, a vida prevalece e relativiza-se a absoluta separação entre vivos e mortos, pela instituição de festas a estes dedicadas. O que se celebra, portanto, é a sucessão das gerações tanto em termos dos corpos, quanto da memória.

Lançamento de “Ao Kurnugu, Terra Sem Retorno: descida de Ishtar ao mundo dos mortos”

Quando? nesta quinta-feira (12), às 19 horas

Onde? Livraria Quixote Livraria, Editora e Café (rua Fernandes Tourinho, 274 – Savassi)

Quanto? Entrada GRATUITA

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