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Deputado do Novo-MG é denunciado após enviar insultos sexuais para assessora: ‘Vc furou camisinha?’

Sinara Peixoto e Vitor Fernandes

O deputado estadual Bartô (Novo-MG) pode ser expulso do partido após a denúncia de que ele insultou com ofensas de cunho sexual uma assessora política da própria sigla. Após a exposição de ataques sofridos, a mineira Marcela Trópia, que trabalha com o parlamentar Guilherme Cunha (Novo), denunciou Bartô à comissão de ética. Por meio de nota, o deputado disse que tudo “não passou de ‘chumbo trocado’ já que os ataques desta natureza começaram por parte dela”.

A assessora Marcela Trópia revelou que, durante uma discussão em um grupo de WhatsApp do partido, irritado com uma das opiniões dela, Bartô teria passado a enviar mensagens ofensivas. “Conheço seu perfil de longe… Vc furou camisinha? É verdade isso?”, questionou o parlamentar.

As mensagens de WhatsApp foram divulgadas por Marcela Trópia (WhatsApp/Reprodução)

“Irei tomar medidas junto a comissão de ética partidárias. Ele [o deputado] iniciou os ataques. Não só os protagonizou, como também adicionou dois membros ao grupo, filiados ao PSL, para que o ajudassem. Essa ação toda me pareceu muito orquestrada. Por isso, para esclarecer ainda mais os fatos, decidi gravar esse vídeo para apresentar o conteúdo da conversa e deixar ainda mais clara a atitude dos quatro envolvidos”, disse Marcela Trópia. Veja o vídeo:

Segundo o presidente do Novo em MG, Bernardo Ramos, o caso vai ser investigado e Bartô poderá ser punido inclusive com a expulsão da sigla, conforme o resultado da apuração. Ele disse, em entrevista ao jornal Estado de Minas, que todo o material foi enviado para a Comissão de Ética partidária e que o deputado pode, ou não, sofrer sanções: “É difícil eu falar qual sanção ele terá, pois quem julga é a comissão, e pode nem acontecer, mas existem possibilidades, desde expulsão a até mesmo nada concreto ocorrer. Depende da comissão”, explicou.

Os ataques foram enviados no dia 18 de agosto, depois de Marcela se posicionar favorável ao feminismo, em um debate no grupo. O deputado passou a questionar o que considerava preferências esquerdistas da assessora, filiada ao Novo.

Em nota publicada em suas redes sociais (leia abaixo na íntegra), Bartô chamou os ataques de “chumbo trocado” e disse que a assessora usa sua condição de mulher para “aparentar fragilidade”. “Como um bom liberal não faço distinção entre homem, mulher ou homossexual, apenas vejo todos como indivíduos assim os tratando de forma igual, sem privilégios e sem vitimismo. Talvez seja esse o ponto em questão”.

Nota do deputado Bartô na íntegra

“Eu e mais três pessoas fomos alvo de um post que traz fatos deturpados, a fim de denegrir nossa imagem. No primeiro instante, preferi não me manifestar, visto que há problemas maiores para me preocupar. Como até a imprensa foi envolvida para dar notoriedade ao ocorrido, achei necessário me manifestar a respeito, para as pessoas que me apoiam e confiam no meu trabalho. Seguem minhas considerações:

Eu, como um dos fundadores do Diretório/MG do NOVO, e tendo batalhado muito para divulgar os valores liberais, procuro sempre identificar pessoas que não estejam alinhadas com nossos princípios. É fato que, com sua expansão, pessoas queiram entrar no partido para se aproveitar e ter vantagens nas eleições, e me incomoda muito quando vejo pessoas desalinhadas ganhando espaço. No caso em questão, o incômodo não era só meu, pois quando entrei na conversa, já havia vários questionamentos. Esclareço que a conversa se dava em um grupo suprapartidário. A pessoa em questão foi candidata a vereadora por um partido de esquerda (PRTB), e inclusive, nas suas redes sociais destacou pontos positivos para se votar no presidenciável do PT, o Haddad. Portanto minha aversão e questionamentos a seu posicionamento político eram mais do que pertinentes.

Quanto a “ataques” de cunho particular que ela diz ter sofrido, não passou de “chumbo trocado” já que os ataques desta natureza começaram por parte dela, ainda durante minha campanha no ano passado. Uma pessoa que tem histórico de luta feminista e que se utiliza de sua condição de “mulher” para aparentar uma fragilidade que não tem, não merece crédito. Quanto ao ponto de querer imprimir em mim “problemas” em relação a mulheres, o que tenho a dizer é:

  • Mais da metade do meu gabinete é formado por mulheres, inclusive os dois maiores cargos são delas;
  • Dentre as duas maiores influências para eu chegar onde estou, a principal é uma mulher;
  • Dentre meus conselheiros políticos, tenho mulheres as quais dou muito valor;
  • Me relaciono super bem com mulheres, tendo várias amigas e uma namorada maravilhosa por quem sou apaixonado.

Como um bom liberal não faço distinção entre homem, mulher ou homossexual, apenas vejo todos como indivíduos assim os tratando de forma igual, sem privilégios e sem vitimismo. Talvez seja esse o ponto em questão.

De minha parte, acredito que o fato se encerra aqui e continuarei seguindo meu trabalho focado em fazer o melhor para o Estado e defender os valores e princípios que me trouxeram aqui”.

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