Home Notícias Internacional ‘Tivemos que amputar as pernas da nossa filha de 2 anos para que ela pudesse andar e acabasse com sua agonia’

‘Tivemos que amputar as pernas da nossa filha de 2 anos para que ela pudesse andar e acabasse com sua agonia’

Após dois anos, os pais da pequena Freya Gibbs tiveram um alívio indescritível ao vivenciar o que temiam nunca sentir: ver a pequena filha sorridente e dando os primeiros passos sem dor. A cena só foi possível após o casal tomar a dolorosa decisão de amputar as pernas da menininha. O caso foi revelado pela publicação britânica Mirror.

A pequena Freya nasceu com uma condição que atinge apenas uma em cada 3 milhões de crianças: ela não tinha as canelas. Portanto, a menina só podia se locomover se apoiando – e rastejando – nos joelhos. O raríssimo caso ocorreu em Llandysul, Carmarthenshire, em País de Gales.

Os pais Danielle e Michael se viram, então, em uma encruzilhada: apostar em uma vida composta por dolorosas cirurgias em busca de uma improvável tentativa de reconstruir as canelas ou autorizar a amputação das pernas.

Fim à dor

“A gente não aguentava ver aquele nosso bebê risonho com dor. Agora a vemos correndo, brincando com sua irmã mais velha como sempre quis. Sabemos que tomamos a decisão correta”, afirmou Danielle ao Mirror.

A amputação ocorreu há cerca de seis meses e somente agora Freya consegue andar sem sentir dor. Ela recebeu um conjunto de membros protéticos há apenas quatro semanas. Em poucos dias aprendeu a andar e passeava de mãos dadas com a irmã mais velha Olivia, de oito anos.

“As palavras não podem descrever como estamos orgulhosos de Freya. A primeira vez que ela foi capaz de andar lá fora, e mamãe e papai seguraram uma mão cada, pareceu um milagre e estávamos cheios de orgulho. As pequenas coisas que a maioria das pessoas dão como certa são muito importantes para nós”, diz Danielle, ao observar orgulhosa a filha mais nova correndo normalmente com outras crianças.

Gravidez normal

Danielle é gerente de supermercado e afirma ter tido uma gravidez tranquila até parir Freya em setembro de 2017. No início, os médicos pensaram se tratar de um pé torto. Mas os próprios pais fizeram uma pesquisa e perceberam que se tratava de algo mais grave.

Após passar por alguns especialistas, Freya foi diagnosticada com hemimelia tibial bilateral – a definição técnica para afirmar que os ossos da canela não tinham se formado. A menininha passou por diversas cirurgias extenuantes com o objetivo de reconstruir a tíbia.

“Havia tratamento experimental disponível na América, envolvendo muitas cirurgias, mas não há garantias de que funcionaria. Acho que os médicos pensaram que teríamos dificuldade com a decisão, mas Michael e eu sabíamos que não poderíamos sentenciar nosso bebê a uma vida inteira dentro e fora do hospital, sempre esperando a próxima cirurgia”, relata Danielle.

Mistura de terror e alívio

A gerente afirma que uma cena “partiu seu coração”. “Ela estava tentando correr pelas casa de joelhos e as pernas estavam ficando no seu caminho”, relembra.

“Era uma mistura de terror e alívio que ela finalmente se libertasse deles. Observá-los colocar meu bebê para dormir e levá-lo à cirurgia foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Quando ela acordou após a operação, eu sabia que tínhamos feito a coisa certa”, relata.

Apenas dois dias após a cirurgia, a pequena Freya já estava rastejando sorridente. Os pais também ressalta o papel fundamental que a irmã Olivia. “Ela é absolutamente apaixonada por Freya, é adorável ver e não há dúvida de que Freya não estaria tão bem se não fosse o vínculo delas”.

A família, agora, criou uma espécie de vaquinha online para comprar próteses melhores. Eles pretendem arrecadar 10 mil libras esterlinas para cobrir o custo de novas pernas de que ela precisará à medida que crescer, incluindo lâminas de corrida para que ela possa participar de aulas de educação física na escola.

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