‘O procedimento dos pais foi correto’, reforça delegada que investigou suposto abuso em colégio

Delegadas Thaís Degani, Helenice Ferreira e Renata Ribeiro (Reprodução/Google Street View + Vitor Fórneas/BHAZ)

A divulgação do resultado das investigações sobre um suposto abuso sexual ocorrido dentro de um tradicional colégio de Belo Horizonte nesta quinta-feira (17) começa a dar fim a um clamor público envolvendo o caso. Se antes parcela da população desejava o linchamento prévio do suspeito, agora pede por punição aos pais que fizeram a denúncia. A Polícia Civil alerta: o procedimento dos responsáveis pelas crianças foi correto e os pais devem, sim, levar à polícia qualquer suspeita.

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“O procedimento da mãe e dos pais foi correto, pois ela procurou a polícia e um inquérito aberto para analisar se, de fato, a criança foi ou não vítima de abuso sexual. Os pais agiram corretamente e não responderão por nada”, afirma, de forma enfática, a chefe da Dopcad (Divisão Especializada em Orientação e Proteção à Criança e Adolescente), Helenice Cristine Batista Ferreira .

“Qualquer pessoa que tenha notícia ou suspeita da prática de abuso contra criança tem sim que procurar a polícia, pois lá será feita uma investigação. O relato da criança é essencial, mas a gente tem que considerar como esse relato foi colhido, como essa criança foi perguntada. A investigação desses casos é muito cautelosa e exige sigilo”, complementa a delegada.

Clamor e ‘inocência’

Desde o dia 5 de outubro, quando tornou-se pública a denúncia do suposto abuso sexual ocorrido dentro do colégio Magnum, no bairro Cidade Nova, na região Nordeste de Belo Horizonte, a capital mineira foi tomada por apreensão e clamor. Dois dias antes, em 3 de outubro, a mãe de uma criança de 3 anos tinha procurado a Polícia Civil para relatar que o filho alegava ter sido abusado por um estagiário de Educação Física.

A mulher, que tem 45 anos, contou à polícia que notou uma mudança no comportamento da criança e que, durante um diálogo, o menino imitou ações de cunho sexuais que estariam ocorrendo na escola e apontou que o estagiário seria o autor dos abusos. Depois do caso vir a público, outras denúncias chegaram a ser registradas na polícia.

A Dopcad agiu rapidamente, finalizou o inquérito de 385 páginas em tempo recorde e concluiu que “pelo não indiciamento do suspeito”. “Considerando a ausência de elementos suficientes de autoria, bem como prova da materialidade”, justificou a delegada”.

“A gente teve um caso que gerou um grande clamor. Não só na imprensa, mas também na sociedade e isso exigiu que a gente tivesse que dar também uma resposta ágil, pra que não se gerasse, talvez, até mais especulações e mais clamor do já tinha gerado”, explicou a também delegada Thaís Degani.

Nota do Magnum na íntegra no ato da primeira denúncia

“Nesta sexta-feira, 4 de outubro, a direção da escola ouviu os relatos dos pais sobre a mudança de comportamento do filho e sobre a conduta de um colaborador. Imediatamente, foram colocadas à disposição da família as assessorias jurídica e psicológica, e o profissional envolvido foi afastado de suas funções para auxiliar na transparência das apurações.

No domingo, todos os gestores e coordenadores de Ensino e Formação da instituição estarão reunidos para estabelecerem medidas de apoio aos familiares e ao corpo discente, em relação ao caso. Também foi agendada uma reunião com os pais da turma do aluno, que será realizada na segunda-feira, 7 de outubro.

A instituição está à disposição dos órgãos competentes e empenhada para que tudo seja esclarecido com urgência e celeridade”.

Nota do Magnum na íntegra após a conclusão dos trabalhos da Polícia Civil

“Hoje, a sociedade avança com a confiança na Justiça, fruto do trabalho criterioso, detalhado e ético de toda a equipe de Policiais Civis da Delegacia Especializada de Proteção da Criança e do Adolescente.

Certos de que Deus está conosco no caminho da verdade, todas as provas colhidas na investigação evidenciaram que nenhuma das alegações ocorria em nossa escola. Demonstração disso é que nossos protocolos de segurança foram cruciais para o esclarecimento do caso.

A apuração da Polícia Civil concluiu que não há elementos para indiciar nenhuma pessoa da escola. Mais do que isso, representantes do órgão destacaram que a vítima inicial e as demais que surgiram no desenrolar da investigação não sofreram abuso sexual pelo investigado e nem por qualquer outro professor ou integrante da escola.

Inicialmente, decidimos pelo afastamento do colaborador supostamente envolvido, com o duplo objetivo de resguardar a integridade da família e do colaborador e de permitir que o inquérito pudesse tramitar de forma isenta. Cumprimos nosso papel perante a sociedade, as famílias, nossos educadores e as autoridades competentes. Estando a investigação concluída, permanece o compromisso já firmado com o colaborador afastado de manter sua vaga garantida tão logo ele queira e possa retomar suas atividades.

Agradecemos às inúmeras manifestações de apoio recebidas pelas famílias, por educadores, alunos, ex-alunos e de todos aqueles que confiam em nossa instituição.

Permanecemos com o compromisso que pautou nossos 25 anos de sólida trajetória, conduzidos com o foco no ensino, na formação e na espiritualidade cristã”.


Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.