Home Notícias Política Eduardo Bolsonaro defende volta do AI-5, leva sermão do pai e pede desculpas

Eduardo Bolsonaro defende volta do AI-5, leva sermão do pai e pede desculpas

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) se envolveu em uma polêmica nesta sexta (31) ao defender a criação de um novo AI-5 (Ato Institucional 5), que é considerado um dos atos mais duros da ditadura militar no Brasil. Eduardo levou um sermão do pai, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), e precisou se desculpar no fim do dia.  

As declarações de Eduardo foram dadas durante uma entrevista à jornalista Leda Nagle, veiculada no YouTube. Ao comentar protestos de rua que ocorrem no Chile, o deputado disse que, se houver uma radicalização da esquerda no Brasil, “a gente vai precisar ter uma resposta e uma resposta pode ser via um novo AI-5”.

A fala ganhou repercussão negativa, recebendo críticas inclusive de Bolsonaro. O presidente disse, conversa rápida com jornalistas na porta do Palácio da Alvorada, que quem apoia a volta do AI-5 “está sonhando”.

“O AI-5 já existiu no passado, em outra Constituição, não existe mais. Esquece. Quem quer que seja que fale em AI-5, está sonhando. Está sonhando! Não quero nem que dê notícia nesse sentido aí”, disse Bolsonaro.

Questionado sobre as declarações do filho, Bolsonaro disse que lamentava a fala de Eduardo. “Cobre você dele – se dirigindo ao jornalista -. Ele é independente. Tem 35 anos, se não me engano. Se ele falou isso, que eu não estou sabendo, lamento. Lamento muito”, afirmou o presidente.

Antes de se desculpar pela fala, Eduardo postou um vídeo em sua rede social justificando o que disse. Entretanto, mais tarde, ele se desculpou pela polêmica.

As desculpas vieram em uma entrevista ao programa Brasil Urgente, da Band. O deputado disse que foi mal interpretado. “Eu peço desculpas a quem, porventura, tenha entendido que estou estudando o retorno do AI-5”, disse o deputado ao acrescentar: “Essa possibilidade não existe”.

Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), manifestaram-se sobre a declaração de Eduardo. Partidos da bancada da esquerda e da oposição anunciaram que vão ao conselho de ética da Câmara pedir a cassação do mandato de Eduardo. Os parlamentares também estudam acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a fala de Eduardo.

Sobre o AI-5

Publicado dia 13 de dezembro de 1968, durante o governo de Costa e Silva, o AI-5 é considerado o mais duro dos atos do período militar (1964-1985). O dispositivo autorizava o presidente da República a decretar o recesso do Congresso Nacional, das assembleias legislativas e das câmaras de vereadores, cassar mandatos de parlamentares e suspender direitos políticos dos cidadãos.

Após a publicação do ato, o presidente Costa e Silva fechou o Congresso Nacional por tempo indeterminado. Segundo registro da Câmara dos Deputados, o Congresso só voltou a funcionar dez meses depois. A justificativa era assegurar a ordem e a tranquilidade no país.

Com informações da Agência Brasil

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