Após 4 anos, tetraplégico mexe braços e pernas com equipamento que lê mente

Reprodução/Fonds de Dotation Clinatec

Um homem de 30 anos conseguiu mexer os braços e as pernas pela primeira vez depois do acidente que o deixou tetraplégico, há quatro anos. Thibauld, que não quis ter seu sobrenome divulgado, conseguiu realizar os movimentos com a ajuda de um aparelho conectado ao cérebro.

De acordo com a BBC, Thibauld participa de um estudo e teve que se submeter a uma cirurgia no cérebro. Durante o procedimento, os médicos colocaram dois implantes na superfície do cérebro, cobrindo a parte que controla os movimentos. As peças se comunicam diretamente com um exoesqueleto que ele “veste”.

Reprodução/Fonds de Dotation Clinatec

Assim, quando Thibauld pensa em se mover, um programa de computador conectado aos implantes lê as ondas cerebrais e dispara uma série de instruções que levam o aparelho a se mover.

Recomeço

Thibauld trabalhava como oculista quando, aos 26 anos, caiu de uma altura de 15 metros num incidente em uma boate. Com uma lesão na medula espinhal, ele passou os dois anos seguintes no hospital, sem nenhum movimento do pescoço para baixo. Em 2017, se tornou integrante do estudo sobre exoesqueletos da Universidade de Grenoble, na França.

Inicialmente, ele treinava usando os implantes no cérebro para controlar um personagem no computador, em uma espécie de jogo. Só depois passou a treinar com o exoesqueleto. “Me sentia como o primeiro homem na Lua. Eu não andei por dois anos, esqueci-me de como era ficar de pé, de como eu era mais alto que muitas pessoas naquele quarto”, contou à BBC.

Para ele, a parte mais difícil não foi andar, mas sim movimentar os braços: “Era muito difícil porque há uma combinação de diversos músculos e movimentos. É a coisa mais impressionante que consigo fazer com o exoesqueleto”.

Thibault foi bem-sucedido em 71% das tentativas de tocar objetos específicos usando o exoesqueleto para mover o antebraço e girar os punhos. Os movimentos dele ainda não são perfeitos e o aparelho só é usado em laboratório, mas o grupo de pesquisadores responsável pelo estudo garante que essa tecnologia pode melhorar a qualidade de vida de vários pacientes.

Confira imagens de Thibauld exercitando os movimentos no vídeo abaixo, a partir de 0:10 segundos.

Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Escreve com foco na área de Guia e Cultura no BHAZ.