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Bebê é internada em estado grave, com sinais de maus-tratos, após mãe e padrasto passarem o dia bebendo em churrasco

Uma bebê de apenas 9 meses de vida está internada em estado grave na Maternidade Municipal de Contagem, na cidade homônima da região metropolitana de Belo Horizonte, após ser internada com sinais de maus-tratos. As autoridades policiais tratam o caso como tentativa de homicídio e a mãe da criança e o padrasto como suspeitos.

A bebê foi internada por volta das 13h de sábado (11) depois da mãe, de 28 anos, e o padrasto, 25, passarem o dia anterior ingerindo bebida alcoólica em um churrasco. Segundo a Polícia Militar, a equipe médica da unidade de saúde informou que a criança chegou com um quadro de saúde gravíssimo, “evoluindo irreversivelmente para o quadro de morte cerebral”. A informação foi confirmada pelo BHAZ com uma tia da bebê (leia mais abaixo).

Ao dar entrada no hospital, a criança apresentava manchas roxas em torno do pescoço e na região cervical – ou, no termo técnico, petéquias (pequenas manchas causadas pelo sangramento sob a pele) nessas regiões.

Versões

O padrasto informou à Polícia Militar que chegou em casa por volta das 10h do dia anterior, na sexta-feira (10). Naquele momento, segundo o próprio, sua companheira – e mãe da bebê – já fazia uso de bebida alcoólica e ele, então, passou a acompanhá-la. Em seguida, o casal participou de um churrasco que durou até 23h daquele dia.

O homem alega às autoridades que, então, pediu para que a companheira fosse cuidar da filha, que dormia no local da festa, na casa da tia dele. A mulher, no entanto, estaria muito embriagada e solicitou que ele próprio buscasse a criança enquanto ela se deslocava para a casa deles. O rapaz pegou a bebê e a deixou ao lado da mulher, que se deitou na cama da própria residência.

Na sequência, o padrasto retornou ao churrasco e só voltou à residência por volta das 2h, já na madrugada de sábado, quando afirma ter encontrado a criança sentada no chão da cozinha. Ele pegou a bebê e a colocou, novamente, ao lado da mãe na cama. O homem alega, ainda, que acordou a mulher para chamar sua atenção, já que a criança estava sozinha na cozinha.

O rapaz saiu novamente de casa, desta vez para visitar um amigo, e teria retornado às 3h, quando dormiu. Ele afirma que acordou às 9h, quando viu a companheira já acordada arrumando a casa e, na sequência, recebeu a visita de sua mãe e uma prima. Eles, então, perceberam que a bebê estava mole e desacordada quando a pegaram para dar um banho.

A mãe dele levou a criança para UPA Ressaca, que foi transferida para a Maternidade Municipal de Contagem, o Centro Materno Infantil Juventina Paula de Jesus.

Já a mãe da criança disse aos militares apenas que foi acordada no sábado pelo companheiro dizendo que eles precisavam levar a criança ao hospital pois ela estava desacordada no chão da cozinha. Em um primeiro momento, disse que desconfiava do companheiro, que seria usuário de drogas, e que a criança começou a passar mal logo após ser entregue por ele.

O BHAZ tentou falar com a mãe e o padrasto, mas não obteve sucesso até esta publicação. A reportagem tentou, ainda, conversar com outros parentes do casal e do pai da criança, que foi acionado quando a criança já estava na unidade de saúde. Ele é separado da mãe de sua filha e não mantém contato direto com a mulher.

“Não consegui conversar com minha irmã [mãe da bebê] sobre o que aconteceu. Ontem, ela estava na polícia e não consegui sondar nada com ela. Como ela está sem celular não estamos conseguindo conversar. Ela está ficando o dia todo no hospital”, afirmou ao BHAZ Jordânia Lúcia, tia materna da bebê.

Investigação

O casal foi conduzido à delegacia e ouvido ontem pela Polícia Civil, que já realiza os trabalhos de investigação desde o início da semana. O responsável por desvendar o possível crime é o Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).

Nota da Prefeitura de Contagem

“A Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria de Saúde, informa que deu entrada, no dia 11 de janeiro, no Centro Materno Infantil, um bebê de 9 meses com suspeita de asfixia. O protocolo do hospital impede de informar o estado de saúde de criança abaixo de 2 anos. O caso é investigado pela Polícia Civil”.

Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.

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