Água utilizada pela Backer contaminou cervejas, diz Mapa

Amanda Dias/BHAZ

ATUALIZAÇÃOMatéria atualizada às 19:50 do dia 15 de janeiro com novo posicionamento da cervejaria Backer, que nega a compra de dietilenoglicol.

O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) identificou que a água utilizada no processo de fabricação das cervejas da Backer estava contaminada com as substâncias etilenoglicol e dietilenoglicol, ambas tóxicas e nocivas à saúde.

Segundo a perícia realizada na fábrica, a água fria utilizada no resfriamento dos grãos da cerveja é reutilizada após o processo, o que é considerado comum nas cervejarias.

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No entanto, a água fria da Backer estava infectada com etilenoglicol e dietilenoglicol, o que o órgão considera como uma “intoxicação sistêmica”. A causa da contaminação da água ainda não foi identificada. No entanto, o Mapa não descarta nenhuma possibilidade, podendo ser sabotagem, vazamento, erro de processo ou uso indevido das substâncias.

A informação foi divulgada pelo órgão nesta quarta (15), após análise de amostras colhidas na fábrica da cervejaria, no bairro Olhos D’Água, em BH.

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O ministério também identificou que, desde janeiro de 2018, a Backer adquiriu cerca de 15 toneladas das substâncias. O pico de aquisição foi entre novembro e dezembro do ano passado – o que causa estranheza já que não são insumos utilizados na fabricação da cerveja.

“Nós encontramos notas de aquisição que apontam esse consumo elevado. O sistema de refrigeração é fechado, por isso, esse insumo geralmente não é consumido neste ritmo elevado. É algo acima da média que poderia ser justificado por um vazamento, uma ampliação no processo de produção ou uma falha no processo, gastando as substâncias acima do esperado”, afirmou o coordenador de Vinhos e Bebidas do Mapa, Carlos Vitor Müller, durante coletiva nesta tarde.

Em nota (veja abaixo), a Backer disse que comprou monoetilenoglicol por conta da expansão da produção da empresa. A cervejaria ressaltou que não usa o dietilenoglicol em sua fabricação.

“A Backer reafirma que nunca comprou e nem utilizou o dietilenoglicol em seus processos de fabricação. Reforça que a substancia empregada pela cervejaria é o monoetilenoglicol, cujas notas fiscais de aquisição já foram compartilhadas com a Polícia Civil e o Mapa”, diz a cervejaria. 

A empresa responderá por um processo administrativo e pode perder o registro. Cerca de 147 mil litros de bebidas foram recolhidos na fábrica da Backer para análise. São 139 mil litros de cerveja e 8,4 mil litros de chope.

O número de lotes intoxicados com as substâncias subiu para sete, sendo seis da Belorizontina e um da Capixaba, cerveja vendida no Espírito Santo.

Nessa segunda (13), o órgão determinou que a cervejaria recolha todos os produtos do mercado, por conta do risco à saúde. A fabrica está fechada por determinação do Mapa desde a sexta-feira (10).

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A SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde) investiga 17 casos suspeitos de intoxicação exógena por dietilenoglicol. Procurada, a Backer ainda não se posicionou sobre o assunto. Mais cedo, a empresa emitiu um comunicado divulgando um número de telefone por onde prestará assistência às vítimas.

“A empresa se solidariza com essas pessoas, compartilha da mesma dor que eles vivem nesse momento, e reforça sua atenção e seu compromisso em disponibilizar todo o suporte necessário para cada um deles”, diz a nota (confira na íntegra abaixo).

Nota da Backer

“Conforme anunciado na coletiva de imprensa do dia 14 de janeiro, a Backer estruturou uma equipe especializada, que desde ontem atua para prestar assistência e fornecer o apoio necessário aos pacientes e seus familiares. A empresa se solidariza com essas pessoas, compartilha da mesma dor que eles vivem nesse momento, e reforça sua atenção e seu compromisso em disponibilizar todo o suporte necessário para cada um deles. A Backer está aberta para receber o contato desses familiares sempre que desejarem e continua colaborando com as autoridades e verificando seus processos para contribuir com as investigações e ter respostas o quanto antes. O contato exclusivo para os familiares é (31) 3228-8859, de 8h às 17h”.

Nota atualizada da Backer

A Backer reafirma que nunca comprou e nem utilizou o dietilenoglicol em seus processos de fabricação. Reforça que a substancia empregada pela cervejaria é o monoetilenoglicol, cujas notas fiscais de aquisição já foram compartilhadas com a Polícia Civil e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). 

Nos últimos dois anos, a Backer precisou aumentar a compra de monoetilenoglicol para atender a demanda de ampliação constante da sua planta produtiva. No período, foram adquiridos 29 novos tanques de fermentação. 

A Backer aguarda os resultados das apurações e continua à disposição das autoridades”.

Rafael D'Oliveira
Rafael D'Oliveirarafael.doliveira@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.