Família cobra respostas sobre saúde de bebê com morte cerebral na Grande BH

Adilson M. Castro/GooglePlus/Reprodução

A família de uma bebê de 9 meses internada no Centro Materno de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, cobra respostas sobre o estado de saúde da menina. Eles solicitam a liberação do corpo da criança, que teve morte cerebral constatada.

A avó da bebê Joana D’Arc Barbosa contou ao BHAZ que resolveu procurar a imprensa para pedir ajuda por conta da angústia sentida pela família. “Resolvi falar tudo que está acontecendo, pois a equipe médica não passa atualização para meu filho. A minha neta está lá com morte cerebral. Eles não liberam o corpo pra gente fazer o funeral e ficamos sem informação”.

Joana cobra ainda agilidade no processo de investigação sobre o caso envolvendo a neta. A bebê deu entrada na unidade de saúde com sinais de maus-tratos. A mãe e o padrasto da garota são os suspeitos.

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A bebê foi diagnosticada com morte cerebral no sábado (11). No entanto, segundo a avó, a neta continua com o “coração batendo”. “O pessoal do hospital só fala que o estado dela é de morte cerebral, mas que o coração dela está batendo e que a pressão está boa”, disse.

Por questões de protocolo, o Centro Materno não confirma a morte cerebral da bebê, somente que ela deu entrada com “suspeita de asfixia”.

Neurologista explica

O BHAZ conversou com Drusus Peres Marques para entender o que de fato é o diagnóstico de morte cerebral. Membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e presidente da Sociedade Mineira de Neurologia, o especialista explica que não há chance de reversão para o quadro.

“A morte cerebral significa o fim da vida. Pois na verdade a morte não é quando o coração para de bater, mas sim quando a oxigenação não chega até o cérebro. Para que isso seja confirmado é necessário uma série de exames cujo prazo de um para outro varia até 48 horas. O diagnóstico não é rápido”, disse.

Após a confirmação da morte encefálica, o neurologista explica que dois procedimentos são recomendados pela resolução do Conselho Nacional de Medicina.

“O primeiro é o encaminhamento ao bloco cirúrgico para retirada dos órgãos e doação dos mesmos a quem necessita, mas para isso é necessário o consentimento da família. O outro é desligar os aparelhos, já que não tem sentindo uma pessoa morta ocupar o leito médico. Neste caso você não está desligando os aparelhos de uma pessoa com vida, mas sim de um corpo, visto que não é possível reverter o caso”.

Posicionamentos

Questionada sobre a falta de informações para os familiares da bebê, a Prefeitura de Contagem diz que as atualizações dos casos de crianças internadas no CTI Pediátrico ou no Alojamento Conjunto são passadas somente para “os pais ou responsável legal”.

Com relação ao andamento das investigações, a Polícia Civil de Minas Gerais disse que os pais da bebê já foram ouvidos e liberados. O caso está sendo investigado pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente).

Nota da Prefeitura de Contagem na íntegra:

“A Prefeitura de Contagem, por meio do Centro Materno Infantil (CMI) Juventina Paula de Jesus esclarece que as crianças internadas no CTI Pediátrico ou no Alojamento Conjunto têm direito de serem acompanhadas por um dos pais ou responsável legal durante todo o tempo que permanecerem na unidade e as informações médicas são repassadas diariamente para esta pessoa. Além disso, caso não obtenha as informações os pais ou responsável deverão procurar a direção do Centro Materno Infantil (CMI)”.

Nota da Polícia Civil de Minas Gerais na íntegra:

“A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que o caso já foi encaminhado para Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente – DEPCA. A ocorrência foi recebida pela Polícia Civil na noite desta segunda-feira (13) na Delegacia de Plantão de Contagem. Os pais da criança foram ouvidos e liberados. A DEPCA ficará responsável agora na apuração de todos os fatos e detalhes do caso. Investigações segue em andamento”.  

Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.