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Mãe fica ilhada com bebê de colo durante enchente em Contagem

“Eu achei que ia morrer, me despedi de todo mundo”. É assim que a vendedora Carolaine Martins descreve o momento de pânico que viveu sozinha com os filhos, um de 3 anos e outro de 2 meses. A mulher de 26 anos viu a casa ser quase totalmente tomada pela enchente provocada pelo temporal que atingiu Contagem, na região metropolitana de BH, nesse domingo (19). .

Carolaine é moradora da Vila São Paulo, um dos bairros mais atingidos. A enchente deixou ao menos 200 pessoas desalojadas e outras dez famílias desabrigadas naquela região.

Carolaine e os filhos recebem a ajuda de amigos e familiares (Guilherme Gurgel/BHAZ)

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Na parede da casa da jovem, é possível ver a marca da altura que a água chegou, passando de 1,50 m. Ela conta que o maior desespero foi quando achou que a porta iria arrebentar com a força da água. “Foi aí que eu joguei o de 3 anos em cima do guarda-roupa, o de 2 meses no colo dele e tentei subir também. Nós ficamos sentados lá e a água só enchendo. Eu achei mesmo que ia morrer”, relata.

Prejuízo inestimável

Carolaine conta que perdeu muita coisa na enchente, incluindo os móveis da casa. Fraldas e alimentos também foram todos danificados. Ainda assim, para a mãe, o pior não aconteceu. “Estou aliviada com meus filhos, porque minha preocupação foi eles”, ressalta.

A família contabiliza o prejuízo (Guilherme Gurgel/BHAZ)

Além de Carolaine, diversas outras pessoas tiveram prejuízo na chuva. O empresário Lucas Thadeu, de 30 anos, calcula em um primeiro momento que tenha perdido o equivalente a mais de R$ 15 mil.

Lucas é dono de uma loja de Sons e Acessórios e teve diversos equipamentos danificados pela água. “A loja fica numa altura de 1,5 m do passeio. Nunca tive água lá em cima. É incalculável o que tem dentro da loja”, lamenta.

Equipamentos de clientes da loja também foram danificados na enchente (Guilherme Gurgel/BHAZ)

‘Agora é recomeçar’

Mesmo abalados pela devastação, o empresário Lucas e a vendedora Carolaine têm uma coisa em comum: estão pensando em como recomeçar. Para a mãe, essa é a única coisa que importa agora. “O mais importante é preservar a vida, porque isso aí foi difícil. Pra mim, agora é recomeçar”, afirma.

Lucas já avalia a possibilidade de deixar a região. Ele diz que não aguenta mais arcar com os prejuízos sem apoio do poder público. “Agora é contabilizar o prejuízo e tomar as medidas cabíveis”, declara.

Chuva derrubou muros e espalhou lama pela região (Guilherme Gurgel/BHAZ)

Para ajudar os atingidos, voluntários da Vila São Paulo se uniram para angariar doações. Na Escola Municipal Virgílio de Melo Franco, as famílias que tiveram perdas podem receber alimentos, roupas e materiais de higiene.

A iniciativa é totalmente voluntária e organizada pela comunidade. “A gente viu o que estava acontecendo e decidiu que tinha que fazer alguma coisa”, afirma uma das voluntárias, a pedagoga Kátia Queiroz.

A escola também pode servir de abrigo para as famílias desalojadas. No entanto, os voluntários contam que os atingidos se recusam a deixar as casas, por receio de serem saqueados. “Eles ficam vigiando o que sobrou da enchente. Durante a madrugada já tinha gente aproveitando para roubar as coisas”, relata Kátia.

Como ajudar?

São dezenas de famílias que perderam tudo. As autoridades informam que, quem deseja ajudar, estão sendo recebidos cestas básicas, colchonetes, água mineral, roupas, produtos de limpeza e cobertores.

As doações podem ser feitas das 8h às 17h nos seguintes endereços:

  • Escola Municipal Pedro de Alcântara Junior: localizada na rua Padre Antônio Vieira, número 463, no bairro Jardim Industrial.
  • Escola Municipal Virgílio De Melo Franco: localizada na rua Luminosa, número 75, na Vila São Paulo.
  • Capela Nossa Senhora Fátima: localizada na rua Amanda, 620, na Vila Betânia 
  • Regional Vargem das Flores: rua  VL 7, 249, Nova Contagem
  • Regional Eldorado: avenida José Faria da Rocha, 1.016, 3º andar, Eldorado
  • Regional Industrial: rua Marquês do Paraná, 95, Industrial
  • Regional Riacho: rua Solimões, 204, Novo Riacho
  • Regional Nacional: rua Santa Maria, 1.076, Nacional
  • Regional Petrolândia: rua Refinaria Duque de Caxias, 663, Petrolândia
  • Regional Ressaca: rua Rodrigues da Cunha, 430, São Joaquim
  • Regional Sede: rua Manoel de Matos, 126, Central Park
Guilherme Gurgel

Guilherme Gurgel

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

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