Home NotíciasEsportesMedo da Série C, perdas de mando e mais dívida: Cruzeiro inicia 2020 mergulhado em problemas de 2019

Medo da Série C, perdas de mando e mais dívida: Cruzeiro inicia 2020 mergulhado em problemas de 2019

As turbulências vividas pelo Cruzeiro em 2019 não cessaram com a virada de ano. Durante o mês de janeiro, punições, saídas de jogadores, dívidas e o medo (tornado público por um dirigente) de mais um risco de rebaixamento cercaram o clube enquanto a Raposa estreava um time modificado no Campeonato Mineiro.

As confusões que tomaram conta dos estádios nos últimos jogos do ano passado trouxeram consequências ao clube, como perdas de mando de campo e multas. Enquanto isso, o Núcleo Dirigente Transitório do Cruzeiro teme que as dívidas com a FIFA levem o time à Série C.

O que sobra para o cruzeirense acreditar em uma reviravolta é o desempenho dos garotos da base, destaques neste início de estadual.

Punição atrás de punição

Durante três dias seguidos, o Cruzeiro foi punido pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) por desordem em três ocasiões diferentes. Nesta sexta-feira (31), os auditores do julgamento decidiram multar o clube em R$ 40 mil e determinaram a perda de três mandos de campo por causa das confusões no duelo contra o CSA, na reta final do Brasileirão 2019.

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No dia anterior, a penalização de uma perda de mando de campo e uma multa de R$ 50 mil foi determinada pela desordem no clássico contra o Atlético. Já na quarta-feira (29), o clube foi julgado pelo quebra-quebra que destruiu o Mineirão na partida contra o Palmeiras, que consolidou o rebaixamento da Raposa, e a punição é de três perdas de mando de campo e uma multa de R$ 50 mil.

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Com isso, o Cruzeiro acumula sete jogos com portões fechados e R$ 140 mil em multas. O clube ainda pode recorrer ao Tribunal Pleno contra as decisões referentes às partidas contra o Palmeiras e o CSA, mas a punição por conta do clássico já é definitiva.

Série C?

Não bastasse a acumulação de multas, que não ajuda a situação financeira já crítica do Cruzeiro, as dívidas do clube já geram outra preocupação à gestão e, agora, à torcida: a chance do rebaixamento para a Série C. Em entrevista ao GloboEsporte.com, o presidente do Núcleo Dirigente Transitório do time, Saulo Fróes, contou que teme a queda devido às dívidas com a FIFA.

Segundo o dirigente, o Cruzeiro tem que pagar R$ 60 milhões à federação até o dia 1º de abril. Caso contrário, o time iria para a terceira divisão e perderia seis pontos. Em nota, o clube esclareceu a situação e explicou que tem que pagar valores diferentes em prazos espalhados até 2022.

“No primeiro semestre deste ano, os valores previstos de processos na entidade somam cerca de R$ 25 milhões, enquanto na segunda metade de 2020 os vencimentos giram em torno de R$ 22 milhões. Em 2021 por enquanto não há processos. A partir de 2022, as dívidas do Cruzeiro na FIFA chegam a quase R$ 5 milhões. Ou seja, estes valores, somados, giram em torno de R$ 50 milhões”, diz um trecho do comunicado (leia na íntegra abaixo).

Vai e vem de jogadores

Desde que a possibilidade do rebaixamento começou a aparecer para o Cruzeiro, surgiu a discussão: quais jogadores aceitariam ficar no time e disputar a Série B com reduções de salário? Até agora, a situação de alguns jogadores ainda não está definida e gera dúvidas na torcida e nos gestores.

O goleiro Fábio, ídolo da Raposa, já garantiu que continuará jogando pela camisa celeste e que não deixaria o time em seu pior momento. Por outro lado, jogadores como Thiago Neves, Fabrício Bruno, Egídio, Henrique e Pedro Rocha já saíram do Cruzeiro e alguns acionaram a Justiça contra o clube.

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Enquanto isso, uma polêmica envolve a saída do goleiro Rafael. O jogador está em processo de rescisão com o clube e uma possível ida para o Atlético parece incomodar o Núcleo Dirigente Transitório. Em entrevista ao Super FC, Saulo Fróes admitiu a possibilidade de multar o goleiro caso a transferência ocorra.

“Nem podemos falar disso (multa). É uma ideia, sim, mas isso tudo é conversado. Às vezes, nem precisa da multa. Dependendo do que pagar, nós liberamos”, disse o presidente do Núcleo. A possibilidade foi questionada pelos torcedores atleticanos, que compararam a situação ao caso do atacante Fred.

Em 2017, o Galo estipulou uma multa rescisória ao jogador depois que Fred deixou o time para jogar pelo Cruzeiro. Até hoje, o valor não foi pago, porque a Raposa considera a decisão ilegal. Depois que a declaração de Saulo Fróes foi divulgada, a torcida alvinegra ironizou: “Mas a multa não é ilegal?”, publicou o jornalista Igor Assunção no Twitter.

A base pode salvar

A situação do clube preocupa muito fora de campo, mas a salvação para o time celeste pode estar dentro de campo – os garotos da base estão sendo o destaque da equipe nos primeiros jogos do Campeonato Mineiro.

Os meias Maurício e Marco Antônio, de 18 e 19 anos, respectivamente, e o volante Jadsom, de 18, são os jovens que estão se destacando nas partidas e chamando a atenção dos cruzeirenses. Com limites para as folhas salariais, a Raposa encontra soluções na base promissora do time.

Nota do Cruzeiro

“R$ 50 milhões de dívidas na Fifa têm vários vencimentos e vão até 2022

O Cruzeiro Esporte Clube vem a público para esclarecer sobre as atuais dívidas na FIFA. É de conhecimento de todos que a instituição passa por sérios problemas financeiros, deixados pela gestão anterior, que renunciou em dezembro do ano passado. Desde então, o Núcleo Dirigente Transitório assumiu a administração do Clube, neste momento de transição, para sanar os problemas emergenciais e os de médio prazo, além de trabalhar nas estratégias para os próximos anos.

Uma das questões importantes que a atual gestão tem para resolver são as dívidas com a FIFA, que vão até 2022. No primeiro semestre deste ano, os valores previstos de processos na entidade somam cerca de R$ 25 milhões, enquanto na segunda metade de 2020 os vencimentos giram em torno de R$ 22 milhões.

Em 2021 por enquanto não há processos. A partir de 2022, as dívidas do Cruzeiro na FIFA chegam a quase R$ 5 milhões. Ou seja, estes valores, somados, giram em torno de R$ 50 milhões.

Mas é importante ressaltar que não há uma data única para o pagamento deste valor. Como exposto acima, o Cruzeiro tem vencimentos previstos, em datas diferentes, que juntos alcançam os valores explanados. São dívidas acumuladas em processos há vários anos, e, caso o Clube não cumpra com suas obrigações, é passível sim de penalidades, como por exemplo a perda de 6 pontos na Série B por processo. No entanto, em caso de condenação, o Cruzeiro terá um prazo estipulado pela FIFA para quitar o débito em questão antes que a punição seja de fato aplicada.

O cenário é difícil, desafiador, mas o núcleo gestor não tem medido esforços para encontrar soluções e trabalha em várias linhas de atuação. Uma das alternativas é a renegociação com os clubes envolvidos nos processos e o departamento jurídico do Cruzeiro já iniciou este procedimento, procurando também diferentes aberturas legais. Outra é conseguir empréstimos compatíveis com a capacidade financeira atual, a possível venda de jogadores e o incremento de patrocínios de empresas parceiras.

O programa Sócio Reconstrução, que conta com a adesão dos torcedores para alavancar recursos, é uma ferramenta importantíssima, além da reformulação do programa Sócio 5 Estrelas, que será anunciada em breve.

A Nação Azul, que acompanha e vive o Cruzeiro, pode ter a certeza de que todas as soluções estão sendo buscadas, para que o Clube consiga passar por esta fase difícil, deixada como herança pela má administração de gestões anteriores. E o Cruzeiro precisa, mais do que nunca, do apoio do torcedor nesta fase de transição e reformulação.”

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