Home NotíciasPolíticaKalil diz que críticas são ‘política em cima de mortos’; parlamentares alegam falta de democracia

Kalil diz que críticas são ‘política em cima de mortos’; parlamentares alegam falta de democracia

As tempestades que destruíram Belo Horizonte nas últimas semanas acirraram também o clima político na capital. Parlamentares, tanto da CMBH (Câmara Municipal de Belo Horizonte) quanto da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), responsabilizam o prefeito Alexandre Kalil (PSD) e seu secretariado por parte dos estragos.

Alvo de críticas, Kalil (PSD) disse em coletiva na sede da PBH (Prefeitura de Belo Horizonte), na tarde desta segunda-feira (3), que há uma tentativa de fazer política em cima das vítimas da chuva na capital, já que 2020 é ano de eleição e o prefeito deve disputar a permanência no cargo.

“Eu enterrei um montão de criança. Estou com cadáveres quentes ainda. Essa falta de vergonha neste país de querer fazer política em cima de gente morta já era. Agora, é o seguinte, quem quiser eleger, vai lá bota o dedo e elege, quem não quiser, manda para casa”, afirmou.

Parlamentares rebatem o prefeito e alegam que Kalil é antidemocrático e que o próprio prefeito teria usado mortes na capital como palanque. Kalil afirma que o momento é de pensar na reconstrução da cidade. “Agora, eu vou reconstruir minha cidade, pois fui eleito para isso. Vagabundo que quer que morra gente para fazer campanha política, pode deixar que lá em cima tem um cara tomando conta deles”, disse.

Críticas

Um dos principais críticos ao prefeito tem sido o deputado estadual Léo Portela (PL). Em conversa com o BHAZ, Portela rebateu a fala de Kalil, alegando que, na verdade, o prefeito foi quem usou mortes para atacar quem o critica.

“Isso é sintoma de quem não sabe conviver com a democracia. O que ele fez é de mais baixo nível possível. Isso a gente não vê nem nas mais terríveis ditaduras. Belo Horizonte vive um califado, ele [Kalil] é o califa que manda na cidade, oprime e persegue os que o criticam. Sugiro que o prefeito comece a entender que vivemos em uma democracia”, diz o deputado.

Segundo Portela, os erros de gestão devem ser o “calcanhar de Aquiles” de Kalil nas próximas eleições. “Ele errou em muitas áreas, essa – estragos causados pelas chuvas – é uma delas. Por isso, ele tem vários pontos a ser criticado. Mas são críticas saudáveis para o governo dele. Espero que a população entenda que esse é o papel democrático da oposição e é vital para a democracia”, diz o deputado.

Os vereadores de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (sem partido) e Mateus Simões (Novo), ambos nomes cotados a concorrerem à Prefeitura de Belo Horizonte na próxima eleição, também fizeram coro às críticas.

Azevedo já havia rebatido a declaração de Kalil, que defendeu o novo Plano Diretor da cidade alegando que os empresários da cidade eram contra o projeto. “Eu quero deixar uma coisa muito clara: esse Plano Diretor, que foi tão massacrado por esses empresários gananciosos dessa cidade, está aí a resposta para eles. Eles não queriam um Plano Diretor que cuidasse do meio ambiente. A resposta chegou na casa deles, no bairro chique e luxuoso de Belo Horizonte”, disse Kalil na semana passada.

+ Kalil eleva tom e critica empresários após chuva: ‘Chegou na casa deles, no bairro chique e luxuoso’

De acordo com Gabriel Azevedo, na verdade, foi o próprio Kalil quem fez política com mortes. “No ano passado fiz inúmeras convocações para ele explicar obras na Vilarinho antes do empréstimo que a prefeitura pegaria, ninguém veio. Em seguida, o prefeito disse que o projeto estava equivocado. Por qual razão ele não teve a humildade de permitir que a CMBH (Câmara Municipal de Belo Horizonte) ajudasse no projeto? Isso sim é fazer política em cima de cadáver, e da pior maneira, não democrática e autoritária. Desta forma, o prefeito prejudica o trabalho das autoridades da capital e atrasa BH”, diz o vereador.

O parlamentar também questiona a atitude do prefeito de rebater as críticas recebidas. “Isso é um jogo político dele, que achou que passaria despercebido ao longo do ano até o processo eleitoral. Agora, todo mundo sabe que ele é candidato à reeleição e ele tem seu governo colocado em xeque. Neste momento, o prefeito deveria esquecer as diferençar políticas para dialogar com quem conversar”, afirma.

Mateus Simões, que também é cotado a concorrer à PBH, alegou que houve “omissão” da prefeitura durante os anos de gestão de Kalil. “Nos últimos anos, a PBH não fez nenhum investimento preventivo na capital. Política sobre mortes é exatamente o que ele [Kalil] fez ano passado, na Vilarinho. Quando foi lá bater no peito, após as mortes, dizer que resolveria o problema e nada fez. Isso é política em cima de mortos. Ele fez o mesmo recentemente no desabamento que matou pessoas no Barreiro. Foi lá pisar na lama fazendo a imagem de prefeito que vai salvar a cidade e não fez nada”.

Karoline Barreto/CMBH

Segundo Simões, as discordâncias com o prefeito não são motivadas por conta do período eleitoral. “Eu critico o Kalil desde que ele tomou posse. Ele acha que está imune às críticas porque está em ano eleitoral. Mas ele precisa reconhecer que a administração dele é pífia, com resultados pífios. inacreditável esconder atrás das mortes para não prestar contas. Ele é um populista que não quer assumir as responsabilidades de nada. O prefeito é uma vergonha”, afirma o vereador

Além deles, o deputado estadual João Vitor Xavier também subiu o tom contra o prefeito no início do mês passado. Xavier disparou contra Kalil: “É muita propaganda e nenhuma gestão”, disse ao comentar as obras não realizadas, principalmente na região da Vilarinho.

Ao BHAZ, o deputado também disse que Kalil não aceita conviver com a democracia. “O prefeito é intolerante ao debate e ao contraditório. Ele acha que é um príncipe ou imperador que não pode ser criticado. Gastou R$ 100 milhões no combate a enchente em BH e R$ 200 milhões para tentar calar a imprensa. Como tem parte da imprensa conivente com a situação, ele não é acostumado a ser criticado diante da aberração que está ocorrendo em BH”, diz.

Em relação a alegação de Kalil, sobre a tentativa de se fazer política diante da tragédia, o parlamente também diz que o prefeito fez o mesmo. “É inacreditável o prefeito que foi em Venda Nova, há um ano e três meses atrás, usar os caixões de uma mãe e uma filha de palanque político falar isso hoje”, afirma João Vitor.

“Kalil passou o ano inteiro dizendo que tinha R$ 1 bilhão para gastar em obras na cidade e não fez nada. Ainda teve a coragem de fazer um vídeo recentemente se vangloriando das ações da prefeitura durante as tempestades. Um vídeo imoral e ilegal, pois foi feito pela prefeitura, com a marca da prefeitura para promover o prefeito. Ele usa essa tática de agredir e atacar as pessoas que o criticam, pois é péssimo de gestão e ótimo de agressão”, acrescenta Xavier.

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Rafael D'Oliveira

Rafael.doliveira@bhaz.com.br

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