Home NotíciasEsportesDudamel é alvo de crítica xenofóbica e recebe apoio: ‘Por ser venezuelano, devia ser mais humilde’

Dudamel é alvo de crítica xenofóbica e recebe apoio: ‘Por ser venezuelano, devia ser mais humilde’

O apreço por jogadores argentinos e uruguaios se destaca no futebol brasileiro há muitos anos. Ao mesmo tempo, no entanto, é perceptível certa relutância em aceitar e acreditar no desempenho de profissionais de outras nacionalidades sul-americanas, como é o caso de colombianos, equatorianos e venezuelanos. Nesta semana, o técnico Dudamel, do Galo, teve a competência questionada por conta da nacionalidade dele.

A torcida do Atlético se mobilizou, na segunda-feira (3), contra uma coluna publicada pelo jornalista Menon, no UOL. Com o título “Dudamel coloca nos outros a culpa de seus fracassos“, o colunista criticou o recém-chegado técnico venezuelano pelo desempenho nos quatro jogos em que comandou o Galo.

Ao criticar o discurso do treinador, dizendo que ele não assume a culpa por seus erros, Menon sugeriu: “Sem nenhuma xenofobia, Dudamel por ser venezuelano, deveria ser mais humilde. Estamos falando de futebol e não de petróleo. Ou de basquete, ou de beisebol, ou da espetacular Yulimar Rojas”.

Além das críticas consideradas precoces a um treinador que começou os trabalhos no time em janeiro, o texto tornou-se alvo nas redes sociais e o posicionamento “sem nenhuma xenofobia” foi associado ao discurso que costuma preceder falas preconceituosas: “não sou racista, mas…”.

No Twitter, atleticanos subiram a hashtag #FechadosComDudamel e demonstraram apoio ao treinador. “A massa precisa ter paciência com o Dudamel, chegou agora, está conhecendo o elenco e montando o time ainda, não vamos mais ser o time que mói treinador, e não acredite em tudo que a imprensa fala pq alguns querem prejudicar!”, escreveu uma torcedora.

Além da torcida, profissionais do jornalismo esportivo também se manifestaram contra as declarações publicadas. Em coluna no blog Bola pra Frente, o jornalista da ESPN Leonardo Bertozzi condenou a atitude de desqualificar o trabalho de alguém por causa de sua nacionalidade e deixou claro: “Não existe ‘mas’ para a xenofobia”.

‘Quem me chama de xenófobo não sabe o que é xenofobia’

Procurado pelo BHAZ, Menon se posicionou sobre as acusações de xenofobia que, para ele, são insustentáveis. “Quem me chamou de xenófobo não sabe o que é xenofobia. Xenofobia é crime e não sou criminoso. Sou uma pessoa de esquerda, essa é uma acusação ofensiva”, disse o colunista.

“O que eu quis dizer é o que está escrito: a Venezuela é um país que não tem a mínima importância no futebol mundial. Dudamel tem um currículo bom na seleção venezuelana, mas como treinador de clube não tem currículo nenhum. Acho que ele foi arrogante porque não conseguiu ganhar do Coimbra, do Tombense e em vez de falar o que fez de errado colocou a culpa nos outros”, completou ele.

O colunista contou que foi procurado pelo gerente de comunicação do Atlético, Cássio Arreguy. “Ele pediu para que eu completasse o texto, falando que Dudamel também reconheceu erros na coletiva, e eu mudei o que escrevi. Ele também falou em xenofobia, mas eu falei que não ia mudar, porque não concordo”, explicou Menon.

Depois da conversa, ele acrescentou na publicação trechos sobre as autocríticas que o técnico fez depois do jogo e também elogiou sua carreira como goleiro na Colômbia e seu desempenho na seleção venezuelana.

Galo lamenta a situação

Ao BHAZ, Cássio Arreguy confirmou que o colunista fez algumas alterações no texto, mas ainda considera preconceituosa uma parte das declarações. Em outros trechos, a discordância foi em relação a uma severidade no julgamento das palavras do técnico.

O gerente de comunicação do Atlético afirmou que o clube lamenta que a nacionalidade de um treinador sirva de parâmetro para que alguém o diminua. “O fato dele ser venezuelano não o faz diferente, então não se pode julgar o trabalho dele pela nacionalidade. Nós lamentamos que o texto tenha resvalado para esse lado, e esperamos que o autor reflita e reconheça que exagerou nesse ponto”, explicou Cássio.

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