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Polícia recebe indícios e investiga se cervejas da Backer possuíam substâncias tóxicas desde 2018

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A Polícia Civil anunciou nesta sexta-feira (14) que foram estendidas as investigações sobre o possível elo entre registros de intoxicação por dietilenoglicol em Belo Horizonte e o consumo de cervejas da Backer. Há pessoas, segundo a corporação, que foram internadas em 2018 com os mesmos sintomas causados pela substância tóxica e também consumiram a bebida da marca mineira.

“Hoje estendemos a investigação para o período de 2018, pois existem registros policiais feitos no presente que informam a possibilidade de contaminação em datas anteriores. São vítimas em debilidade pequena e outras também em condições graves. A coincidência entre os casos é o consumo de cerveja”, explicou o delegado responsável pelo caso, Flávio Grossi.

A polícia trabalha, portanto, com a possibilidade de que graves falhas na produção de cervejas da Backer tenham ocorrido não apenas no fim do ano passado, mas desde 2018. A suspeita de que uma substância tóxica presente em bebidas da marca mineira abalou o Brasil no início deste ano, quando pessoas foram internadas com o mesmo sintoma após consumir o rótulo Belorizontina comprado no bairro Buritis, na região Oeste da cidade.

Até o momento, segundo a SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais), seis pessoas morreram com a suspeita de intoxicação exógena por dietilenoglicol. Outras 25 pessoas apresentaram “sinais e sintomas compatíveis com o quadro de intoxicação por dietilenoglicol e com relato de exposição”.

Investigação

O delegado, no entanto, não informou outros detalhes sobre quantidade de internados em 2018 e em 2019, se existe alguém internado até hoje ou mesmo quais cervejas foram consumidas por essas pessoas.

“Um dos elementos para a inclusão foi o surgimento de pessoas que apresentaram sintomas idênticos no passado. Ou seja, indicavam sintomas e histórico de consumo de cerveja em 2018. Isso, somados a outros elementos investigativos, nos fez avisar os órgãos sanitários”, se limitou a dizer.

Essa é a primeira vez que a investigação cita casos do ano de 2018. Até o momento, a polícia investiga 34 suspeitas e já ouviu 39 pessoas entre parentes e vítimas. Exames já apontaram a presença de dietilenoglicol em quatro vítimas, uma delas é o homem de 55 anos que morreu por conta da contaminação.

Exames

Os reagentes necessários para testar a presença de monoetilenoglicol e dietilenoglicol nas vítimas com suspeita de intoxicação chegaram nesta sexta-feira (14). A previsão é de que, nos próximos 15 dias, exames laboratoriais sejam concluídos pela investigação.

“Na próxima semana começamos os exames de dosagem quantitativa no sangue dos pacientes e nas cervejas para die e mono. Não estou afirmando que esses exames ficarão prontos em 15 dias, mas a expectativa é de que sejam concluídos neste período, o que pode ajudar a sustentar ainda mais a investigação”, explicou o superintendente de Perícia Técnica e Científica, Thalles Bittencourt.

Procurada, a Backer informou que “a empresa nunca utilizou a substância dietilenoglicol na fabricação de seus produtos”. “A Cervejaria Backer, seus consumidores e a sociedade como um todo anseiam pela rápida conclusão das investigações”, conclui, por nota (leia na íntegra abaixo).

Nota da Backer

“A Backer colabora com as autoridades desde o início das investigações. Reiteramos que a empresa nunca utilizou a sustância dietilenoglicol na fabricação de seus produtos.

A Cervejaria Backer, seus consumidores e a sociedade como um todo, anseiam pela rápida conclusão das investigações”.

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Rafael D'Oliveira

Rafael.doliveira@bhaz.com.br

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