Mesmo com tantas tragédias, o BHAZ deve cobrir o Carnaval? Enfim, chegamos a uma conclusão!

Carnaval
Amanda Dias/BHAZ

O Carnaval vem aí! Ou melhor, já está aqui – dezenas de blocos já desfilaram nos últimos dias – e queremos bater um papo contigo. Os temporais e nossa incapacidade de conviver harmonicamente com a natureza espalharam perdas e tristezas por BH. E aí surgiram questionamentos: o BHAZ deveria cobrir a folia da cidade? Refletimos muito para chegar a uma conclusão – e agora queremos compartilhar.

Mau uso do nosso dinheiro

A maior crítica à realização do Carnaval feita por comentários publicados na nossa página era e é sobre o uso do dinheiro público, ou seja, nosso dinheiro. De fato, é, no mínimo, desrespeitoso usar para a folia uma grana que poderia ser investida para corrigir urgentemente os danos materiais ocorridos após as fortes chuvas.

Esse ponto, então, era essencial para que pudéssemos tomar nossa decisão: quanto dinheiro público seria usado no Carnaval de BH? Qual seria o critério da PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) para usar uma determinada verba? E por qual motivo a administração municipal achou que toda a população – ou, pelo menos, a maioria – estava de acordo com essa decisão?

Para nossa surpresa todos os questionamentos foram respondidos com apenas uma frase: o Carnaval de BH não terá um centavo sequer de dinheiro público. A PBH conseguiu, após o sucesso de outras edições, acumular R$ 14,3 milhões de patrocínio privado para viabilizar toda a organização e realização da festa.

R$ 14,3 milhões???

Ficamos um pouco impressionados com o montante de R$ 14,3 milhões e, como o papel do jornalista é perguntar, continuamos indagando o prefeito Alexandre Kalil (PSD) e sua equipe. Quem topou pagar R$ 14,3 milhões para promover o Carnaval de BH? Esse dinheiro vai ser usado de qual forma? Nenhuma verba pública que poderia ser investida, por exemplo, para corrigir a Tereza Cristina vai ser usada na folia?

São, na verdade, três empresas responsáveis por bancar o Carnaval de BH: Ambev, Itaú e iFood. Dos R$ 14,3 milhões pagos por essas empresas, R$ 6 milhões são repassados para a prefeitura viabilizar parte da folia, como contratar artistas e ajudar nos custos dos responsáveis pelo renascimento da festa na capital mineira: os blocos e, também, as escolas de samba.

Como o evento cresceu muito, os R$ 6 milhões não seriam capazes de bancar toda a festa. Então, mais R$ 8,3 milhões serão pagos diretamente pelas três empresas para as chamadas planilhas de estruturas e serviços. O que é isso? É a estrutura física para sustentar um evento com milhões de foliões, como banheiros químicos, gradis, palco etc.

E o que as empresas ganham investindo todo esse dinheiro? “Exploração de publicidade em espaços e equipamentos públicos do município nas localidades dos eventos definidos pela Belotur”. Simplificando: as empresas vão poder exibir suas marcas em um evento pelo qual passarão milhões de pessoas – no caso da Ambev, ainda poderá oferecer benefícios para que os ambulantes comercializem suas bebidas.

Qual vantagem pra BH?

“Beleza, meu dinheiro não é usado no Carnaval, mas isso não é mais do que obrigação!” O que a cidade ganha em ter a rotina afetada, pontos com multidão, confusão etc? Temos então dois tipos de respostas para esses questionamentos.

Uma linha diz respeito ao uso do espaço público – já que é nosso mesmo, tem que ser usado – e algo que, talvez, não faça sentido para todo mundo – mas, com um pouquinho de empatia, dá pra tentar entender. É o momento em que todos os belo-horizontinos, independentemente do poder financeiro, podem se divertir.

O mesmo bloco famoso que arrasta milhares no potente trio elétrico faz a alegria do rapaz que pode frequentar as melhores boates e os mais bombantes shows da cidade; do rapaz que não consegue tanto, mas se diverte com os amigos em uns botecos e churrasco; e o rapaz que mal tem dinheiro pra garantir as refeições, quiçá ter um momento de lazer. Tem-se então o momento em que, de certa forma, o direito constitucional de acesso à cultura é, efetivamente, garantido.

“Ah, tudo isso é mimimi, a cidade tem que se preocupar em gerar emprego e renda, prosperar, não com a diversão dos cidadãos”. Se você tem essa visão mais – digamos – opaca de mundo, apresentamos dados animadores. Em 2017, o Carnaval movimentou a economia de BH em R$ 531 milhões. No ano seguinte, em 2018, o valor chegou a R$ 641 milhões. Os números são da PBH, que ainda está fazendo o estudo pra checar quanto a folia girou.

É mais gente na cidade, mais gente aproveitando BH, comendo na rua, se divertindo com os espaços públicos, consumindo e, lógico, sem falar nos turistas. O setor hoteleiro já prevê uma taxa de ocupação de 80% das vagas disponíveis em Minas Gerais. E aí rola aquele efeito cascata: mais deslocamento (aplicativo ou transporte público), alimentação, adereços, lembranças, bebida e por aí vai…

Falando em bebidas, cerca de 15 mil pessoas se cadastraram para trabalhar como ambulante durante a folia. Isso quer dizer que, potencialmente, 15 mil pessoas poderão ter a renda alavancada ou complementada pelo Carnaval.

‘Vai tirar o foco!’

“Mas a cidade e o noticiário vão ser tomados pelo Carnaval, todo mundo vai esquecer as perdas causadas em decorrências dos temporais e da incapacidade do homem, de maneira geral, de conviver harmonicamente com a natureza”. Esse pensamento, se você teve um semelhante, não é totalmente verdadeiro.

O Carnaval sempre foi uma manifestação cultural sim, mas também política. Em BH, esse traço fica ainda mais forte. A faísca que gerou a explosão que hoje a folia da capital mineira pode ser considerada começou com um protesto político aos cerceamentos de uso do espaço público da cidade no fim da década passada.

Nem todo mundo se lembra, mas começou com uns “gatos pingados” lá em 2009, 2010… E a principal motivação foi justamente não esquecer que a cidade é dos moradores (você pode ler mais sobre o tema aqui). E esse traço é mantido até hoje. No ano passado, por exemplo, o crime ambiental da Vale, em Brumadinho, que também ocorreu relativamente próximo à folia, foi lembrado por vários blocos (relembre aqui).

+ Baianas, Unidos do Barro Preto e Havayanas fazem show à parte em homenagem a Brumadinho

E se chover muito?

Mas e se chover forte e alagar as vias lotadas de foliões? A PBH garante que está preparada, com monitoramento das condições climáticas realizado 24h por dia. A administração afirmou que, se for previsto algum temporal, não hesitará em desviar o trajeto de blocos ou mesmo suspender atrações.

“A Belotur, em trabalho integrado com a Defesa Civil, está se reunindo com Blocos de Rua que possuem trajetos passando por novos pontos de atenção da cidade”, afirma a administração municipal.

‘A cidade fica uma zona!’

Ninguém merece ter que sentir cheio de urina na porta de casa ou se atrasar para o trabalho por causa de uns bêbados sem noção! A prefeitura reconheceu essas reclamações e garante que planejou a maior organização da história para evitar o incômodo. Serão 15 mil diárias de banheiros químicos durante o Carnaval.

“Serão cerca de 100 pontos fixos de cabines, em contraponto aos 65 mapeados em 2019, e com mais localidades fora da regional Centro-Sul”, garante a PBH.

Sobre a mobilidade, a prefeitura anunciou uma megaoperação. “Na área central será criada uma estrutura de interdições de vias e desvios no trânsito para minimizar os impactos para quem precisa se locomover na capital. A recomendação é que os motoristas priorizem trafegar pela avenida do Contorno, que estará liberada para o trânsito e transporte coletivo”, diz.

Além disso, ônibus e metrô funcionarão com esquema especial para atender tanto as pessoas que querem se locomover pela cidade quanto os foliões.

E aí, BHAZ?

Se não tem o uso de um centavo de dinheiro público; movimenta – muita – grana na cidade; leva diversão e incentiva o uso dos espaços públicos pelos seus donos, que somos nós mesmos; tem um perfil crítico, de protesto; e a PBH promete que fez e fará de tudo para minimizar os impactos negativos, não tem motivo para ignorarmos o – já famoso – Carnaval de BH.

O BHAZ hoje é um portal com alcance nacional, dos mais seguidos e compartilhados de Minas, mas sempre terá seus olhos – e coração – voltados especialmente para BH, para o que a cidade tem de melhor, mais bonito, mais mágico… E que orgulho esse Carnaval gigante, com blocos de tudo quanto é perfil, nos dá, né?!

Mas, lógico, você sabe, quem ama, cuida. O BHAZ também é conhecido pelo caráter crítico e, principalmente, independente. Vamos fazer uma cobertura ainda mais rigorosa quanto à operação caso alguma tempestade ocorra, à mobilidade da cidade, higiene, segurança… E não esqueceremos das vítimas dos temporais recentes, assim como não esquecemos da Vale, Samarco…

Então separe o glitter…

… porque o BHAZ vai arrasar na cobertura durante o Carnaval – tanto da folia de BH quanto para quem não suporta a festa (como de praxe, traremos outros assuntos para atender todos e todas). Então queremos compartilhar, também, as novidades da cobertura especial que faremos pelo quarto ano consecutivo – e que nos enche de orgulho!

Segure-se na poltrona e confira as atrações:

  • Sobrevoo ao vivo

No ano passado, o BHAZ inovou ao estrear no Brasil a transmissão ao vivo por drone. Deu um trabalhão conseguir a liberação da Aeronáutica para mostrar, em tempo real, como está o Carnaval da cidade na visão mais ampla possível. Mas valeu (muito) a pena, foi um sucesso e vamos repetir!

  • Confessa Aí!

Ah, essa atração você já conhece… O microfone aberto mais procurado do Carnaval de BH, lógico, evidente, vai abrilhantar a folia da capital mineira novamente. É só procurar nossa equipe nos pontos mais bombantes da folia e caprichar na confissão…

  • CarnaGame

Quem vive só de passado é museu. O portal mais querido de BH vai estrear na folia deste ano um quadro que promete reunir famílias e alegrar geral. Vamos promover uma disputa com perguntas sobre a festa mais democrática da cidade. Com prêmio para os vencedores e tudo mais!

  • Corujão do Carnaval

Teve um dia perfeito que nem acabou, mas já está com saudade? Sabemos exatamente como é essa sensação. Espere um pouquinho porque, nas noites de sexta, sábado, domingo e segunda, vai rolar o Corujão do Carnaval. Vamos pegar as melhores cenas do melhor que rolou no dia, fazer uma edição que só o BHAZ sabe e compartilhar com você!

  • Agendão de responsa

Nós sabemos que você já sabe tudo sobre o Carnaval. Mas é impossível memorizar as centenas de atrações, admite? Fique tranquilo: temos a agenda mais completa da folia de BH, com filtros que permitem você encontrar os blocos que são a sua cara! CONFIRA AQUI!

  • Página especial, Instagram e mais!

Lógico que teremos uma página só para a cobertura, além de encher nosso maravilhoso perfil no Insta com fotos, lives e tudo do melhor da folia. E fique atento! Ainda teremos outras novidades especialmente para quem está emocionado com a chegada do Carnaval. Fique de olho na nossa página especial de Carnaval (www.bhaz.com.br/carnaval2020)!

  • Supermercado da folia

Carnaval combina com geladeira e dispensa cheias. Pra aguentar o batidão dos blocos tem que estar com a barriga cheia e o corpo bem hidratado – e tem quem gosta de beber algo mais, com responsabilidade. Para tudo isso, o Apoio Mineiro é o supermercado oficial do Carnaval de BH. Fique atento para conferir as melhores ofertas aqui, no BHAZ!