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Advogado denuncia agressão de PMs durante Carnaval na Savassi: ‘Me bateram com cassetete’

Advogado denuncia agressão de PMs no Carnval

Um advogado de 23 anos denuncia pelas redes sociais ter sido agredido por policiais militares enquanto aproveitava o Carnaval de BH na região da Savassi. Caio Damázio explica ter apanhado com golpes de cassetete na segunda-feira (24) gratuitamente. Além disso, ele relata ter levado pisões e ter sido ameaçado com uma arma de choque pelos militares.

A atuação da Polícia Militar durante o Carnaval acabou se tornando alvo de críticas por parte da população. O governador Romeu Zema (Novo) prometeu que investigará possíveis abusos ocorridos durante a folia depois que casos ganharam notoriedade nas redes sociais.

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Na denúncia feita pelo Instagram, Caio conta que um grupo de militares o abordou enquanto ele estava com amigos em um bloco de Carnaval. “Do nada um grupo de aproximadamente seis policiais me abordou, imobilizou e agrediu. Não me questionaram nada. Não perguntaram nada. Tiveram como primeira atitude me agredir, sem mais nem menos”, disse em um dos trechos.

O advogado relembra que os militares pressionaram a cabeça dele, forçaram os braços para trás e que pisaram nele após ser jogado no chão. “Fui agredido como se não tivesse nenhum direito e minha única opção fosse me submeter àquela situação”. Toda a movimentação foi registrada em vídeo.

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Acabado o carnaval, gostaria de compartilhar com vocês uma situação que ocorreu comigo, no dia 24/02, enquanto estava em um bloco de rua em BH. Prestem bastante atenção e vejam com seus próprios olhos. Enquanto cidadão e folião, estava com amigas e amigos curtindo a festa, quando DO NADA, um grupo de aproximadamente 6 policiais me abordou, imobilizou e agrediu. Não me questionaram nada. Não perguntaram nada. Tiveram como primeira atitude me agredir, sem mais nem menos. Forçaram meus braços para trás, me derrubaram, me bateram com cassetete, pisaram em mim, pressionaram minha cabeça contra o chão e ameaçaram me lesionar com arma de choque. Não ofereci resistência, não desobedeci nenhuma ordem. Fui agredido como se não tivesse nenhum direito e minha única opção fosse me submeter àquela situação. Fui preso provisoriamente, acusado de desobediência e resistência a prisão, humilhado e exposto a situações sub-humanas. Pois bem. Não vou me submeter. Quero propor uma reflexão pra vocês. O que eu sofri nesse bloco é o que milhares de brasileiros sofrem diariamente, principalmente nas periferias. Situações como essa são cotidianas e devem ser combatidas. Em pleno século XXI, não devemos mais tolerar o abuso policial. Não devemos tolerar agressões e mortes injustificadas. Importante ainda ressaltar que a Polícia Militar de Minas Gerais tem pressionado o governador @romeuzema por um ajuste de 41% nos seus vencimentos, mesmo em meio a uma crise fiscal sem fim. E esse é o trabalho usado para justificar o aumento. Com muito orgulho, tive a oportunidade de estudar Direito na @minhaufop, uma instituição que me ensinou o valor dos Direitos Humanos. Quando me tornei bacharel, jurei defender a justiça e dignidade da pessoa humana. Por isso, não vou me calar. Não só por mim, mas por todos que sofrem o que eu sofri mas não tem voz para se manifestar. Ainda há democracia no país. Não existe mais uma ditadura militar, onde as forças de segurança atuam como bem entendem. Existe uma Constituição da República que nos garante direitos fundamentais. Direitos estes conquistados à base de muito sacrifício. Compartilhe essa postagem. Divulgue em suas redes sociais. Mostre aos amigos.

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+ ‘Questionei a truculência de um PM com um morador de rua e fui agredido’

As marcas das agressões pelo corpo foram mostradas nas imagens feitas pelo advogado, que foi detido acusado de desobediência e resistência.

‘Reflexão’

Na continuidade da postagem, Caio propõe uma reflexão sobre o abuso policial. O advogado destaca que aquilo que ele passou “milhares de brasileiros sofrem diariamente, principalmente nas periferias”.

“Em pleno século XXI, não devemos mais tolerar o abuso policial. Não devemos tolerar agressões e mortes injustificadas. Importante ainda ressaltar que a Polícia Militar de Minas Gerais tem pressionado o governador Romeu Zema por um ajuste de 41% nos seus vencimentos, mesmo em meio a uma crise fiscal sem fim. E esse é o trabalho usado para justificar o aumento”.

+ Zema garante que investigará excessos de policiais durante o Carnaval: ‘Repudio abuso de autoridade’

Por fim, Caio relembra a existência da Constituição da República que garante os direitos fundamentais. “Ainda há democracia no país. Não existe mais uma ditadura militar, onde as forças de segurança atuam como bem entendem”, finaliza.

PM se posiciona

Procurada pelo BHAZ, a PMMG informou, em nota, que “pauta suas condutas operacionais em conformidade com doutrinas táticas que contemplam uso diferenciado da força para conter resistências ativa e passiva dos abordados, se necessário”.

A corporação destacou que o abordado que se sentir lesado nos direitos deve procurar a Ouvidoria do Estado ou a Corregedoria para fazer a formalização da denúncia.

Nota da PMMG na íntegra:

“A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) esclarece que pauta suas condutas operacionais em conformidade com doutrinas táticas que contemplam uso diferenciado da força para conter resistências ativa e passiva dos abordados, se necessário. Caso algum abordado se sinta lesado em seus direitos, orientamos que seja feita a formalização junto à Ouvidoria do Estado ou à Corregedoria afim de que o devido processo legal, com respeito à ampla defesa e contraditório, seja instaurado para apurar a verdade dos fatos”.

Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.

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