Home Carnaval 2020Vai, planeta! Carnaval de BH teve redução de quase 2 mil toneladas de lixo nas ruas

Vai, planeta! Carnaval de BH teve redução de quase 2 mil toneladas de lixo nas ruas

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Uma das preocupações da população no pós-Carnaval é o lixo descartado nas ruas durante a folia. Desta vez, a notícia é boa em BH: este ano, a SLU (Superintendência de Limpeza Urbana) recolheu das ruas da capital quase duas mil toneladas de resíduos a menos do que no ano passado.

Os números ainda são de um levantamento parcial, já que os dados oficiais só devem ser divulgados na próxima semana, mas a SLU está otimista: desde o dia 8 deste mês, início do período oficial de Carnaval de BH, até esta terça (25), foram recolhidas 822 toneladas de lixo, um grande contraste com 2019, quando 2.700 toneladas foram coletadas das ruas e avenidas.

Segundo a SLU, o impacto nos números é resultado de um esforço coletivo: dos blocos, por assumirem o compromisso de conscientizar o público, das autoridades, pela competência no exercício do trabalho durante o Carnaval, e dos foliões, por tomarem mais cuidado durante a festa e se preocuparem com a redução dos resíduos.

O resultado da colaboração é claro: mesmo sem os números oficiais, o órgão prevê uma redução de pelo menos 70% no lixo descartado nas ruas este ano. Ou seja, menos lixo jogado nas ruas. E essa foi apenas uma das iniciativas que tornaram o Carnaval de BH uma festa bem mais sustentável.

Cabines sustentáveis

Além da preocupação com o lixo descartado nas ruas, Belo Horizonte contou com outras iniciativas que ajudaram a deixar a cidade mais limpa. Uma delas, importante para diminuir os impactos da folia no meio ambiente e realizada pelo terceiro ano consecutivo, é o projeto P4Tree, que transforma a urina recolhida nos banheiros químicos em adubo.

A tecnologia foi desenvolvida pelo Departamento de Química da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e utilizada em 50 cabines em locais fixos durante os quatro dias tradicionais de folia. Sachês de 200g do material P4Tree foram instalados em cabines selecionadas. O produto funciona da seguinte forma: em contato com a urina, o coletor filtra e separa o fósforo do restante dos elementos presentes no reservatório, já que ele é o componente a ser reaproveitado.

O fósforo recolhido será transformado em cerca de 50kg de fertilizantes, que serão aproveitados pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de BH.

Retorno para a cidade

A iniciativa privada também teve um papel importante de incentivo à sustentabilidade no Carnaval. A Ambev, patrocinadora oficial do Carnaval de rua, se uniu à Ancat (Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis) para recolher o lixo dos blocos da capital mineira e de outras quatro cidades.

Os resíduos coletados nos cortejos de grandes blocos serão reciclados e transformados em lixeiras instaladas nos espaços públicos, deixando um legado positivo e sustentável para os cidadãos após a folia. A expectativa é de que sejam produzidas cerca de 2 mil lixeiras.

“Queremos um Carnaval cada vez mais sustentável e também ajudar na conscientização dos foliões. Por isso, decidimos fazer uma ação inédita de limpeza que vai recolher todo o tipo de material reciclável: vidro, plástico, papelão, latas, mesmo que sejam de marcas concorrentes”, conta Rodrigo Figueiredo, vice-presidente de Sustentabilidade e Suprimentos da Cervejaria Ambev.

Para a ação em Belo Horizonte, foram mobilizados 405 catadores e catadoras de material reciclável. Eles receberam uma renda fixa por dia de trabalho, além de remuneração extra pela quantidade e tipo de materiais recolhidos. Todo o lixo reciclável recolhido será encaminhado para uma das 45 centrais de coleta espalhadas pela cidade.

Roberto Laureano, presidente da Ancat, espera que este seja apenas o início de uma tradição com a qual a cidade só tem a ganhar: “Nosso trabalho com a Ambev começou há mais de dois anos e essa parceria é muito importante para um mundo mais sustentável e para o desenvolvimento social de milhares de famílias de catadores e catadoras. Vamos fazer história neste Carnaval e ajudar a termos uma festa ainda mais colaborativa, de preferência com outras empresas se juntando a nós nos próximos anos”.

Giovanna Fávero

Giovanna Fávero

Estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Escreve com foco na área de Guia e Cultura no BHAZ.

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