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Doria sobe o tom contra Bolsonaro ao classificar postura como ‘preocupante’: ‘Não são mortos de mentirinha’

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O clima esquentou na reunião realizada na manhã desta quarta-feira (25) entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e os governadores dos quatro Estados da região Sudeste do país. Além de sofrer fortes desaprovações dos gestores do Rio de Janeiro e Espírito Santo, Bolsonaro foi duramente criticado pelo mandatário de São Paulo, João Doria (PSDB).

“Decepcionante a postura do presidente Jair Bolsonaro na reunião que tivemos há pouco com Governadores do Sudeste para tratar sobre o combate ao coronavírus. Levamos as solicitações do Governo de SP e nosso posicionamento sobre a forma como a crise deve ser enfrentada”, publicou Doria pouco após o fim da reunião.

O gestor paulista travou um bate-boca com o presidente da República logo no início do encontro. “Na condição de cidadão, de brasileiro, e também de governador, inicio lamentando os termos do seu pronunciamento à nação. O senhor como presidente da República tem que dar o exemplo. Tem que ser mandatário para comandar, para dirigir, liderar o país e não para dividir”, disse o tucano.

Em tom de voz alterado, o presidente acusou o governador de usar “demagogia barata” para fins políticos. “Hoje, subiu a sua cabeça, subiu a sua cabeça, a possibilidade de ser presidente da República. Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o governo federal, que fez completamente diferente o que outros fizeram no passado. Vossa excelência não é exemplo para ninguém”, disse Bolsonaro.

O governador de São Paulo ainda ameaçou acionar a Justiça caso o governo federal confisque equipamentos e insumos destinados ao combate da pandemia e disse que os mortos não são de “mentirinha”.

“Presidente, no nosso Estado temos 40 mortos por COVID-19 dos 46 em todo o Brasil. São pessoas que tinham RG, CPF, e familiares que continuarão sentindo sua falta. Não são mortos de mentirinha, presidente. E essa não é apenas uma ‘gripezinha'”, escreveu no Twitter, após reunião.

Por sua vez, Bolsonaro se manifestou pela conta oficial com a publicação de uma foto com informações. “38 milhões de autônomos já foram atingidos. Se as empresas não produzirem não pagarão salários. Se a economia colapsar os servidores públicos também não receberão”, diz trecho do texto atribuído ao mandatário.

“Devemos abrir o comércio e tudo fazer para preservar a saúde dos idosos e portadores de comorbidades. Deus abençoe o Brasil e nos livre desse mal”, complementa.

Reunião

A reunião foi convocado após Bolsonaro fazer um discurso, na noite de ontem, desprezando o risco de contaminação da pandemia de coronavírus e convocar a população a voltar às ruas, o que contraria todas as recomendações e estudos da área de saúde de todo o mundo.

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Os governadores, até o momento, não indicaram que vão alterar a estratégia para conter no novo coronavírus. Ao contrário, fizeram publicações contestando o posicionamento de Bolsonaro.

Zema, por exemplo, fez uma publicação enaltecendo os profissionais de saúde e escreveu a hashtag FiqueEmCasa. “Meu aplauso hoje é para os profissionais da saúde, que atuam no combate à Covid-19. Nós agradecemos a dedicação! Eles estão trabalhando por você, se proteja, projeta seus familiares e os familiares deles #FiqueEmCasa“, disse, em trechos da publicação.

Aline Diniz

Aline Diniz

Editora do BHAZ desde janeiro de 2020. Jornalista diplomada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) há 10 anos e com experiência focada principalmente na editoria de Cidades, incluindo atuação nas coberturas das tragédias da Vale em Brumadinho e Mariana. Já teve passagens por assessorias de imprensa, rádio e portais.

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