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Bolsonaro compartilha vídeo falso sobre CeasaMinas e causa pânico; Polícia investiga origem

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O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), publicou um vídeo com informações falsas na manhã desta quarta-feira (1º) para alertar a população sobre uma inexistente falta de alimentos na CeasaMinas (Centrais de Abastecimento de Minas Gerais) que teria sido causada pelas medidas de isolamento para impedir o avanço no novo coronavírus. Após a repercussão negativa da informação incorreta, o presidente apagou a postagem e, agora, a Polícia Civil mineira investiga a origem e o autor do vídeo.

No entanto, a própria CeasaMinas, por meio de sua assessoria, nega que exista algum desabastecimento no local e afirma que as atividades comerciais têm ocorrido normalmente. Em nota (confira na íntegra abaixo), a Amis (Associação Mineira de Supermercados) também nega a falta de produtos nas prateleiras e pede que a população evite o estoque de alimentos.

A Seapa (Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais) também afirma que não há risco de desabastecimento no Estado. O subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Secretaria de Agricultura, João Ricardo Albanez, afirmou ao BHAZ que o vídeo com informações falsas causou preocupação no mercado.

“Esse tipo de vídeo é difícil de controlar porque, às vezes, a pessoa faz uma leitura errada de um momento que não condiz com a verdade e espalha essa informação, causando um grande mal-estar. Mas a população pode ficar tranquila, pois estamos monitorando o mercado e não há risco de desabastecimento. Há sim uma tensão, uma preocupação, pois é um momento difícil que estamos atravessando, mas tudo segue normalmente”, afirma o subsecretário.

Na filmagem compartilhada pelo presidente, um homem, que ainda não identificado, mostra a CeasaMinas vazia. Na filmagem, ele alerta para um desabastecimento no Estado.

“Quem não tem dinheiro, passa fome. Mas quem tem dinheiro e não tem o que comprar também passa fome. A culpa disso aqui – CeasaMinas vazia – é dos governadores, porque o presidente da República está brigando incessantemente para que haja uma paralisação responsável”, diz o homem ao alertar que a falta de alimentos levará ao caos em Minas.

O vídeo foi feito nessa terça-feira (31) e postado pelo presidente hoje. “Não é um desentendimento entre o presidente e alguns governadores e alguns prefeitos. São fatos e realidades que devem ser mostradas. Depois da destruição não interessa mostrar culpados”, escreveu Bolsonaro.

Imediatamente, a publicação provocou repercussão. Empresas e entidades que funcionam dentro da CeasaMinas, que abastece Belo Horizonte, região metropolitana e mais de 400 municípios, acionaram o Estado para esclarecer o fato.

“Estamos em contato com várias entidades que representam os produtores, as cooperativas, com os lojistas e a própria CeasaMinas. O que foi explicado é que existem momentos em que se realiza uma limpeza e higienização geral, que inclusive foi reforçada pelos órgãos sanitários em ações contra o coronavírus”, explica o subsecretário

“Neste momento, os produtos são retirados e o local que chamamos de ‘pedra’, onde há as atividades comerciais. Esse rapaz talvez tenha gravado esse vídeo em um desses momentos e tirado a situação do contexto”, complementa.

Ainda de acordo com João Ricardo, o homem que espalhou a filmagem deve esclarecer os fatos. “Reitero o pedido para que o autor desse vídeo reapareça e se retrate sobre o mal estar que provocou. Temos os produtores trabalhando seriamente ali para manter a sociedade abastecida. Ele deveria fazer uma manifestação contrária ao que apresentou e mostrar para a sociedade que se enganou”, diz.

Também na manhã desta quarta, frequentadores do CeasaMinas divulgaram imagens que desmentem a publicação do presidente. Em um dos vídeos é possível ver a movimentação típica do local.

Funcionamento alterado

Desde o dia 23 de março, a CeasaMinas restringiu o acesso ao público e adotou medidas de prevenção para evitar o contágio do novo coronavírus e garantir as atividade de abastecimento. Todas as atividades foram adequadas visando reduzir o fluxo de comerciantes, produtores rurais, carregadores e demais trabalhadores dentro da unidade.

Está proibida a entrada de menores de 14 anos e maiores de 60 anos no local. Está autorizada somente a entrada de produtores rurais; os consumidores e compradores dos entes ligados ao abastecimento; os movimentadores de mercadoria e carregadores; os motoristas de veículos utilitários e caminhões; os sócios e empregados das empresas concessionárias; bem como os empregados públicos da CeasaMinas.

“A CeasaMinas recomenda a organização de revezamentos das equipes de trabalho, de forma a reduzir o número de pessoas no entreposto, privilegiando escalas reduzidas e o trabalho remoto”, diz.

Nota da Amis

“Diante dos últimos reajustes de preços por parte de alguns fornecedores, a Associação Mineira de Supermercados (AMIS) está orientando os consumidores para continuarem a evitar compras de estocagem e a trocar marcas por opções mais baratas ou substituir itens por similares. O objetivo é evitar a pressão sobre os preços e auxiliar na negociação entre supermercados e indústrias.Em Carta Aberta aos Consumidores Mineiros distribuída na noite da última sexta-feira, 27 de março, a AMIS informa que vários produtos – principalmente laticínios em geral, ovos, feijão, óleo, arroz e alho – têm sofrido pressão de reajuste de preço por parte das indústrias fornecedoras nos últimos dias.A entidade esclarece ainda que as empresas supermercadistas estão solidárias e trabalhando diariamente no enfrentamento da pandemia do Covid-19 e que os supermercados estão abastecidos e em funcionamento dentro da normalidade.O desafio a mais agora tem sido enfrentar reajustes de preço por parte de seus fornecedores neste momento de reposição de estoques. Com a alta demanda geral registrada no início do enfrentamento da pandemia, os estoques, que garantiriam abastecimento durante um prazo muito maior, foram rapidamente consumidos, o que gerou a necessidade de novas compras junto aos fornecedores. O desequilíbrio entre oferta e procura pode gerar pressão sobre os preços.Os fornecedores alegam aumento de custos em seus insumos e dificuldades de logística, especialmente para produtos que vêm de regiões mais distantes.Como elo final da cadeia de abastecimento entre os produtores/fabricantes e os consumidores, os supermercados apenas repassam o custo dos produtos. As empresas supermercadistas garantem que não aumentaram suas margens no preço.A AMIS enviou ofícios ao PROCON-MG e ao Governo de Minas manifestando preocupação em relação à pressão dos fornecedores por aumento de preços. Ao mesmo tempo, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) está mantendo permanente contato com o Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), para tratar da situação”.

Nota CeasaMinas

“A CeasaMinas reafirma que o abastecimento está garantido A CeasaMinas esclarece que não há qualquer desabastecimento em seus entrepostos, em razão do coronavírus (Covid-19). A empresa reafirma que têm sido mantidas todas as atividades necessárias à comercialização das mercadorias nas suas seis unidades do estado (Contagem, Uberlândia, Juiz de Fora, Governador Valadares, Caratinga e Barbacena).

A CeasaMinas informa também que realiza levantamento diário das quantidades ofertadas, preços e procedências dos produtos, dentre outros dados que permitem orientar o público acerca da situação do mercado, em especial produtores rurais, atacadistas, varejistas e outros agentes do abastecimento.

Os dados estão disponíveis no site www.ceasaminas.com.br, no link Informações de Mercado.

Prevenção contra o coronavírus

Como medida de prevenção ao coronavírus (Covid-19), a CeasaMinas reforça ainda que as atividades em seus entrepostos foram adequadas no sentido de reduzir o fluxo de pessoas, sem afetar o abastecimento.

A empresa tem atuado em conjunto com representantes dos comerciantes, produtores rurais e de demais trabalhadores, para reduzir os riscos de contágio pela doença, através da divulgação das recomendações dos órgãos oficiais de saúde pública na esfera federal, estadual e municipal.

A CeasaMinas permanece à disposição para qualquer esclarecimento adicional que se fizer necessário”

Rafael D'Oliveira

Rafael D'Oliveira

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.

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