Kalil endurece restrições ao comércio de BH para enfrentar período de pico do coronavírus

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PBH aumentou rigor para evitar que clientes se aglomerem dentro das lojas (Amanda Dias/BHAZ)

A PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) endureceu, a partir desta terça-feira (7), as limitações de funcionamento de lojas na capital para conter a disseminação do coronavírus, cujo pico deve ocorrer nos próximos dias (leia mais aqui). Com o novo decreto que entra em vigor hoje, os estabelecimentos que estavam autorizados a funcionar com restrição de aglomerações, agora, não poderão permitir que os compradores acessem às lojas. “Só poderão atender da porta pra fora, sem clientes do lado de dentro”, resumiu o prefeito Alexandre Kalil em publicação no Twitter.

O decreto não vale para empresas que prestam serviços essenciais como supermercados, hipermercados, padarias, farmácias, sacolões, mercearias, hortifrutis, armazéns, açougues e postos de combustível. Esses estabelecimentos poderão receber clientes, mas ainda com restrições para aglomerações.

Além de não permitir o acesso de clientes, as lojas ficarão responsáveis por organizar filas no exterior do comércio para evitar aglomerações. As pessoas deverão estar a, no mínimo, um metro de distância das outras. Essa medida também vale para bancos e agências lotéricas, onde têm sido comum cenas de aglomerações na parte externa dos estabelecimentos.

Sem exceção

As lojas especializadas em venda de chocolate, que possivelmente terão um aumento de demanda por conta da Páscoa, também precisarão respeitar a nova determinação da PBH: atender os clientes apenas da porta para fora.

Sem previsão

Kalil disse ontem que não tem previsão de quando o comércio voltará às atividades normais e criticou quem tem descumprido as medidas de isolamento. “Esta cidade está sendo comandada por três infectologistas. Eles é que decretarão a liberação. O prefeito é orientado a tomar decisões e tem coragem. Infelizmente não sou vidente, tenho que escutar. Na minha idade não estou disposto a carregar mortes nas costas por desobediência”.

Ainda com relação à reabertura de comércios, Kalil disse que o mundo todo vai ter que se readequar após o fim da pandemia. “Estão achando que todo mundo vai pra rua entupir loja e que todo mundo está com dinheiro. Isso [reabertura] tem que ser feito com cuidado. Não adianta abrir nada no peito. Acham que vai abrir na sapataria na terça e vender mil pares de sapatos. O mundo vai ter que se readequar vagarosamente”, ressaltou o prefeito.

BH Parada

Desde o dia 20 de março, quando o Decreto 17.304/2020 passou a valer, estabelecimentos não essenciais foram proibidos de funcionar em BH ou tiveram de adotar medidas de restrição e controle para conter o avanço da Covid-19 na cidade. Desde então, a cidade tem adotado medidas de isolamento e distanciamento social.

O texto assinado pelo prefeito proibiu a abertura de casas de shows e espetáculos; boates e danceterias, casas de festas e eventos; shoppings centers, centros de comércio e galerias de lojas; cinemas e teatros; bares, restaurantes e lanchonetes.

O movimento pelas ruas da cidade diminuiu, no entanto, pessoas começaram a se aglomerar em pontos turísticos como a orla da Pampulha e praças da capital durante o fim de semana. Com isso, a PBH tomou medidas mais duras, como adiantou o prefeito na última semana.

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Enquanto durar a Situação de Emergência decretada na cidade, o uso de praças e outros locais públicos para prática de atividades de esporte e lazer coletivas ou individuais que possam gerar aglomeração de pessoas estão suspensos.

As praças da Liberdade e JK foram fechadas no último fim de semana e Kalil disse que estuda medidas de contenção na Lagoa da Pampulha e em outros equipamentos públicos. “A partir de sexta-feira (10), dia do feriado, vamos fechar a Praça da Assembleia e vamos estudar medidas restritivas na Lagoa da Pampulha. Pessoal ainda não entendeu que não estamos de férias. Onde houver aglomeração vamos tentar evitar”.

Aprovação

Segundo estudo recente realizado pela CDL-BH (Câmara de Dirigentes Lojistas), apenas 1% dos moradores da capital é favorável à interrupção das medidas de quarentena e volta do comércio.

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As medidas de Kalil têm uma avaliação positiva de 69% entre os moradores de BH, enquanto 22% as consideram regular, 7% as reprovam, e outros 2% não souberam responder.

O estudo ouviu 600 pessoas com idades entre 16 e 80 anos, entre os dias 28 e 31 de março. A margem de erro da pesquisa é de 4,2 pontos percentuais e a confiança é de 95%.

Rafael D'Oliveira
Rafael D'Oliveirarafael.doliveira@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.