Home NotíciasBHApós obrigatoriedade, belo-horizontinos aderem ao uso de máscaras e se preocupam com ‘desprotegidos’

Após obrigatoriedade, belo-horizontinos aderem ao uso de máscaras e se preocupam com ‘desprotegidos’

O novo decreto do prefeito Alexandre Kalil (PSD), que proíbe a circulação nas ruas sem a utilização de máscaras, entre outras determinações, passou a valer nesta quarta-feira (22) e, mesmo com boa parte da população parecendo entender a importância das medidas, alguns moradores ainda se preocupam com algumas atitudes de outras pessoas.

As novas regras para conter o avanço do novo coronavírus em BH são válidas a partir de hoje por tempo indeterminado e exigem que os cidadãos utilizem máscaras que cubram o nariz e a boca em “todos os espaços públicos, equipamentos de transporte público coletivo e estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços no município”. A determinação foi seguida por boa parte das pessoas que estiveram na região Centro-Sul, conforme contou Brigitte Bacha ao BHAZ.

Leia mais: Caixa credita saque emergencial do FGTS para nascidos em março

Brigitte é professora e dona de uma escola de dança na Savassi e contou que o cenário que viu nesta quarta ao sair para fazer compras foi positivo: “Dentro dos estabelecimentos, a maioria das pessoas está usando máscara, as atendentes de caixa nos supermercados usam protetores faciais”. Ela está usando os dispositivos de proteção individual sempre que precisa sair de casa há quase um mês e acredita que as determinações já deveriam ter sido adotadas antes.

A partir de hoje, uso de máscaras é obrigatório (Amanda Dias/BHAZ)

Lucas Rocha é estudante de Engenharia e narrou ao BHAZ uma situação parecida com a de Brigitte. “Precisei sair para buscar exames de alguns familiares na região do Centro e, onde eu fui, a maioria das pessoas estava usando máscara”. Ele também acha que as medidas são uma forma de evitar a disseminação do vírus na cidade.

Leia mais: ‘Achei que o vírus fosse fake’, admite jovem antes de morrer por Covid-19

Supermercados

Apesar dos bons exemplos dados por quem não esquece da proteção ao sair de casa, alguns locais têm gerado mais preocupação, como é o caso dos supermercados. São os pontos mais frequentados no período de isolamento e, consequentemente, onde é mais difícil garantir que todas as precauções estão sendo tomadas.

Brigitte conta que, de ontem para hoje, já percebeu uma diminuição no número de pessoas permitidas dentro dos estabelecimentos, mas que se preocupa com atitudes individuais: “O problema do supermercado é que tem gente que obedece e tem gente que não obedece. Hoje mesmo eu vi uma funcionária sentada na rua na porta do supermercado, com a máscara o pescoço e fumando. O que adianta usar dentro do supermercado e do lado de fora ficar de qualquer jeito?”, questiona.

Estabelecimentos devem exigir uso de máscaras e limitar consumidores (Amanda Dias/BHAZ)

Ela também contou que observou algumas outras situações de deslizes preocupantes, como crianças sem nenhum tipo de proteção e algumas pessoas que não pareciam se preocupar com os riscos de contaminação no local.

Já na região da Pampulha, Lucas conta que viu algumas lojas adotando as medidas, que já vigoravam de forma mais branda desde os primeiros dias de isolamento social em BH. “Na Abílio Machado, não tinha muita gente, estava vazio e as lojas que estavam abertas tinham limites, com alguns lugares que não podiam ser ultrapassados, tudo delimitado”, conta.

De acordo com o decreto emitido pela prefeitura, que restringe ainda mais algumas determinações que já eram previstas nos documentos antigos, o comércio essencial na capital deverá exigir dos clientes o uso de máscaras. Os estabelecimentos deverão afixar cartazes orientando o público sobre os cuidados com o adereço e a quantidade de pessoas permitidas dentro do local ao mesmo tempo: a partir de hoje também só deve ser permitida uma pessoa pessoa a cada 13 m² dentro dos estabelecimentos e, no caso dos comércios, apenas um adulto por carrinho de compras.

Infrações

Ainda nesta quarta (22), nem todos os moradores usavam proteção nas ruas (Amanda Dias/BHAZ)

Segundo os dois moradores ouvidos pelo BHAZ, apesar do novo decreto, o padrão continua o mesmo: as pessoas aumentam a preocupação quando entram em algum estabelecimento e não prestam tanta atenção ao circular pela cidade. “Nas ruas realmente ainda tem muita gente que não usa máscara. Acho que, porque estão na rua, pensam que não precisa usar”, afirma Brigitte.

Sobre o uso das máscaras nos locais públicos, ela ainda percebeu um outro detalhe interessante se comparado aos números de vítimas que o coronavírus já fez em Minas: “Normalmente mais mulheres usam do que homem, eu vejo muito homem sem usar”.

Até esta quarta-feira (22), a SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais) registrou 47 mortes por Covid-19, sendo a maioria das vítimas – 28 – do sexo masculino.

Procurada pelo BHAZ, a Guarda Municipal de Belo Horizonte informou que ainda não tem um número fechado de descumprimentos do decreto no primeiro dia, já que o balanço oficial deve sair amanhã.

Giovanna Fávero

Giovanna Fávero

Estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Escreve com foco na área de Guia e Cultura no BHAZ.

Comentários