Tristeza: Famílias abrem caixões lacrados em Manaus para conferir se cadáver é do parente

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Falsas notícias de que caixões vazios estão sendo enterrados podem incentivar a ação (Prefeitura de Manaus/Reprodução)

A cidade de Manaus tem enfrentado uma das piores situações na pandemia do novo coronavírus no Brasil. Na capital do Amazonas, o sistema de saúde público já está em colapso, assim como o sistema funerário. A reportagem do Yahoo Notícias flagrou famílias descumprindo orientações e abrindo caixões lacrados para conferir o cadáver.

No último informe funerário, a prefeitura revelou que foram mais de 120 sepultamentos nos cemitérios públicos, somente na última terça-feira (28). Com o grande número de sepultamentos que tem acontecido na cidade, surgiram boatos de que os corpos estariam sendo trocados no momento do enterro.

A deputada federal Carla Zambelli chegou a espalhar a falsa informação de que caixões vazios estariam sendo enterrados. No entanto, a informação já foi desmentida pela prefeitura. Ainda assim, um vídeo com a mentira continua sendo compartilhado milhares de vezes pelo YouTube.

Ao acompanhar um enterro na cidade, o Yahoo viu que algumas famílias abriram o caixão para verificar se o corpo era do parente. A atitude vai contra as orientações das autoridades. As urnas devem ser, inclusive, lacradas para evitar a disseminação do novo coronavírus.

As famílias afirmam que a situação é muito triste, porém, querem ter a garantia de que o parente é quem está sendo enterrado. “Não é uma imagem bonita e o cheiro que você sente é horrível, mas o que vamos fazer, o pessoal quer abrir pra conferir”, explicou um dos funcionários do cemitério ao Yahoo.

O colapso em Manaus

A situação funerária da cidade tem chamado a atenção desde o início da pandemia. Com mais de 100 enterros diários, Manaus tem realizado enterros noturnos e há conflitos com familiares das vítimas com relação à organização dos sepultamentos.

Atualmente, o enterro é feito com os caixões enfileirados na horizontal, já que as famílias se revoltaram quando o sepultamento era realizado com empilhamento de caixões.

Outra dificuldade tem sido com os próprios caixões. Com o repentino aumento na demanda, o artigo está perto de acabar no município. A Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário denunciou, por meio de nota, que o governo Bolsonaro se negou a dar apoio logístico para que empresas do setor fizessem uma entrega emergencial de caixões na cidade.

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As cenas dos enterros em massa e alguns episódios como a abertura dos caixões pelas famílias já fizeram com que a situação da cidade se tornasse notícia internacional.

A Agência de Imprensa da França divulgou um vídeo sobre o caos de Manaus, em contraste com as atitudes de Bolsonaro, que minimiza a pandemia e se mostra insensível ao crescente número de mortes por Covid-19 no país.

Guilherme Gurgel
Guilherme Gurgelguilherme.gurgel@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.