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Minas chega a 100 mil notificações de Covid-19 com só 10% dos casos testados

Por Cristiano Martins e Igor Passarini, do Coronavirus-MG.com.br*

Minas Gerais ultrapassou nesta terça-feira (5) a marca das 100 mil notificações de Covid-19. A enorme maioria, porém, segue classificada como “caso suspeito”. Com apenas 10,4% de diagnósticos realizados até o momento, o estado opera muito abaixo da capacidade prometida ainda para o início de abril e tem os piores índices de testagem do país, segundo um levantamento realizado pelo Coronavirus-MG.com.br.

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De acordo com os últimos números oficiais, Minas registra 100.038 notificações de possíveis contágios pelo novo Coronavírus. Destas, 2.452 estão confirmadas (incluindo 94 mortes), 7.984 foram descartadas e 89.602 aguardam análise.

No dia 31 de março, o governador Romeu Zema havia anunciado em entrevista ao MG1 (TV Globo Minas) que a capacidade estava sendo dobrada, naquele momento, de 200 para 400 testes por dia. E que, já a partir de 3 de abril, esse volume alcançaria os 1.800 diagnósticos diários graças a uma parceria entre a Funed (Fundação Ezequiel Dias) e outros 19 laboratórios particulares e universitários habilitados para o serviço.

A média, no entanto, tem sido de aproximadamente 130 resultados divulgados a cada dia desde então, segundo dados disponíveis nos boletins epidemiológicos e outros canais oficiais de comunicação oficiais do estado.

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Os números também chamam atenção quando colocados sob perspectiva em relação aos demais estados. O Coronavirus-MG.com.br consultou os boletins epidemiológicos de todas as Secretarias de Saúde que divulgam o número de testes, segundo o Índice de Transparência da Open Knowledge Brasil. Os últimos dados comparáveis, referentes ao dia 4 de maio, colocam Minas em último lugar tanto na média de testes aplicados a cada 100 mil habitantes (47,8) quanto na proporção de casos testados sobre o total de notificações (10,2%).

‘Sob controle’

O governo tem reafirmado que a situação está controlada em Minas Gerais. Ontem, o secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, chegou a comparar os números do estado aos da Coreia do Sul, exemplo mundial na contenção da pandemia. O país asiático registra 254 mortes, 10.804 casos confirmados e 640.237 testes aplicados (1.249 a cada 100 mil habitantes).

“Temos um padrão de comportamento e de eficiência semelhante ao da Coreia. Não me parece que estamos mal na condução da Covid-19 em Minas Gerais”, declarou o secretário, ao informar que o número máximo de mortes em Minas não chegaria aos 200, ainda que somados os 90 óbitos confirmados e os 86 em investigação até aquele momento.

“Mesmo não realizando exames em 100% dos casos notificados, a SES possui mecanismos de controle capazes de avaliar o real cenário da doença. Cada pessoa notificada por síndrome gripal, mesmo sem diagnóstico laboratorial, permite aos técnicos inferir no que está acontecendo. É plausível inferir que, dentro do universo de casos notificados, o número de positivos seja semelhante”, argumentou Amaral.

Recentemente, em 23 de abril, durante o anúncio do programa Minas Consciente, o governador havia reafirmado a capacidade de 1.800 diagnósticos diários, mas dito que a estratégia do estado não seria a testagem em massa, mencionando o “momento de dificuldade financeira e o fato de os testes não estarem facilmente disponíveis”.

No dia 2 de maio, o estado recebeu uma carga de aproximadamente 1,5 milhões de testes rápidos comprados da China para serem distribuídos em órgãos públicos e prefeituras do interior. O Coronavirus-MG.com.br pediu mais detalhes e alguns esclarecimentos sobre o tema à Secretaria de Estado de Saúde, mas ainda aguarda retorno.

Para o infectologista Luiz Wellington Pinto, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (CMMG), o número de testes realizados deveria ser maior. “O ideal é que se pudesse testar mais pessoas, até para ter uma noção melhor de quantos já tiveram contato e desenvolveram alguma imunidade. Ainda mais, considerando a importância de Minas Gerais e a reabertura econômica que estão querendo fazer”, declarou.

“É necessário ter cuidado com o número. Por um lado, valoriza-se demais esse número, perguntando ‘será que é só isso mesmo?’. Por outro, não dá para ficar inerte. Está sendo pouco testado, e o ideal seria fazer uma testagem maior”, conclui o especialista.

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