Com 100 mil casos suspeitos, Minas descarta fazer testagem em massa para não acabar com testes

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Secretário diz que ainda não é o momento de aplicar testes em massa (Pedro Gontijo/Imprensa MG + Banco de imagens/Shutterstock)

O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo, disse nesta segunda-feira (11) que os testes de Covid-19 ainda não serão amplamente realizados na população do Estado neste momento. Carlos afirmou, em entrevista coletiva na Cidade Administrativa, que a estratégia visa não esgotar a quantidade de testes em Minas.

Minas Gerais tem, até o momento, 3,3 mil casos confirmados do novo coronavírus. São 121 mortes confirmadas e 132 em investigação. O número alarmante é que o Estado tem ainda 100,4 mil casos suspeitos.

Segundo o site Coronavírus-MG, que acompanha os dados sobre a doença em Minas, o Estado está entre os piores do Brasil na testagem da população. De acordo com levantamento do portal, das 100 mil notificações de Covid-19 em terras mineiras, só 10% foram testadas.

Segundo o secretário, ainda não é o momento de iniciar a testagem em massa da população. “O momento pela escolha dos testes em massa tem que ser muito precisa. Essa é a discussão que deveria ser tratada no Estado: ‘Qual o momento adequado para começar uma testagem maior da sociedade’”, questionou.

“Entendemos que devemos aguardar um pouco mais, pois em algum momento esses testes vão acabar. É importante entendermos isso e consolidar esse conhecimento. Nossa ideia é fazer testes na população, mas esse momento ainda vai chegar e não é no dia de hoje”, complementou Carlos.  

Percentual

De acordo com o secretário, os testes já realizados em Minas indicam 4,5% do total tem como resultado positivo e que, caso esse número fosse ampliado para o número de casos suspeitos, o resultado cotinuaria sendo algo em torno dessa porcentagem.

Ainda de acordo com o secretário, o Estado tem acompanhado a evolução da epidemia e entende que a situação ainda está controlada. “Minas ainda tem epidemia relativamente controlada, assim como a sobrecarga do sistema de saúde”, disse.

“Temos que lembrar que o mundo inteiro está procurando esses testes, até o Ministério da Saúde está com problemas para conseguir esses testes e Estados com maiores problemas estão tento um priorização”, acrescentou.

Conscientização

O secretário ressaltou ainda que o isolamento e o distanciamento social ainda são as melhores alternativas para conter o avanço da doença. “Nesta segunda-feira, pós Dia das Mães, notamos um aumento importante da movimentação nas cidades. É fundamental que os mineiros entendam que nós temos que manter o isolamento e o distanciamento, não podemos relaxar como um tudo”, disse.

“O que temos hoje de melhor, e que tem conseguido evitar a sobrecarga, é o isolamento. Sei que isso gera um estresse e muita dificuldade, mas é de longe a melhor medida de evitar uma sobrecarga na Saúde”.

Além disso, o secretário afirmou também que o aumento da movimentação em todo o Estado nos últimos dias, antecipou a previsão do pico da doença em Minas.

“A previsão do pico passou para o dia 8 de junho, dois dias ao que era o anterior – previsto para o dia 10 de junho”, afirmou. “Claro que isso não é uma coisa fixa, nós vamos acompanhando a situação conforme o número de casos e internações”, explicou.

Rafael D'Oliveira
Rafael D'Oliveirarafael.doliveira@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.