Estudo da UFMG mostra principais locais de risco para a transmissão de Covid-19

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Transporte público e hospitais encabeçam a lista dos locais de maior risco (Amanda Dias/BHAZ)

Da Faculdade de Medicina da UFMG

Ficar em casa é a principal medida para reduzir a velocidade de transmissão do novo coronavírus.  Mas fora desse ambiente, diferentes espaços representam maior ou menor risco de contágio para a covid-19. Os hospitais, por exemplo, apresentam mais chances de transmissão que os transportes públicos, bancos e lotéricas. Já os elevadores, academias e feiras livres representam mais riscos quando comparados aos supermercados.

De acordo com o infectologista e professor do Departamento Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Matheus Westin, para a classificação desses riscos são levados em conta o nível de aglomeração no ambiente, o grau de interação direta e indireta entre as pessoas e a chance de haver pessoas com a infecção pelo novo coronavírus no local.

Faculdade de Medicina da UFMG/Reprodução

Locais em BH

Outro estudo feito por equipes de virologistas da UFMG na primeira semana de maio, realizou testes em pontos estratégicos de Belo Horizonte para detectar a presença do novo coronavírus em locais públicos. Das 101 amostras coletadas com o uso de um swab (espécie de cotonete que foi passado de maneira vigorosa nas superfícies), foi detectada a presença do novo coronavírus em 17 amostras de pontos de ônibus, sobretudo da região hospitalar, no passeio da entrada de um hospital, próximo à área de pronto atendimento, em corrimões das linhas do Move nas avenidas Paraná e Santos Dumont, em uma mesa da Praça Duque de Caxias e nos bancos das praças da Savassi.

A Universidade alertou a Prefeitura de Belo Horizonte para que ela procedesse à desinfecção dos locais, que ocorreu com o uso de sabão em pó e hipoclorito de sódio 1%.

O que fazer?

Por isso, para quem não pode ficar em casa e precisa circular por essas áreas de maior risco, as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) são:

  • Usar máscara de proteção facial;
  •  Tentar manter pelo menos 1 metro de distância dos outros;
  •  Evitar tocar olhos, nariz e a boca com as mãos sem lavá-las;
  • Higienizar as mãos com álcool em gel frequentemente;
  • Limpas e desinfetar objetos e superfícies que as pessoas tocam com muita frequência.

Para compras em supermercados, a OMS também recomenda higienizar as alças dos carrinhos de compras ou cestas antes. Lave bem as mãos após chegar em casa e depois de manusear e armazenar os produtos adquiridos.

Em hospitais

Os profissionais que atuam na linha de frente contra o novo coronavírus são os mais vulneráveis ao contágio da doença. Esse é um dado inquestionável, de acordo com o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Matheus Westin. Isso porque o hospital é um ambiente em que as pessoas suspeitas e com eventual confirmação de covid-19 são assistidas.

“O grande instrumento de proteção para trabalhadores de saúde é que seja disponibilizado o EPI (Equipamento de Proteção Individual) de qualidade, em número suficiente para que sejam feitas as trocas conforme as recomendações técnicas”, avalia Westin.

Cuidados além da linha frente

Mas os profissionais de saúde e colaboradores que atuam em hospitais, mesmo que não tenham contato com pacientes com suspeita de covid-19, também precisam tomar cuidado. “Como estão indo e vindo para trabalhar e circular por instituições de saúde, eles têm maior risco que a população em geral, mas menor que os profissionais que assistem diretamente os casos de covid-19”, explica Westin.

Mesmo não atendendo casos de covid-19, o enfermeiro intensivista Wellington Carvalho, que atua na cidade de São Gonçalo do Sapucaí, região Sul de Minas Gerais, tenta se prevenir ao máximo. “Tenho que trabalhar todos os dias, não posso ficar de quarentena. Mas quando estou de folga não saio de casa, nem frequento lugares com aglomerações”, relata. No hospital e Centro de Atenção Psicossocial (Caps) onde trabalha, Wellington conta que usa máscara e jaleco e realiza constantemente a higienização as mãos.

Pacientes crônicos

O medo de ir a hospitais e clínicas tem afastado muitos pacientes crônicos de seus tratamentos. Mas o professor Matheus Westin ressalta que essas pessoas não devem parar com o tratamento neste momento. Segundo o professor, essas pessoas devem seguir as orientações, como o isolamento social, bem como buscar o atendimento em saúde quando for necessário.

“Pessoas que portam doenças crônicas, podem ter complicações dessa própria doença crônica. Nesse sentido, sempre que a pessoa sentir um desconforto, uma alteração na sua saúde, que não necessariamente seja suspeita de coronavírus, ela deve sim procurar uma unidade de saúde para ser avaliada”, orienta.