Zema diverge do secretário da Saúde mais uma vez e diz que Minas tem testes de sobra por falta de procura

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Governador tem dado informações divergentes da pasta da Saúde (Gil Leonardi / Imprensa MG + Banco de Imagens: Shutterstock)

O governador Romeu Zema (Novo) voltou a discordar do que diz o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, em relação à reabertura da economia em Minas durante o período de enfrentamento à Covid-19 e também sobre a realização de testes da doença.

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Em relação aos testes, Carlos Eduardo tem dito que ainda não é o momento de testar a população mineira em massa, pois há pouca disponibilidade de materiais para realização dos exames e, gastá-los agora, poderia causar defasagem no momento de pico da doença. Já Zema disse em coletiva na Cidade Administrativa, nesta sexta (15), que há uma grande quantidade de testes que não estão sendo usados pela baixa procura.

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“Nós temos uma capacidade ociosa de testes que não estão sendo realizados, pois não está havendo procura. Qualquer pessoa que vai ao hospital, é examinado e se apresentar sintomas é enviado o teste. Quero lembrar que, dos testes enviados, somente 7% tem acusado positivo. Pode parecer irônico, mas o número de testes não está sendo elevado, pois não temos tantos casos suspeitos para serem testados”, disse o governador diante dos mais de 100 mil casos suspeitos da doença em Minas.

Outro desencontro de Zema e Carlos Eduardo é em relação ao protocolo do Minas Consciente, programa de reabertura econômica no Estado. O secretário de Saúde disse que o plano não será alterado para incluir a abertura de salões de beleza, academias e barbearias, conforme decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Zema, por sua vez, disse que o protocolo pode ser alterado levando em consideração cada cidade e regiões do Estado. O governador afirmou que o plano está passando por um “aperfeiçoamento” e pode contar com mudanças.

“A secretaria ainda está elaborando o aperfeiçoamento desses protocolos, porque nós temos situações como a de Juiz de fora, que está com números elevados, mas que na macrorregião existem cidades com zero infectados e óbitos. Nós vamos dar o mesmo tratamento para essas duas cidades? Então é algo que ainda é passível de desenvolvimento. Do meu ponto de vista, não sou especialista em epidemias, se uma cidade está sem nenhum caso, aparentemente ela está segura, não haveria a necessidade do isolamento, mas sim tomando medidas”, disse Zema.

A afirmação do governador contraria o que disse o secretário em coletiva nessa quinta-feira (14). “Não é um plano de flexibilização, é importante ressaltar isso. Trata-se de diretrizes seguras para que seja respeitado o isolamento e as medidas de segurança e saúde”, afirmou o secretário.

‘Sou leigo’

Ao ser questionado se os prefeitos, a sociedade e os empresários devem segui-lo ou respeitar o plano feito por especialistas do governo, Zema disse ser leigo em relação à Saúde.

“Com relação a academias e salões de beleza etc, sei que estão no protocolo, não sei em qual onda, mas pelo que me recordo são atividade de certo risco. Já me falaram que se tiver uma higienização muito boa, ocorre. Tudo se tiver higienização muito boa, vai ficar 100%, o problema é essa higienização acontecer todas às vezes. São locais com aglomeração maior, eu sei que alguns estados estão inovando na questão de agendar esses serviços, só vai uma pessoa de cada vez. Mas vou deixar isso para os técnicos que são especialistas decidirem, e não eu que, no caso, sou leigo no caso de Saúde”, disse.

Por fim, o governador voltou a afirmar que o programa Minas Consciente pode ser flexibilizado. “O Plano prevê avanços e recuos de acordo com os índices – mortes, casos e leitos disponíveis -, e nós não vamos facilitar, não vamos dar vez para a sorte. Então se os índices acusarem, talvez a construção do protocolo possa a ser aperfeiçoada”, ressalta.

Rafael D'Oliveira
Rafael D'Oliveirarafael.doliveira@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.