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Cartazes em BH com mulher de pernas abertas ironizando combate à Covid-19 causam revolta

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Cartazes com teor machista em dois hotéis, no Centro de Belo Horizonte, geraram uma onda de críticas de mulheres e apoiadores da causa feminista, na última semana. Ao BHAZ, a Aspromig (Associação de Prostitutas de Minas Gerais) repudiou os cartazes, classificados como “machistas”, e pediu respeito às profissionais do sexo. Os locais foram procurados para falar sobre o assunto, mas não atenderam aos nossos telefonemas. Em uma operação da Guarda Municipal, nessa sexta-feira (15), o Hotel 248 foi interditado.

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O primeiro cartaz foi colocado em frente ao Hotel 114, na rua São Paulo, conhecido ponto de prostituição na cidade. Na imagem, é possível ver o desenho de uma mulher de pernas abertas, com os dizeres: “Higienize-se aqui”. Na parte da vagina, foi colocado um dispositivo que espirra álcool em gel por meio de um pedal. Além disso, uma frase embaixo orienta as pessoas a usar máscara que cubra a boca e o nariz.

Cartaz colocado em frente a hotel (Reprodução/WhatsApp)

Em outra imagem, com a ideia semelhante ao primeiro, é possível ver duas mãos juntas, fazendo alusão a uma vagina. Essa imagem foi tirada no Hotel 248, na rua Curitiba, com um design também similar ao primeiro.

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Operação foi realizada (Subsecretaria de Fiscalização/Divulgação)

‘Imagens apelativas e sem respeito às mulheres’

Cida Vieira, presidente das Aspromig, disse que a associação repudia os cartazes veementemente. “É um ato de machismo, um olhar machista, preconceituoso, que diz que a mulher é submissa. Imagens apelativas e sem respeito às mulheres. Nós somos trabalhadoras autônomas e temos direitos. A proposta do álcool em gel, pelo Ministério da Saúde, não é para ser feito dessa forma”, começa.

“Por que precisa ser um desenho de uma mulher com as pernas abertas? Ou aqueles duas mãos? Isso não condiz com o nosso pensamento, das trabalhadoras. As fotos sensuais podem ter, mas de maneira respeitosa, e não dessa maneira que foi feito. Repudiamos esse tipo de imagem”, continua a presidente da associação.

Para Cida, deveria ser algo para conscientização. “Existem formas melhores de trabalhar a prevenção ao novo coronavírus. É preciso respeito. A campanha pode ser feita com cartazes informativos, explicando tudo, e não com essa foto. Somos autônomas, não submissas, somos a nossa própria história contada por nós”, completa.

Mulheres repudiam

Em grupos do Facebook, a primeira foto viralizou, e as mulheres reforçam o pedido de respeito. “Não tenho mais paciência pra lidar com essas pessoas, corpo da mulher não é objeto!”, disse uma mulher em um grupo fechado. “Foi-se a época que isso era brincadeira, hoje é desrespeito e pronto”, ponderou outra.

Algumas pessoas tentaram justificar o fato por ser um local de prostituição, mas logo foram respondidas. “E daí se for motel ou puteito. É desrespeitoso, não é época para esse tipo de ‘brincadeira'”, escreveu um internauta. “Eu rasgava e cortava essa mer** inteira se eu visse. É apologia a cultura do estupro e objetificação da mulher, meu Deus”, complementou outra pessoa.

Operação da Guarda Municipal

Uma ação conjunta entre a Guarda Municipal e a Subsecretaria de Fiscalização da Secretaria Municipal de Política Urbana flagrou o funcionamento ilegal de um hotel no Centro da capital.

Depois de receber uma denúncia, os guardas municipais e os fiscais verificaram que havia aglomeração de pessoas no interior do hotel, o que está proibido por decreto municipal. O estabelecimento foi interditado pela Subsecretaria de Fiscalização.

Operação fechou Hotel 248 (Subsecretaria de Fiscalização/Divulgação)

Segundo o órgão, a interdição se deu devido aos seguintes fatores: atividade não licenciável; descumprimento do decreto municipal que não permite aglomeração de pessoas; e risco às mulheres e frequentadores do hotel, por se tratar de local fechado.

Vitor Fernandes

Vitor Fernandes

Repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva da UOL.

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