Médica denuncia precariedade em hospital de campanha do Rio: ‘CTI de fachada’

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Mulher desistiu de trabalhar no local depois do primeiro plantão (Reprodução/TV Globo)

Uma médica do Rio de Janeiro pediu demissão do Hospital de Campanha do Maracanã por causa da falta de infraestrutura para os profissionais de saúde no local. Depois do primeiro plantão, a anestesista Priscila Eisembert, denunciou a falta de medicamentos e exames no hospital. As informações são do G1.

“Tem muito profissional querendo trabalhar, mas infelizmente não dá pra ter estômago pra ver essa atrocidade”, disse a anestesista. Priscila reforçou ainda que a unidade, que ganhou uma nova ala nesta sexta-feira (22), não tem as condições mínimas para trabalho no CTI: “O médico, infelizmente, não faz milagre. Aquilo é um CTI de fachada”.

A médica conta que, durante o primeiro plantão, ela começou a analisar os casos que apareciam e, à medida que atendia os pacientes, percebia que faltavam remédios. “Eu tive problemas com todos os pacientes. Um dos casos foi um paciente que recebi por Covid-19 com arritmia cardíaca importante, com a frequência cardíaca de 160, e eu precisava baixar a frequência e não tinha medicação”, lembra.

Mortes

Priscila também contou que faltavam medicamentos fundamentais, como os sedativos, essenciais para quem precisa da ventilação mecânica para respirar. “Se [o paciente] não estiver sedado, além de ele brigar com o ventilador, a gente não consegue botar os parâmetros ideais. E em termos emocionais também é muito ruim porque o paciente acaba tendo consciência”, explica.

Ela conta também que, apenas no primeiro plantão, viu duas pessoas jovens morrerem e atribui as perdas à falta de infraestrutura adequada: em um dos casos, não havia o medicamento correto e no outro, a paciente não passou pelos exames necessários.

A médica é funcionária do SUS (Sistema Único de Saúde) há 10 anos e conta que está acostumada a lidar com estruturas precárias, mas não estava preparada para o que encontrou no hospital de campanha.

O que dizem os órgãos competentes?

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro disse ao G1 que constatou a falta de medicamentos e que vai cobrar a Organização Social Iabas, responsável pela gestão do hospital. A Iabas afirmou que não há falta de remédios.