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Ônibus lotados expõem trabalhadores em meio à pandemia de Covid-19 na Grande BH: ‘Calamidade’

Ônibus estão circulando lotados mesmo com a pandemia

Diante da pandemia do novo coronavírus algumas empresas possibilitam que os colaboradores trabalhem de casa. No entanto, alguns ainda precisam se deslocar ao local de trabalho e muitos deles recorrem ao transporte coletivo para fazer o trajeto.

Com a redução do movimento de pessoas nas ruas, as empresas de ônibus reduziram o quadro de horários e isso tem provocado lotações nos coletivos, numa época onde se deve evitar aglomerações (veja abaixo).

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Camila Rodrigues é vendedora e utiliza o transporte coletivo há 14 anos. Em entrevista ao BHAZ, ela conta que a situação está “desesperadora” para os usuários da linha 2290 (Nacional/Belo Horizonte), em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

“O ônibus demora na base de uns 40 minutos para passar e vem lotado. A gente só vai dependurado na porta. Nestes anos todos que preciso do ônibus, nunca vi nada igual. A situação é de calamidade”.

A linha utilizada por ela é gerenciada pelo DER-MG (Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais) que alega que somente os ônibus articulados estão autorizados a circularem com passageiros em pé (veja abaixo).

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Passageiros ficam aglomerados em ônibus lotado (Arquivo pessoal/José Tavares)

Medo constante

Quem também precisa do ônibus para chegar ao trabalho é José Tavares Júnior. O usuário da mesma linha diz conviver com o medo de ser contaminado pelo novo coronavírus, já que o coletivo sempre está cheio.

“Neste tempo, que se fala para evitar aglomerações, nós vivemos com medo de sermos contaminados pelo novo coronavírus dentro dos ônibus. Eles estão passando com horários reduzidos e sempre muito cheios”.

A linha utilizada por José atende diversas regiões, conforme conta, por isso sempre está com muitos passageiros. “O ônibus atende vários bairros e mesmo agora com algumas pessoas trabalhando de casa continua cheio, já que reduziram a frota”, destaca.

‘Até briga’

Com menos ônibus circulando, tem se tornado comum os pontos ficarem cheios. Quando o coletivo passa tem até briga para entrar, como lembra Camila. “No horário de pico a gente tem ficado muito tempo esperando, algo que não acontecia antes da pandemia. Nesta semana, enquanto voltava do trabalho, teve até briga do pessoal para entrar”.

A situação tem deixado os motoristas, que também recebem as passagens, ainda mais exaustos. “O motorista cobrou o aumento na frota do ônibus por que as viagens que antes iam mais vazias estão bastante cheias”, conta.

Perigo

O médico infectologista Carlos Starling explica que ônibus lotados não são indicados neste momento da pandemia da Covid-19. “Qualquer aglomeração, seja no transporte coletivo ou fora dele, não é adequado, pois aumenta o risco de transmissão”.

Mesmo com os usuários utilizando máscaras o perigo permanece. “A máscara protege, mas quando a proximidade das pessoas é muito grande, esta proteção diminui. É preciso manter o distanciamento para que o uso da máscara seja efetivo”, alerta.

O especialista orienta os usuários a explicarem a situação enfrentada nos coletivos para os patrões. “Aqueles que puderem ajustar o horário de trabalho para saírem do horário de pico é melhor”.

Pessoas até brigam para entrar no coletivo (Arquivo pessoal/Camila Rodrigues)

DER explica

Procurado pelo BHAZ, o DER, por meio da Seinfra (Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade), disse que “o Sistema de Transporte Coletivo Metropolitano está operando em regime especial, devido à pandemia do novo coronavírus”. Mas alegou que há um reforço nos horários de pico.

“O Sistema de Transporte Coletivo Metropolitano está operando em regime especial de funcionamento para a pandemia, em que a oferta de viagens foi adaptada à demanda de passageiros por períodos de maior e menor movimento. Existe um reforço de viagens nos horários de pico da manhã e tarde”, informou em um dos trechos.

A secretaria ressaltou que o “reforço” citado é para que as viagens não aconteçam com passageiros em pé, pois isso é autorizado somente nos veículos articulados.

Apesar da Deliberação do Comitê Extraordinário Covid-19 prever isso, na prática a realidade é outra. “Estou voltando do serviço em um ônibus lotado. Tem gente até lá na frente”, conta José Tavares.

A Seinfra estuda a readequação dos quadros de horário, após a flexibilização do comércio em Belo Horizonte.

Uso de máscaras

Para utilizar o transporte coletivo, tanto os funcionários da empresa, quanto os passageiros precisam utilizar máscaras. Caso o passageiro não aceite, a orientação é para ele não embarcar.

“O álcool em gel está sendo disponibilizado em dispensadores nos ônibus articulados, além de terminais, estações de transferência, estações do Rotor Central, bilheterias e pontos de venda Ótimo”, informou.

Fiscalizações

A secretaria destacou ainda que os ônibus estão sendo fiscalizados para evitar a propagação da Covid-19.

“A equipe de Fiscalização do DER-MG fiscalizou 9.020 veículos de linhas metropolitanas e aplicou 1.628 autos de infrações por descumprimento de horários e excesso de passageiros nos veículos”.

Eles pedem para os usuários fazerem reclamações e fazem um pedido para evitar aglomerações nos ônibus.

“Os passageiros devem continuar registrando as reclamações sobre horários ou outros problemas com os serviços, para que as autoridades públicas possam intervir. E podem, também, contribuir evitando aglomerações. Se o ônibus estiver cheio, o passageiro não deve forçar a entrada”.

A nota enviada pode ser lida abaixo.

Nota do DER-MG na íntegra:

A Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) informa que o Sistema de Transporte Coletivo Metropolitano está operando em regime especial de funcionamento para a pandemia, em que a oferta de viagens foi adaptada à demanda de passageiros por períodos de maior e menor movimento. Existe um reforço de viagens nos horários de pico da manhã e tarde, para que seja respeitado o disposto em Deliberação do Comitê Extraordinário Covid-19, que estabelece que a lotação não excederá à capacidade de passageiros sentados. Nos veículos articulados é permitido o transporte de passageiros em pé.

Em face da flexibilização pelo município de Belo Horizonte, a Seinfra está realizando estudos para a readequação dos quadros de horários do Sistema. A variação de demanda é diariamente monitorada pela Secretaria, e quaisquer mudanças serão comunicadas.

Desde o início da pandemia, para auxiliar no combate à propagação da Covid-19, a equipe de Fiscalização do DER-MG fiscalizou 9.020 veículos de linhas metropolitanas e aplicou 1.628 autos de infrações por descumprimento de horários e excesso de passageiros nos veículos. O usuário também é fundamental para o bom funcionamento do transporte neste momento, e para a diminuição de riscos de contágio. Os passageiros devem continuar registrando as reclamações sobre horários ou outros problemas com os serviços, para que as autoridades públicas possam intervir. E podem, também, contribuir evitando aglomerações. Se o ônibus estiver cheio, o passageiro não deve forçar a entrada. Nos pontos de ônibus, estações e terminais, também é importante manter distância segura das outras pessoas. Cartazes estão espalhados nos veículos, pontos e terminais com as medidas de profilaxia ao vírus e reforçando o que cada um pode fazer.

O uso de máscaras pelos passageiros também é obrigatório e os funcionários das empresas concessionárias orientam os usuários a só embarcarem nos ônibus utilizando o equipamento de proteção. Em caso de o passageiro se recusar a fazê-lo ou a desembarcar, o motorista deverá comunicar à Fiscalização do DER-MG, ou à Polícia Militar, que auxilia o Departamento nestes casos. O motorista pode, ainda, não prosseguir a viagem até que a situação esteja regularizada.

O álcool em gel está sendo disponibilizado em dispensadores nos ônibus articulados, além de terminais, estações de transferência, estações do Rotor Central, bilheterias e pontos de venda ÓTIMO”.

Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.

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