Home NotíciasCoronavírusMorte por Covid-19 deixa cidade mineira com 2,7 mil habitantes em pânico: ‘A fé é o que nos resta’

Morte por Covid-19 deixa cidade mineira com 2,7 mil habitantes em pânico: ‘A fé é o que nos resta’

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“Ficou o sentimento de medo na cidade. A fé é o que nos resta, pois ainda não tem remédio e nem vacina”. A declaração é de Maria Aparecida de Oliveira, uma das 2,7 mil habitantes de Córrego Novo. A pequena cidade do Rio Doce se tornou uma das com índice de mortalidade por Covid-19 mais alto, em Minas Gerais, após a morte de um homem de 59 anos.

“A gente mal tá vendo um ao outro, já que todos estão tentando ficar em casa. Tenho vizinhos que sequer dão uma saída pela cidade. O povo está morrendo de medo”, resume a aposentada de 58 anos, cuja declaração abre esta reportagem, ao falar do clima na cidade após o primeiro óbito confirmado por coronavírus.

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Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde do município informa que a vítima estava internada no hospital José Maria Morais, em Coronel Fabriciano, município mais estruturado, com 100 mil habitantes, a 75 km de distância.

Cidade possui 2,7 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE (Poliana Pedra/Aquivo pessoal)

O homem morreu no dia 18 de maio, após quase um mês de internação. A administração municipal afirma ainda que, além de Covid-19, ele tinha hipertensão e diabetes. Familiares foram examinados após o óbito e nenhum apresentou sintomas.

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‘Morrendo de medo’

A morte e o tamanho da população fizeram com que a cidade atingisse um dos coeficientes de mortalidade por Covid-19 mais altos no Estado: 36 a cada 100 mil habitantes – atrás apenas de Morro da Garça (Central) e Estrela Dalva (Zona da Mata), ambas com menos de 2,5 mil habitantes.

A diferença é que a confirmação da primeira morte pela doença, ocorrida no fim da última semana, é mais recente – em Morro da Garça, o óbito foi registrado ainda em abril, enquanto, na cidade da Zona da Mata, em meados de maio.

“É terrível saber que uma pessoa que morava na nossa cidade morreu com esta doença. Dá uma sensação de medo. Fico preocupada, pois tenho filha pequena e queremos que nenhum mal aconteça”, diz a manicure Wilsemis de Souza André, que suspendeu os atendimentos desde o início da pandemia.

Fé e cuidados

As moradoras contam que, quando a cidade começa a anoitecer, as ruas passam a ficar desertas. “Quando tenho que ir ao mercado ou farmácia, faço tudo rápido. Nada de demorar. Volto cedo para não ficar muito exposta. Os outros moradores também estão assim. De noite, por exemplo, você não vê ninguém na rua”, diz Maria Aparecida.

Wilsemis, por sua vez, aumentou a higienização da casa. “A gente faz de tudo para prevenir. Limpo tudo que compro e estou dando mais limpezas na casa”, relata.

Além dos cuidados e distanciamento social, os residentes recorrem à fé. “Tenho pedido muito a Deus para que este mal seja eliminado. Eles [cientistas e pesquisadores] têm feito a parte deles, porém nada de eficaz foi descoberto. Temos que dobrar o joelho, pedir o livramento e cada um fazer a sua parte”, conclui a aposentada.

Medidas

A secretaria de Saúde de Córrego Novo informa que um decreto será publicado para restringir o funcionamento de comércios na cidade. Mas ainda não há uma data para tal publicação, já que a gestão alega aguardar posicionamento do setor jurídico.

Enquanto a restrição não acontece, a população é orientada a manter o distanciamento social e a utilizar máscara, quando precisar sair.

Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.

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