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Covid-19: Ministério da Saúde omite dados e Brasil chega a 36 mil mortes e se aproxima dos 700 mil casos

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O Ministério da Saúde omitiu, mais uma vez, dados relativos ao avanço da Covid-19 no país. O governo federal divulgou apenas que foram registrados, nesse sábado (6), novos 904 óbitos e 27 mil casos em relação ao último balanço, também divulgado com omissão de dados, na sexta (5). Projeto que monitora esses dados desde o início da pandemia, no entanto, revela que o Brasil chegou ao total de 36 mil mortes e 676 mil casos confirmados.

O responsável por esse monitoramento é o Brasil.IO, que tornou-se referência no país justamente por acompanhar e compilar, metodicamente, os dados divulgados por todas as 27 secretárias estaduais de Saúde. “Catalogamos manualmente os dados presentes em centenas de boletins epidemiológicos das secretarias de saúde estaduais incluindo o histórico”, explica o programador, desenvolvedor de software e professor Álvaro Justen, idealizador da iniciativa.

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Segundo o Brasil.IO, 4.334 municípios brasileiros já foram atingidos pela pandemia, enquanto 1.913 registraram óbitos por Covid-19. O total da população desses municípios é de 202 milhões, ou seja, quase a totalidade dos residentes do país – 96% para ser mais exato. Veja todas as estatísticas, atualizadas diariamente, aqui.

Dados omitidos

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O painel da Covid-19, do Ministério da Saúde, sofreu um apagão na última sexta. O governo federal passou a divulgar apenas novos casos, omitindo o histórico acumulado e dados de incidência, por exemplo. Uma das poucas possibilidades de análise do avanço da pandemia é justamente o ranking dos Estados que mais registraram casos confirmados nas 24h anteriores à atualização do painel.

Quanto ao boletim de ontem, São Paulo (5.984), Pará (2.216), Maranhão (2.157), Ceará (1.980) e Distrito Federal (1.642) lideram o índice de novos casos confirmados. São Paulo também registrou o maior número de mortes nesse período, 216 ; seguido pelo Rio de Janeiro (166), Ceará (75), Pará (74) e Pernambuco (65).

Repúdio

A falta de transparência do governo federal gerou repúdio de diversos segmentos, entidades, estudiosos e cidadãos. A Sociedade Brasileira de Infectologia, por exemplo, publicou uma nota de repúdio na qual afirma ser “fundamental que em uma pandemia de tamanha magnitude tenhamos os
números reais”.

“Somente com informações epidemiológicas confiáveis será possível a avaliação das medidas atuais e o planejamento de ações para combater a propagação do novo coronavírus, que vem causando danos avassaladores no mundo e especialmente no Brasil”, argumenta.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) também publicou comunicado para condenar a atitude do governo federal. “A Abraji repudia o abuso de autoridade por parte do alto escalão do governo federal e condena tentativa de impor obstáculos às atividades jornalísticas através da ocultação de informações de interesse público”, diz, em trecho do posicionamento.

O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Bruno Dantas, afirmou, através do Twitter, que cogita propor aos tribunais de contas que sejam consolidados dados estaduais da pandemia. “Com as novas dificuldades para divulgar dados nacionais de infectados, curados e óbitos da Covid-19, as instituições devem ajudar”.

Ricardo Kruchenbecker, da Comissão de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva; o presidente da Câmara, Rodrigo Maia; e a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo também criticaram a falta de transparência do governo Bolsonaro à TV Globo.

Bolsonaro

Questionado por repórteres sobre a mudança do horário de divulgação do boletim diário, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), disse que “ninguém tem que correr para atender a Globo”. “Acabou matéria do Jornal Nacional”, disse.

Pelo Twitter, o mandatário alegou que “a divulgação dos dados de 24 horas permite acompanhar a realidade do país neste momento e definir estratégias adequadas para o atendimento a população”.

“Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país. Outras ações estão em curso para melhorar a notificação dos casos e confirmação diagnóstica”, escreveu.

Thiago Ricci

Thiago Ricci

Editor-chefe do BHAZ desde agosto de 2018, cargo ocupado também entre 2016 e 2017. Jornalista pós-graduado em Jornalismo Investigativo, pela Abraji/ESPM. Editor-chefe do SouBH entre 2017 e 2018; correspondente do jornal O Globo em Minas Gerais, entre 2014 e 2015, durante as eleições presidenciais; com passagens pelos jornais Hoje em Dia e Metro, TVs Record e Band, além da rádio UFMG Educativa, portal Terra e ONG Oficina de Imagens. Teve reportagens agraciadas pelos prêmios CDL, Délio Rocha, Adep-MG e Sindibel.

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