Covid-19 avança pelo interior de Minas e faz o dobro de vítimas fora da região Central

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Apesar da abertura de novos leitos em abril, UTIs já estão esgotadas no Triângulo Norte Apesar da abertura de novos leitos em abril, UTIs já estão esgotadas no Triângulo Norte (Valter de Paula/Prefeitura de Uberlândia + Reprodução/Datawrapper)

Por Cristiano Martins, do Coronavirus-mg.com.br

A Covid-19 vem se espalhando com mais velocidade pelo interior de Minas Gerais. Segundo mais um levantamento inédito realizado pelo Coronavirus-MG.com.br, o número de mortes provocadas pela pandemia duplicou nas últimas duas semanas fora da Região Central. E os recursos hospitalares já começam a se esgotar longe da capital.

A doença matou mais do que o dobro de pessoas no interior, considerando a divisão administrativa utilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). Até esta terça-feira (16), quando a pandemia completa oficialmente 100 dias em Minas, houve 152 mortes na área metropolitana contra 337 nas demais regiões, além de 13 casos com residência indeterminada ou importados de outro estado/país.

Proporcionalmente, Belo Horizonte e cidades vizinhas que dependem do sistema de saúde da capital concentram 30,3% das vítimas mineiras, enquanto outras 67,1% moravam no interior. A situação preocupa especialistas e autoridades.

“Para além da evolução diária dos casos, é preciso também acompanhar o processo de interiorização e popularização da pandemia”, alertava o último relatório produzido pelos centros de Operações de Emergência em Saúde (COES) e de Controle de Doenças e Pesquisa em Vigilância (CMC). “Ao alcançar o interior, o número irá aumentar consideravelmente, assim como observado em São Paulo”, diz o balanço publicado no dia 3 de junho, quando ainda eram 200 os óbitos fora da região central.

Segundo os últimos dados da SES-MG, as regiões do interior com mais mortes por Covid-19, em números absolutos, são a Sudeste (Juiz de Fora) e a Sul (Alfenas). Em termos proporcionais, a letalidade a cada 100 mil habitantes é maior no Sudeste e no Vale do Aço (Ipatinga).

Ainda de acordo com os boletins epidemiológicos da secretaria estadual, a região Central contabiliza 8.017 casos confirmados da doença, contra 13.633 diagnósticos positivos distribuídos pelo restante do estado.

Alerta ligado para velocidade de transmissão

O tão esperado achatamento da curva encontra-se estagnado de acordo com os analistas. “Percebe-se que o deslocamento à direita está se tornando cada vez mais sutil. Ou seja, não é observada redução da velocidade da pandemia. Supõe-se que Minas Gerais está no início do aumento exponencial no número de casos”, apontava o relatório publicado no início do mês.

A velocidade de contágio reforça a tendência de disseminação mais intensa pelo interior. Segundo os registros disponíveis até 26 de maio, o indicador Rt (número médio de casos secundários gerados a partir de cada pessoa infectada) era maior nas regiões Leste Sul, Centro Sul e Vale do Aço, seguidas pelas regiões Oeste, Triângulo Norte e Nordeste.

Os índices nessas localidades variavam entre 1,46 e 2,78 (mapa abaixo), sendo que os valores acima de 1,2 já são classificados como “nível de alerta”.

Reprodução/COES/CMC

UTIs sobrecarregadas

A preocupação aumenta à medida em que a oferta de leitos diminui na rede assistencial, em especial no sistema público. Em cinco das 14 regiões de saúde de Minas Gerais já não há leitos disponíveis de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no SUS.

São elas Vale do Aço, Nordeste, Triângulo Norte, Leste e Jequitinhonha. Juntas, essas áreas reúnem 201 municípios e aproximadamente 4 milhões de habitantes.

A taxa geral de ocupação das UTIs é de 72,7% em Minas Gerais, sendo 13,2% para pessoas diagnosticadas com Covid-19. A boa notícia é que a região Central (única com menos de 40%), ainda possui 603 unidades livres e poderia eventualmente receber pacientes transferidos de outros locais.

“Quando a ocupação está alta ou acima de 100%, dispara um sinal de avaliação sobre o que está acontecendo, ou seja, se essa ocupação está, efetivamente, se traduzindo em restrição assistencial. O sistema depende da atualização dos dados por parte dos hospitais. Às vezes, pode haver uma demora na atualização e que pode estar relacionada ao aumento desses números”, justificou o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, no último dia 10.