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Morte de advogado que desapareceu em BH foi encomendada por ‘amigo’ da vítima

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A Polícia Civil identificou os responsáveis pelo assassinato do advogado Juliano César Gomes, encontrado morto no início deste mês, após quase 15 dias do seu desaparecimento. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (19), a polícia informou que dois suspeitos já foram presos, mas o mandante do crime, um advogado com quem Juliano mantinha uma relação próxima, ainda está foragido.

A equipe que trabalha no caso identificou o carro de Juliano entrando na cidade de Sete Lagoas, na região Central de Minas, acompanhado de um segundo veículo, que foi a peça chave para a descoberta do paradeiro do advogado. “O proprietário desse veículo foi identificado e no final se confirmou que ele era um dos executores. Quando foi preso, ele confessou a autoria e indicou onde estava o cadáver”, informou a delegada Mariza Margareth Souza.

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“Contratado”

Durante as investigações, a polícia descobriu ainda que o irmão do autor confessou que também participou da execução de Juliano. O assassinato foi encomendado aos dois irmãos por Thiago Fonseca de Carvalho, um advogado que era amigo de Juliano. “Foi um homicídio contratado. A informação que nós temos é que a vítima foi arrolada como testemunha num processo ao qual esse mandante responde na Justiça”, explicou a delegada.

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Dinâmica do crime

Thiago respondia a um processo e, a suspeita, é a de que Juliano sabia de questões que poderiam prejudicar o “amigo”. Entretanto, os detalhes ainda são escassos, conforme explica a delegada Maria Alice Faria, que também integra a equipe de investigações. “Esse processo que, em tese, ele seria testemunha corre em segredo de justiça. Muito provavelmente está relacionado a ele, no entanto, nós não temos como afirmar exatamente a motivação”, explicou.

O que já se pode afirmar é que Juliano foi atraído por Thiago para o local onde seria sequestrado pelos irmãos responsáveis pela execução. “Eles combinaram de se encontrar em um local aqui em BH, porque o Juliano iria emprestar o carro para ele. Mas era um encontro falso, para o qual ele foi atraído e que já estava tramado com os demais, que foram pagos para isso”, detalhou Maria Alice.

Quando chegou neste ponto de encontro, a vítima foi dominada com uma arma e levada para Sete Lagoas. A delegada explica ainda que há indícios de que Juliano já desconfiava do colega. “Eles conversavam por Whatsapp e essas mensagens foram salvas pelo Juliano. Tudo nos leva a crer que ele salvava em razão exatamente de não confiar nessa amizade”, revelou.

Relembre o caso

Juliano foi visto pela última vez no dia 21 de maio, quando deixou sua casa no bairro Floresta, região Leste de Belo Horizonte, sem dizer para onde ia. Conforme o irmão Mauro Gomes contou ao BHAZ à época (relembre aqui), mais tarde, a família descobriu que ele estava indo se encontrar com uma mulher com quem mantinha um relacionamento. No entanto, ela não chegou a encontrar o advogado naquele dia.

Isso porque, antes de seguir para a casa da mulher, Juliano parou no local onde havia combinado de trocar de carro com Thiago. De lá, ele foi rendido e levado para Sete Lagoas, conforme concluiu a investigação da polícia. No dia seguinte ao desaparecimento, seu carro foi encontrado no município e, no dia 8 deste mês, o corpo de Juliano foi localizado em uma fazenda de Funilândia, a cerca de 30 km de Sete Lagoas (veja aqui).

Thiago Fonseca de Carvalho, que se apresentou com um nome falso para os executores de Juliano ao encomendar o crime, está foragido. Quem tiver alguma informação sobre o paradeiro do mandante pode denunciar pelo 190, 197 ou 181.

Giovanna Fávero

Giovanna Fávero

Estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Escreve com foco na área de Guia e Cultura no BHAZ.

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