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‘Achei que veio trazer meu benefício’, diz irmão de Queiroz sobre operação

irmao queiroz bh

“Estava dormindo, tranquilo, um frio do c*, e acordo às 6h com um monte de polícia na minha casa. Achei que veio trazer meu benefício”. É dessa forma que Leopoldo Queiroz – irmão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro – define a própria reação ao acordar com agentes de segurança em busca de provas e indícios de esquema envolvendo o filho do presidente da República.

Belo Horizonte, em especial o bairro São Bernardo, na região Norte da cidade, amanheceu nesta terça-feira (23) como epicentro da principal investigação do momento contra a família Bolsonaro. O Ministério Público fluminense cumpriu quatro mandados, em território mineiro, em casas de parentes de Fabrício Queiroz, preso na última quinta-feira (18) em Atibaia, interior de São Paulo.

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Ao menos três desses endereços alvos da operação estavam na rua Francisco Spino: um imóvel com três pavimentos, que era da tia de Queiroz, falecida há cerca de um mês; uma casa do marido da prima do ex-assessor de Flávio Bolsonaro; e a residência de Leopoldo, irmão do Queiroz famoso da família. “Não posso falar nem bem nem mal dele”, diz o homem de 61 anos, conhecido na região como Léo, sobre o irmão.

Com sotaque carregado e traços de desconfiança e ironia, Leopoldo atendeu a reportagem do BHAZ exclusivamente após dizer, em um primeiro momento, que “não sabia de nada e não falaria”. “Única coisa que posso falar é que sou sozinho no mundo”, complementou. Mas resolveu comentar sobre Fabrício, o que sabia da relação com a família Bolsonaro e mais:

Rafael D’Oliveira (BHAZ): Você mantinha ou mantém contato com seu irmão Fabrício?

Leopoldo Queiroz: Quem dera. Agora que estou ouvindo falar dele, por tudo que é sagrado.

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Mas está acompanhando o noticiário? Já esperava por essa operação na sua casa?

Estava dormindo, tranquilo, um frio do c*, e acordo às 6h com um monte de polícia na minha casa. Eu falei: ‘achei que tinha ganhado no bicho’. Achei que veio trazer meu benefício. Ontem ficou um carro preto aqui a noite inteira. E hoje de manhã eu viu o carro aí. Sério mesmo, não é brincando, não. Se eu falar dele, estou mentindo. Não posso falar nem bem nem mal dele.

Você conhece a Márcia Oliveira de Aguiar, mulher do Fabrício?

Nem sei que cor é a mulher dele, para te falar a verdade. Se ela é branca, se é preta.

Tem muitos anos que você não vê Fabrício?

Ah, tem uns quatro anos. Ou mais.

Apreenderam algo na sua casa? A polícia levou alguma coisa?

Meu? Da minha casa? Tem nada para ele recolher. Só se levar eu. Não pegaram nada, não.

Celular, nada?

Eu nunca usei celular, eu não tenho.

Então você não tem relação próxima com Fabrício?

Pode perguntar a ele [aponta para um vizinho] pra você ver. Nós fomos criados juntos [ainda se referindo ao vizinho], pergunta se ele vê meu irmão. Se ele passar por aqui, é só pelo ar, por avião.

No tempo em que ele ficou sumido, não ligou para você?

Pra mim nunca ligou.

Mas você gosta muito dele.

Eu gosto, ué, é meu irmão. Eu tive quase morto agora, único que foi me ver foi uma tia. Meus irmãos, toda vida, foi um desligado do outro.

Você morou no Rio também?

Eu? Tem 60 anos que mora nesta rua aqui. Ele foi pro Rio quando era rapazinho, nunca mais eu vi ele. Depois de uns 20 e tanto [anos] que eu vi ele. Não tem convivência não, minha família é tudo assim. Tem uma irmã que mora ali, no Jaraguá, mas nem sei onde é a casa dela. Nunca fui lá.

Você acredita na inocência do seu irmão? Está acompanhando as suspeitas de envolvimento no esquema de rachadinha?

Pra ser honesto pra você, eu não posso falar, não vou falar uma coisa que não sei. Eu tenho minha consciência, eu não sei da vida dele, ele não me procura, eu não procuro ele. Ele nunca veio aqui me procurar, eu vou sair daqui ir lá pro Rio procurar ele?

E a relação do seu irmão com a família Bolsonaro?

Não sei de nada.

E outros endereços visitados pela polícia?

A casa ao lado (a que tem um açaí no térreo) é da minha tia, que faleceu agora, não tem nem dois meses. Faleceu de idade, era a única tia. E ali, naquela casa, é do marido da minha prima, filha da minha tia, que faleceu.

Queiroz preso

Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), foi preso na manhã da última quinta-feira (18). Ele estava em Atibaia (SP), na região do Vale do Paraíba, em um imóvel do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef (relembre aqui).

A ação faz parte da Operação Anjo, que cumpre ainda outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça, relacionadas ao inquérito que investiga a chamada rachadinha, em que servidores da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) devolveriam parte dos seus vencimentos ao então deputado estadual Flávio Bolsonaro. 

Na madrugada de sábado (20), a desembargadora Suimei Cavaleiri, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, negou o pedido de substituição de prisão preventiva por domiciliar, feito pelo advogado Paulo Catta Preta ao Queiroz.

Segundo o Ministério Público fluminense, o ex-assessor dizia à Justiça que não podia depor porque estava com “problemas de saúde”, mas realizava churrasco. Em uma troca de mensagens com Márcia, disse que viu o rebaixamento do Cruzeiro, em 2019, “tomando uma Corona com limãozinho”.

“Até que enfim, hein mulher. Devia ter tomado todas ontem. Nós fizemos um churrasquinho aqui. Vimos o Cruzeiro ser rebaixado tomando uma Corona aqui com limãozinho… Muito bom”, escreveu para Márcia Oliveira de Aguiar (veja mais aqui).

Com Agência Brasil

Rafael D'Oliveira

Rafael D'Oliveira

Repórter do BHAZ desde janeiro de 2017. Formado em Jornalismo e com mais de cinco anos de experiência em coberturas políticas, econômicas e da editoria de Cidades. Pós-graduando em Poder Legislativo e Políticas Públicas na Escola Legislativa.

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