Menina denuncia estupros de padrasto em carta e foge de casa em BH

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Uma menina de 12 anos fugiu de casa após deixar uma carta em que denuncia estupros e agressões (Google Street View/Reprodução)

Uma menina de 12 anos fugiu de casa após deixar uma carta em que denuncia estupros e agressões que ela sofria com o padrasto, de 33, em Belo Horizonte. Após descobrir os crimes, a mãe da criança relatou à policia que a filha fez contato e está escondida na casa de uma amiga. O caso aconteceu no bairro Tupi, na região Norte, na tarde dessa quarta-feira (24). O homem foi preso pouco antes de tentar fugir, no mesmo dia.

De acordo com depoimento da mãe da criança à PM (Polícia Militar), a filha deixou uma carta relatando que estaria cansada de apanhar do padrasto e ser estuprada por ele, em diferentes ocasiões, há três anos. A mãe informou que não sabia de nada até ler a carta.

Carta revela detalhes do crime

Na carta, são relatadas agressões e ameaças constantes, além da menina afirmar que tem fotos dos hematomas. A menina prestou depoimento à polícia e confirmou a versão da mãe. Ela disse que saiu de casa, no fim da madrugada dessa quarta, por volta das 5h, e deixou a carta.

De acordo com a vítima, ela sofre abusos sexuais desde os 9 anos, e que o último crime ocorreu justamente na noite dessa terça-feira (23). A criança não aguentou mais, resolveu escrever e sair de casa em seguida. Na carta, é contado em detalhes os estupros. Contudo, ela alega que o homem ameaçava matar ela própria e a sua mãe, caso denunciasse algo.

Com isso, foram pelo menos três anos de abusos em silêncio. A vítima tem outros três irmãos, de 7, 10, e 13 anos, sendo o último, com deficiência de locomoção, vivendo em uma cadeira de rodas, o que requer cuidados constantes da mãe.

Tentou fugir

Logo após o registro da ocorrência, a polícia foi atrás do homem de 33 anos, suspeito dos crimes. Na primeira abordagem, o homem não estava em casa. Quando o suspeito voltou para casa e descobriu o teor da ocorrência, ele ameaçou matar a mulher e os filhos. Como os vizinhos já sabiam do caso, a polícia foi acionada e o homem foi preso no momento em que entrava em um carro para fugir.

A vítima ainda contou que, no celular do padrasto, havia fotos dela nua, que ele costumava tirar. Por isso, a polícia apreendeu o celular do suspeito, juntamente com a carta, que estão sendo periciados.

Em depoimento, o suspeito negou os crimes, disse que nunca teve relações sexuais com a enteada. A mãe e a vítima foram encaminhadas para o hospital Odilon Behrens, no qual a menina foi atendida, medicada e passou a noite junto com a mãe. O caso é investigado pela Delegacia de Plantão de Atendimento à Mulher de Belo Horizonte.

Crimes sexuais

O crime de estupro é previsto no art. 213, e consiste em “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. Mesmo que não exista a conjunção carnal, o criminoso pode ser condenado a uma pena de reclusão de 6 a 10 anos.

O art. 217A prevê o crime de estupro de vulnerável, configurado quando a vítima tem menos de 14 anos ou, “por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”. A pena varia de 8 a 15 anos.

Já o art. 218-C estipula reclusão de 1 a 5 anos por “divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia”.

“Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio – inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia”, afirma.

Vitor Fernandes
Vitor Fernandesvitor.fernandes@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018 e 2019) e Sindibel (2019).