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Comerciantes protestam contra o fechamento das lojas em frente à PBH

Lojistas da capital mineira protestam, na manhã desta segunda-feira (29), em frente à PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) para pedir a reabertura das lojas. Hoje, o segmento voltou à estaca zero do programa de controle à pandemia de Covid-19 após decisão do prefeito Alexandre Kalil (PSD) na última sexta-feira de recuar e permitir o funcionamento apenas dos comércios essenciais (relembre aqui).

Os manifestantes questionam a medida da PBH ao reforçar que o comércio seguiu todos os protocolos determinados. Uma das participantes do ato, a comerciante Flávia Constança explica que o movimento quer que as lojas continuem abertas e cobra abertura de leitos. “Ficamos 100 dias parados para a cidade se preparar. E quantos leitos foram abertos nesse tempo? Nenhum”, questiona.

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“Nós concordamos que as taxas estão aumentando. Por isso queremos mais leitos em BH. Só não acreditamos que a culpa [do crescimento dos casos] seja do comércio, que trabalha seguindo todos os protocolos”, pondera. Infectologistas ouvidos pelo BHAZ alegam que o fechamento do comércio impede a circulação das pessoas nas ruas e no transporte público justamente por cessar as opções de entretenimento e distração.

Comerciantes protestam em frente à PBH (Amanda Dias/BHAZ)
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Em entrevista à GloboNews, Kalil afirmou que o comércio não está sendo culpabilizado. “Queria deixar muito claro: a culpa não é do comércio, a culpa não é da prefeitura e a culpa não é do Estado. A culpa é do vírus. Não tem ninguém culpado. Todo mundo quer abrir, quer que a cidade ande. Quem não quer mais que nós prefeitos?”, disse (leia mais aqui).

Com bandeiras, lojistas ocupam a Avenida Afonso Pena (Amanda Dias/BHAZ)

Procurada, a PBH reforça a necessidade do isolamento social “para conter a disseminação do coronavírus e preservar vidas”. “Quanto ao trabalho da Prefeitura na assistência à Saúde, somente em junho, foram abertos 232 leitos Covid- 19 na Rede SUS/BH”, diz a administração municipal, em trecho da nota (leia na íntegra abaixo).

Quem pode abrir?

Os comerciantes contemplados pelas duas ondas de flexibilização – tais quais shoppings populares, iluminação, cosmético, veículos automotores, calçados, artigos de viagem, bebidas etc. – estão proibidos de abrir as portas. Apenas aqueles considerados essenciais poderão funcionar. Confira:

Importante ressaltar que bares, lanchonetes e restaurantes continuam liberados para funcionar, desde que exclusivamente para os serviços de delivery ou retirada. “Caso tenham estrutura e logística adequadas, os estabelecimentos poderão efetuar entrega em domicílio e disponibilizar a retirada no local de alimentos prontos e embalados para consumo fora do estabelecimento, desde que adotadas as medidas estabelecidas pelas autoridades de saúde de prevenção ao contágio e contenção da propagação de infecção viral relativa ao coronavírus”, explica trecho do decreto.

Explosão de casos

Reportagem publicada (releia aqui) pelo BHAZ mostrou que o número de casos confirmados na capital mineira explodiu após o dia 25 de maio, justamente a data da primeira flexibilização. A média de ocorrências diárias saltou de 20, anotada naquela data, para 47, registrada em boletim divulgado na quarta-feira (24) pela SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais).

Outro dado reforçou a aceleração de casos confirmados do novo coronavírus em BH: no ranking dos 20 dias com maior quantidade de ocorrências, apenas um é anterior ao início da flexibilização do comércio – 4 de maio. As principais datas são segunda-feira (25), com 345 confirmações; o último dia 10, 283; e terça-feira (24), 239.

Reforce a proteção contra o vírus

A SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais) orienta que a população tome algumas medidas de higiene respiratória para evitar a propagação da doença, são elas:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Nota da PBH na íntegra

Em virtude do resultado dos indicadores epidemiológicos dos últimos dias – índice de transmissão e taxas de ocupação de leitos de UTI (86%) e de Enfermaria para COVID-19 (67%) – a Prefeitura de Belo Horizonte reitera a necessidade do isolamento social, seguindo os preceitos e orientações do Comitê de Enfrentamento à epidemia, para conter a disseminação do coronavírus e preservar vidas. Cabe destacar que no retorno à fase 0, 776 mil empregos do setor privado se mantêm ativos (87% do total).

Quanto ao trabalho da Prefeitura na assistência à Saúde, somente em junho, foram abertos 232 leitos Covid- 19 na Rede SUS/BH, sendo 81 UTIs e 151 enfermarias. Atualmente são 1.099 leitos Covid-19, sendo 798 de enfermaria e 301 de UTI. Um aumento de mais de 460% de leitos (no comparativo março/junho)”.

Marcela Gonzaga

Marcela Gonzaga

Editora do BHAZ desde fevereiro de 2020. Jornalista graduada pela Newton Paiva. Trabalhou como produtora de TV e chefe de produção durante 14 anos, com passagens pela RecordTV, Rede Minas, RedeTV!, TV TRT-MG e TV TJMG.

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