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Cuidados ao embalar o lixo protegem garis de acidentes

Da PBH

Com a suspensão da coleta seletiva em Belo Horizonte, devido à pandemia do novo Coronavírus, o número de garrafas descartadas no lixo comum aumentou. Mas, antes de jogar as garrafas e outros objetos cortantes no lixo, a população deve tomar alguns cuidados, pois o risco dos garis se acidentarem é grande. A maioria dos acidentes de trabalho com os garis tem relação direta com o mau acondicionamento do lixo. Somente em 2019, 146 garis foram afastados de suas atividades por ferimentos causados por cacos de vidro, seringas e pregos, entre outros.

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A orientação da SLU (Sistema de Limpeza Urbana) é que materiais pontiagudos ou cortantes (vidro, latas de alimentos em conserva, estiletes, pregos, espetos de churrasco, lâminas e agulhas) devem ser acondicionados em garrafas PET, embalagens longa vida ou embrulhados em papelão ou outro material resistente. Além disso, agulhas devem ser protegidas por suas respectivas tampinhas para aumentar o grau de segurança. As tampas das latas de alumínio devem ser pressionadas para dentro. Somente depois disso, estes resíduos devem ser ensacados e disponibilizados para o recolhimento na calçada.

O gari Rafael Bruno Rodrigues, 38 anos, que é coletor de lixo na região Nordeste de Belo Horizonte, já passou por maus momentos devido a acidentes com objetos pontiagudos durante seu trabalho.

“Já fui ferido com seringa, vidro, espeto de churrasco e até palito de dente e espinho de roseira”, conta. Para ele os acidentes causados por seringa são sempre os mais graves. “Quando isso acontece, precisamos de atendimento muito rápido e passar por muitos exames, além de tomar coquetel retroviral por 28 dias, que provoca muitos efeitos colaterais”, afirma.

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A questão preocupa tanto Rafael que ele se propôs a desenvolver um projeto socioambiental e de conscientização a respeito do assunto. O gari, que também é estudante de Enfermagem, pretende produzir cartilhas educativas sobre o correto descarte do lixo e conversar com moradores e síndicos sobre o assunto. Palestras para estudantes de cinco a 10 anos de idade também estão nos planos. “É essencial ensinar às crianças a forma correta de descartar, para que daqui a uns 15 anos a gente tenha uma situação diferente”, acredita.

De acordo com ele, o projeto será colocado em prática quando a pandemia passar. “A população gosta do gari e vai entender melhor o nosso lado se nós mesmos explicarmos”, diz. Para a chefe do Departamento de Políticas Sociais e de Mobilização da SLU, Ana Paula Assunção, a iniciativa de Rafael é bem-vinda. “O gari, além de ser um agente da limpeza urbana, tem muito a nos ensinar sobre educação ambiental. Toda atitude que visa a conscientização da população nas questões dos resíduos sólidos deve ser incentivada”, diz.

No momento, enquanto o distanciamento é a regra, Rafael atua conscientizando nas redes sociais, produzindo vídeos e lives no Instagram sobre o dia a dia do gari. O descarte correto dos resíduos e sua relação com os acidentes de trabalho é um dos temas frequentemente abordados para seus mais de 8 mil seguidores. A mensagem que procura transmitir é: tenha empatia, pense no outro. “É o que precisamos nestes tempos de pandemia: amor ao próximo, reciprocidade e humildade”, garante.

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