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Sem movimentos após ataque homofóbico, jovem reage a música de Katy Perry

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Desde que foi apedrejado, estuprado e espancado a pauladas em um ataque homofóbico em 2018, Jefferson Feijó, de 23 anos, luta para recuperar os movimentos e a fala. Com o cuidado e o amor dos pais, o jovem celebra momentos de alegria durante o tratamento, como ouvir uma de suas músicas favoritas. Em um vídeo compartilhado pela família nessa segunda-feira (29), o jovem reage com emoção ao escutar uma canção de Katy Perry.

Na publicação, a mãe de Jefferson coloca a música, que foi enviada por um colega, e se emociona ao ver a agitação do filho. “Olha a reação de Jefferson vendo a música de Katy Pery que a gente colocou pra ele. Ele está lembrando sim. Está com uma cara de felicidade, uma cara de querer levantar. Ele dançava muito, cantava muito essas músicas, ele ficou muito feliz”, comemorou.

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Enquanto isso, o jovem que ainda está com os movimentos limitados, balança a cabeça e olha para a caixa de som. A imagem que transparece em seu rosto é de surpresa. Na página do Facebook “Lute Como Ele“, criada para divulgar informações sobre o caso de Jefferson, amigos escreveram que ele adorava dançar as músicas da cantora, que é sua musa. “A música salva!”, acrescentou o responsável pela campanha.

Solidariedade

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Pelo Twitter, apoiadores de Jefferson iniciaram uma campanha para que o vídeo chegasse até a cantora estadunidense Katy Perry. Sabendo da admiração do jovem pela artista, muitas pessoas começaram a marcá-la na publicação. Além de ser muito fã, a visibilidade para o caso ajudaria a família de Jefferson, que precisa de doações para bancar o tratamento.

A movimentação está sendo grande e já conta com o apoio até do humorista Whindersson Nunes. “Ei, Katy Perry, como você se sente sabendo que você faz essa cara mais forte a cada dia? Você pode ajudá-lo?”, escreveu, em inglês, para a cantora.


“Ei, Katy Perry, esse é Jefferson Feijó da Cruz, um dos seus muitos fãs brasileiros. Infelizmente, ele foi espancado, agredido e drogado há um ano. Suas músicas ainda o fazem muito feliz e mais forte cada dia! Você poderia ajudar a família dele?”

O crime

Em 7 de dezembro de 2018, Jefferson estava com quatro amigos comemorando a aprovação escolar. Segundo o relato do pai, Marcos Cicero, o grupo foi abordado por um homem pedindo bebida. “Ele ficou observando os meninos e toda hora pedia bebida, até que a bebida de Jefferson acabou e ele não deu mais”, contou ao BHAZ (relembre aqui).

Mais tarde, Jefferson se ausentou da companhia dos amigos para ir ao banheiro. Quando o grupo notou uma demora, saiu à procura do jovem e o encontrou desacordado, ensaguentado e nu. A vítima foi estuprada, roubada e agredida, ficando em coma por cerca de um mês após o ocorrido.

Inicialmente, Jefferson não tinha nenhum movimento e só se alimentava por meio de sonda (Unidos pelo Jeff/Facebook/Reprodução)

O acusado do crime é Robson da Silva Alexandre, de 25 anos. Segundo o G1, ele foi preso preventivamente em agosto de 2019. Procurado pelo BHAZ, o Tribunal de Justiça de Pernambuco se limitou a informar que o processo corre em sigilo.

Antes do ataque, a família conta que o jovem era extrovertido e querido por todos (Jefferson Cruz/Facebook/Reprodução)

Marcos Cícero, o pai da vítima, diz que Robson era conhecido no município, por se tratar de uma cidade pequena, mas nunca teve proximidade com Jefferson.

Ajuda para a família

Por conta da lesão na cabeça, o jovem perdeu os movimentos e a fala. No entanto, o pai conta que a avaliação neurológica é de que a reversão do quadro é difícil, mas não impossível. No entanto, bancar o tratamento só é possível por meio das doações que têm recebido. “A despesa é muito alta, tudo é por meio das doações. Se não fosse isso, não sei dizer o que a gente estaria fazendo. Não temos os recursos para manter”, afirmou.

“Hoje nossa vida se resume em só cuidar dele. A gente mudou para a capital, eu perdi meu emprego. Mas continuamos tratando com carinho e com amor, é o nosso filho. Quem é pai ou mãe entende o carinho”, desabafou o pai.

Marcos diz que está feliz porque o filho está vivo, mas triste porque ele sempre foi um menino alegre, extrovertido e que todos se sentem bem ao lado dele. “Em termos da vida que ele tinha, perdeu um ano já”, lamenta. O homem ainda diz que só está recorrendo a divulgação e doações por necessidade. “Eu daria tudo para ter meu filho perfeito, sem fotos dele por todo lugar, vivendo a vida como anônimo”, conclui.

Como ajudar:

Rifa de Iphone, em prol do tratamento: participe aqui.

Depósito ou transferência bancária (conta do pai de Jefferson):
001 – Banco do Brasil
Agência 2326-4
Conta poupança: 6343-6
Marcos Cícero Cruz
CPF: 440.973.874-72

Paypal: jeffandycruz@gmail.com

Guilherme Gurgel

Guilherme Gurgel

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

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