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‘Às moscas’ após 3 meses, Galba Velloso segue sem obras e servidores temem fechamento permanente

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Após mais de três meses fechado, o Hospital Galba Veloso, na região Oeste de Belo Horizonte, segue “às moscas” e sem nenhuma obra. Inicialmente, a unidade foi anunciada como uma das estruturas que receberia pacientes de Covid-19 na capital e por tal motivo foi esvaziada para passar por obras, com pacientes psiquiátricos encaminhados para o Raul Soares. Agora, no entanto, o espaço deve servir de “retaguarda” para o atendimento de outras enfermidades conforme explica, por meio de nota (leia no fim do texto), a Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais).

Servidores do Galba Veloso foram até a sede da Fhemig, na Área Hospitalar de BH, nesta sexta-feira (3), para protestar. Eles temem um fechamento definitivo da unidade e dizem que pacientes que não necessitam de internação estão sem atendimento. Segundo a Fhemig, que gerencia o hospital, as obras devem começar nos próximos dias.

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De acordo com a psiquiatra Paula Aparecida Gomes, que trabalha no local há 12 anos, o aviso do fechamento do hospital, no dia 25 de março, foi feito de surpresa por meio do WhatsApp. “Fomos avisados de uma hora para outra. Aí começaram a transferir os pacientes, inclusive alguns foram de van, nem de ambulância, para o Hospital Raul Soares, que naquele momento nem tinha condições de receber os pacientes”, explica ao BHAZ.

Sem condições de receber pacientes da Covid-19

Sem saber da mudança de planos para o Galba, a psiquiatra relata que o hospital não tem condições de receber pacientes da Covid-19. “A Fhemig alega que o Galba está fechando provisoriamente, mas isso é mentira. Já tem três meses e eles não fizeram nenhuma reforma por lá. Lá não tem condições de preparar leitos clínicos para a Covid-19, até porque lá é um hospital psiquiátrico. Lá não tem tomada, lugar para passar tubos de oxigênio, não tem nada. É um hospital que tem que ser quebrado e refeito”, explica.

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“Até agora nada foi feito, quando começar essa obra, já acabou a pandemia. Já tiveram três meses e não fizeram nada, não é agora que vão fazer. A gente precisa do Galba para atender os pacientes, são muitos da psiquiatria, de internação, e temos poucos leitos em Minas Gerais. Está tudo errado em ter fechado o Galba”, relata a médica.

A profissional conta que os funcionários foram transferidos de uma hora para outra, para lugares longe de suas casas, sem nenhum treinamento adequado. “Já tentamos algumas negociações, mas nada muito satisfatório até o momento. Por isso, hoje, os funcionários foram até Fhemig central, essa ‘invasão’ lá é por causa disso. Queremos ser realocados para hospitais psiquiátricos, com uma boa estrutura. Querendo ou não, construímos nossa carreira para trabalhar no Galba”, explica.

Funcionários querem treinamento

A maioria dos funcionários que trabalhavam no Galba estavam há muito tempo por lá. “Nós temos um preparo técnico para trabalhar com pacientes psiquiátricos. São funcionários prontos para agir com pacientes ‘quebrando tudo’, lidando com os delírios, mas não estamos acostumados com outras áreas, não é da nossa vivência. Por isso, os funcionários hoje exigem treinamento para estar trabalhando em outras unidades, e a maioria quer ser realocada em hospitais psiquiátricos”, continua.

Os funcionários ainda querem a garantia de que o hospital reabrirá após a pandemia. “Queremos ter certeza que poderemos voltar para lá. O discurso todo é que isso vai acontecer, então queremos essa garantia. Até agora sem data prevista para ele reabrir como clínica ou psiquiatria. Sem data também para abrir com o atendimento para a Covid-19”.

Todos os pacientes já foram transferidos e alguns tiveram alta, inclusive. “O que acontece é que eles ficam sem tratamento. Na verdade, a rede foi reduzida, eram 146 leitos no Galba, que não funcionam mais. Fechamos uma porta de tratamento para os pacientes”, diz Paula.

“Alguns pacientes vinham de outras cidades de Minas para consultar no Galba. Então muitos estão sem consultar. Eles falam para os pacientes consultarem na rede municipal de suas cidades, mas muitas nem médicos têm. Se o paciente surta hoje em casa, e a cidade não tem estrutura, ele fica sem o atendimento”, pondera a médica.

Efeitos do fechamento

A psiquiatra reforça que não estão só lutando pelo emprego. “A maioria é concursado, vamos ser realocados para algum lugar. Só que eu acho que é impossível trabalhar com psiquiatria sem o Hospital Galba Velloso”, continua a profissional de saúde mental.

“Vai aumentar o número de moradores de rua, a população carcerária. No interior, vai aumentar aquele pessoal que fica no meio da rua, que tem surtos. A assistência será muito prejudicada. A gente está no meio de uma pandemia, os problemas psiquiátricos estão cada vez maiores. Justamente nesse momento o governo escolheu diminuir a assistência em psiquiatria”, completa.

Fhemig responde

Questionada sobre o funcionamento do hospital, Fhemig informou, por meio de nota (leia abaixo na íntegra), que “desde o início de abril, foi anunciado que o HGV iria ser retaguarda para leitos clínicos (não covid-19) durante a pandemia. As obras devem começar nos próximos dias e a duração prevista é de 30 dias”.

Sobre o atendimento dos pacientes que não estão internados, a Fhemig disse que “o tratamento e o acompanhamento dos pacientes psiquiátricos é pela rede municipal de saúde, por meio dos CERSAM’s e CAPS’s. De acordo com a reforma psiquiátrica, os hospitais acolhem os casos de crises, são estabilizados e voltam para continuidade do tratamento na rede municipal”.

A Fhemig também falou sobre o remanejamento de pessoal para outros locais, dizendo que é preciso tomar tal medida. “Em um momento de pandemia, se faz necessária a remoção de servidores para unidades onde possam somar esforços na linha de frente ou mesmo para aquelas que atuam como retaguarda. Todos os servidores da Fhemig são capacitados para realizar suas atividades às quais foram efetivados em concurso público. Além disso, aqueles que estão sendo remanejados recebem treinamento adequado antes de iniciar suas atividades nas unidades onde estão sendo destinados, executado pelas referências técnicas”.

Por fim, sobre o possível fechamento do Galba Velloso, a fundação não confirma nem nega. “A Fhemig vem se reunindo para alinhamento com a Gerência Municipal de Saúde Mental e a Diretoria Estadual de Saúde Mental, sempre buscando o melhor caminho no que se refere à assistência dos pacientes”.

Covid-19 avança em Minas

O número de novos contaminados pela Covid-19 segue avançando rapidamente em Minas Gerais. Nesta sexta-feira (3), o Estado registrou 2.644 novos casos da doença e 51 mortes em decorrência do novo coronavírus, chegando a 1.110 óbitos.

Nessa quinta, o Estado já havia registrado um número alto de casos, foram mais de três mil infectados registrados em apenas 24h. Ainda ontem, Minas bateu recorde de mortos com o número acumulado de 52 óbitos em um dia.

Pico da Covid-19

O pico da Covid-19 em Minas Gerais, previsto para o dia 15 de julho, período em que o Estado registraria um grande número de infectados e mortes causadas pelo novo coronavírus, pode ser suavizado ou não existir. A afirmação foi feita pelo secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, que acredita que medidas tomadas pelo Governo, em parceria com as prefeituras, podem surtir efeitos positivos nos próximos dias (veja aqui).

“Não sei nem se a gente vai chegar ao pico. Na verdade, o que temos são projeções de que é possível que tenhamos mais casos no dia 15 de julho. Mas, neste momento eu não teria essa ideia de que vamos chegar ao pico”, disse o secretário em entrevista ao BHAZ, nessa quarta-feira (1º).

Nota da Fhemig

“Desde o início de abril, foi anunciado que o HGV iria ser retaguarda para leitos clínicos (não covid-19) durante a pandemia. As obras devem começar nos próximos dias e a duração prevista é de 30 dias.

O Hospital Galba Velloso, assim como o Instituto Raul Soares, integra a rede de saúde mental do SUS, ou seja, faz o atendimento em crises agudas. O tratamento e o acompanhamento dos pacientes psiquiátricos é pela rede municipal de saúde, por meio dos CERSAM’s e CAPS’s. De acordo com a reforma psiquiátrica, os hospitais acolhem os casos de crises, são estabilizados e voltam para continuidade do tratamento na rede municipal.

A Fhemig informa que, tendo em vista o atual cenário de pandemia, é necessário que a instituição tome medidas emergenciais. Com o aumento dos leitos de CTI destinados ao tratamento da covid-19, é necessário o remanejamento de pessoal para compor as equipes atuantes, tanto na linha de frente no enfrentamento do coronavírus, quanto nas equipes dos demais setores das unidades da Rede.

Desde o início de abril existe o planejamento de que o Hospital Galba Velloso seria acionado como retaguarda de leitos clínicos no decorrer da pandemia. A decisão foi tomada após alinhamento com as coordenações de Saúde Mental das esferas municipal e estadual, onde constatou-se que o Instituto Raul Soares tem capacidade para absorver as internações psiquiátricas. Esclarecemos que os hospitais são responsáveis pelo acolhimento nas crises agudas e que todo o acompanhamento e tratamento do paciente de saúde mental são prestados pela rede municipal; ou seja, não haverá, em nenhum momento, prejuízo à assistência desse paciente.

A publicação da remoção dos servidores se deu no dia 20 de junho e foi estabelecido o prazo de 10 dias para os servidores se manifestarem quanto às unidades a que seriam destinados. Para estabelecer esse destino, a Fhemig considerou as unidades com maior demanda, o local de moradia e a experiência pregressa do servidor e, assim, priorizou o interesse público, garantindo a assistência em um momento de calamidade na saúde.

Uma das reivindicações dos servidores é de permanecer no Hospital Galba Velloso. Porém, desde o dia 26/05/2020, o HGV se encontra sem atendimento, sem assistência, e as obras de adequação de leitos clínicos devem começar nas próximas semanas e vão durar cerca de 30 dias. Em um momento de pandemia, se faz necessária a remoção de servidores para unidades onde possam somar esforços na linha de frente ou mesmo para aquelas que atuam como retaguarda.

Todos os servidores da Fhemig são capacitados para realizar suas atividades às quais foram efetivados em concurso público. Além disso, aqueles que estão sendo remanejados recebem treinamento adequado antes de iniciar suas atividades nas unidades onde estão sendo destinados, executado pelas referências técnicas. As equipes são mescladas entre os mais experientes e os menos experientes para que todos os procedimentos sejam repassados e absorvidos de forma segura e possam ser realizados adequadamente.

A Fhemig prioriza a assistência ao paciente, de forma que ela seja qualificada e segura. Em um momento singular como o atual, algumas estratégias como transferências, remoções e reposições são necessárias na busca da garantia da assistência a todos.

A Fhemig vem se reunindo para alinhamento com a Gerência Municipal de Saúde Mental e a Diretoria Estadual de Saúde Mental, sempre buscando o melhor caminho no que se refere à assistência dos pacientes”.

Vitor Fernandes

Vitor Fernandes

Repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva da UOL.

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