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Covid-19: Kalil cancela reunião que teria com comerciantes de BH

Na capital mineira somente o comércio essencial está autorizado a funcionar

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), cancelou a reunião que teria com representantes do comércio nesta quarta-feira (8). O anúncio foi realizado durante encontro com o CMSBH (Conselho Municipal de Saúde) e entidades sociais. Com a desmarcação, é provável que a capital siga somente com o comércio essencial funcionando. O cancelamento não agradou a CDL/BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte) que publicou uma nota criticando o Executivo municipal (veja abaixo).

O encontro de hoje teve o objetivo de manifestar apoio às medidas adotadas pela PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) no enfrentamento à Covid-19. A capital mineira tem 8.744 casos confirmados e 190 mortes pelo novo coronavírus, segundo boletim epidemiológico da SMS (Secretaria Municipal de Saúde).

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“Estamos trabalhando no limite. Os leitos para tratar a doença seguem com alta taxa de ocupação. Viemos para mostrar ao prefeito e aos infectologistas que apoiamos as decisões tomadas e até mesmo um lockdown”, disse, ao BHAZ, Bruno Pedralva, secretário-geral do CMSBH.

Kalil agradeceu o apoio recebido e disse que continuará pautando suas decisões naquilo que a ciência determinar.

“O nosso rumo é a ciência. O rumo que estes homens [infectologistas] nos orientam. A única contribuição do prefeito é a coragem. Eu garanto que enquanto estes números não nos derem a segurança da abertura para a flexibilização, nós continuaremos ajudando a toda população carente”.

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Reunião cancelada

Na semana passada, Kalil recebeu empresários de diversos segmentos. No encontro foi proposto que todo o comércio da cidade voltasse a funcionar. A condição era de que as lojas funcionassem de terça a sexta e ficassem fechadas aos sábados, domingos e segundas.

A alta taxa de ocupação dos leitos, aliado ao aumento no número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, fez Kalil desmarcar o novo encontro com os comerciantes.

“Gostaria de comunicar que suspendi a reunião que teria com os empresários amanhã, às 14h. Eu não tenho o que dizer a eles. Os números não nos permitem nada diferente do que está acontecendo. Nós não temos o por que de fazer reunião sem objetivo”, disse Kalil.

Ao final da fala, o chefe do Executivo municipal disse estar sofrendo muito por conta das decisões que vem tomando. “Sou um ser humano. Eu preciso disso [apoio]. Tenho sofrido demais, mas quero dizer a todos vocês que somos uma maioria silenciosa. Vamos ignorar a toda minoria barulhenta. O barulho levou este país ao patamar que estamos hoje”, concluiu.

‘Decisão autoritária’

A CDL/BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte) criticou o cancelamento da reunião com os empresários. Para a entidade, a decisão de Kalil foi “autoritária” e eles abordaram a não abertura de leitos prometidos.

“A entidade não somente é contrária ao cancelamento, decisão mais uma vez tomada de forma autoritária e unilateral pela prefeitura, como também volta a denunciar a completa incapacidade do executivo municipal de abrir os leitos prometidos em 29 de maio”, afirmou em um dos trechos da nota.

Atualmente, BH tem 91% de ocupação nos leitos UTI de Covid-19 e 70% nos de enfermaria. Segundo a CDL/BH, caso a prefeitura tivesse aberto os leitos prometidos os índices estariam em 45% para UTI e 38% para enfermaria. “Ambos os indicadores permitiriam a reabertura segura do comércio, como estava ocorrendo anteriormente”.

A entidade disse que no encontro de hoje, Kalil se reuniu com “sindicatos majoritariamente ocupados por militantes da esquerda”. A nota na íntegra pode ser lida abaixo.

Nota da CDL/BH na íntegra:

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) não participou da reunião realizada hoje entre o prefeito Alexandre Kalil e os sindicatos majoritariamente ocupados por militantes da esquerda, portanto, desconhece as razões que levaram ao cancelamento da reunião.

A entidade não somente é contrária ao cancelamento, decisão mais uma vez tomada de forma autoritária e unilateral pela prefeitura, como também volta a denunciar a completa incapacidade do executivo municipal de abrir os leitos prometidos em 29 de maio.

Caso a prefeitura tivesse cumprido a sua promessa, hoje o índice de ocupação de leitos de UTI seria de 45% e o índice de ocupação de leitos de enfermaria de 38%. Ambos os indicadores permitiriam a reabertura segura do comércio, como estava ocorrendo anteriormente.

A CDL/BH mais uma vez reitera a sua posição de enfrentar essa pandemia salvando vidas, mantendo empresas e preservando empregos”.

Vitor Fórneas

Vitor Fórneas

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política.

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