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Empresários ligados ao MBL são presos por lavagem de dinheiro

luciano cayan mesa cadernos

Dois empresários ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre) foram presos, na manhã desta sexta-feira (10), em uma investigação contra lavagem de dinheiro, segundo o MPSP (Ministério Público de São Paulo). O grupo nega que os suspeitos já tenham sido integrantes do movimento.

De acordo com o MPSP, Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso (conhecido como Luciano Ayan) “mantêm estreitas ligações com os movimentos MBL e MRL (Movimento Renovação Liberal)”. O MBL receberia “doações de forma suspeita” por meio de “cifras ocultas” em uma plataforma de pagamentos.

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A operação, realizada pelo MPSP, pela Receita Federal e pela Polícia Civil de São Paulo incluiu buscas seis endereços correspondentes às empresas envolvidas na investigação, incluindo a sede do MBL. Segundo o órgão, “foram apreendidas diversas mídias digitais, entre celulares, computadores, HDs e pen- drives; documentos impressos, dinheiro e foram encontradas e não apreendidas drogas (maconha) interpretadas para uso pessoal”.

“As evidências já obtidas indicam que estes envolvidos, entre outros, construíram efetiva blindagem patrimonial composta por um número significativo de pessoas jurídicas, tornando o fluxo de recursos extremamente difícil de ser rastreado, inclusive utilizando-se de criptoativos e interpostas pessoas”, afirma o órgão.

Investigações

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Alessander Monaco Ferreira é investigado, de acordo com o MPSP, pelos seguintes motivos:

  • Movimentação financeira extraordinária e incompatível;
  • Criação/Sociedade em 2 empresas de fachada;
  • Ligado aos “Movimentos”, realiza doações altamente suspeitas através da plataforma Google;
  • Viajou mais de 50 vezes para Brasília, entre julho/2016 a agosto/2018 – todas (conf. Consta) para o Ministério da Educação – com objetivos não especificados;
  • Apesar de tudo, solicitou emprego e foi contratado pelo governo do Estado de SP para trabalhar na CADA – Comissão de Avaliação de Documentos e Acesso da Imprensa Oficial do Estado – e justamente um cargo que tem função de gerenciar tarefas de eliminação de documentos públicos, de informações relativas ao recolhimento de documentos de guarda permanente, produzidos pela Administração Pública.

Já Carlos Augusto de Moraes Afonso, conhecido como Luciano Ayan, é investigado por:

  • Ameaçar aqueles que questionam as finanças do MBL;
  • Disseminar fake news;
  • Criação/Sócio de ao menos 4 empresas de fachada;
  • Uso de contas de passagem, indícios de movimentação financeira incompatível perante o fisco federal.

A operação, chamada de “Juno Moneta”, faz referência a um templo romano onde as moedas eram cunhadas. A investigação ainda está em curso e os suspeitos foram presos temporariamente.

Envolvimento do MBL

Ainda segundo o MP, o MBL e o MRL recebiam “doações de forma suspeita, por cifras ocultas”, por meio da plataforma Google Pagamentos “que desconta 30% do valor ao invés de doações diretas na conta do MBL/MR”. O esquema utilizaria “diversas empresas em incontáveis outras irregularidades, especialmente fiscais”.

“A família Ferreira dos Santos, criadora do MBL, adquiriu/criou duas dezenas de empresas – que hoje se encontram todas inoperantes e, somente em relação ao Fisco Federal, devem tributos, já inscritos em dívida ativa da União, cujos montantes atingem cerca de R$ 400 milhões”, completa o MP. Existe ainda a ausação de confusão jurídica empresarial entre o MBL e o MRL.

Outro lado

Por meio de nota publicada nas redes sociais, o MBL afirma que Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso “jamais fizeram parte do movimento” e que a acusação de ocultação por doações “chega a ser risível”.

“Com o respeito e acato ao órgão ministerial, importa esclarecer que as assertivas apontadas quanto ao MBL são completamente distantes da realidade, tratando-se de um devaneio tolo, totalmente despido de sustentação tática e legal com a única finalidade de macular a honra de um movimento pautado nos pilares da ética, da moral e da liberdade”, diz o comunicado (leia na íntegra abaixo).

Nota do MBL

“Em que pese as alegações amplamente difundidas pela imprensa e até mesmo pelo Ministério Público quanto a ligação dos senhores Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso, vulgo Luciano Ayan com o MBL, inicialmente cumpre esclarecer que ambos jamais fizeram parte do Movimento.

Importa destacar que não existe confusão empresarial entre Movimento Brasil Livre e Movimento Renovação Liberal, haja vista que o MBL não é uma empresa, mas sim uma marca, sob gestão e responsabilidade do Movimento Renovação Liberal – única pessoa jurídica do Movimento – o que é fato público e notório, inclusive posto publicamente em inúmeros litígios onde a entidade figura como autora e até mesmo Requerida.

Chega a ser risível o apontamento de ocultação por doações na plataforma Google Pagamentos, haja vista que todas as doações recebidas na plataforma são públicas, oriundas do Youtube e vulgarmente conhecidas como “superchats”, significando quantias irrisórias, feitas por uma vasta gama de indivíduos de forma espontânea. Sob o aspecto lógico, seria impossível realizar qualquer espécie de ocultação e simulação fiscal por uma plataforma pública e com quantias pífias.

Por fim, cumpre esclarecer que as atividades empresarias e familiares dos fundadores do MBL são anteriores ao próprio Movimento e não possuem qualquer vinculação, haja vista que não possuem qualquer conexão ou convergência de finalidade. Com o respeito e acato ao órgão ministerial, importa esclarecer que as assertivas apontadas quanto ao MBL são completamente distantes da realidade, tratando-se de um devaneio tolo, totalmente despido de sustentação tática e legal com a única finalidade de macular a honra de um movimento pautado nos pilares da ética, da moral e da liberdade.”

Sofia Leão

Sofia Leão

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

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