Livraria negra de BH pede ajuda para não fechar as portas

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Iniciativa começou com participações em feiras e loja física foi inaugurada em 2016 (Arquivo Pessoal/Etiene Martins)

Atualizado às 14h45 do dia 26/07/2020 para retirada da informação inicial errônea de que a livraria seria a primeira, ou seja, a pioneira focada em literatura negra em Belo Horizonte, tendo em vista a existência de outros empreendimentos ainda mais antigos na cidade.

A pandemia do novo coronavírus impôs a toda a sociedade uma nova dinâmica onde pequenos negócios acabam precisando lutar ainda mais para sobreviver. É o caso da Livraria Bantu, uma iniciativa que usa a arte e a literatura para promover uma BH menos racista e que, agora, além do racismo, também luta contra o tempo. Enfrentando dificuldades neste período difícil, o estabelecimento abriu uma vaquinha online e conta com os belo-horizontinos para conseguir manter as portas abertas.

Com uma média de 300 títulos, a Livraria Bantu é um empreendimento inteiramente voltado para a valorização da cultura negra. Etiene Martins, a fundadora do projeto, contou ao BHAZ que a ideia surgiu em 2013, a partir de uma lacuna no mercado tradicional. “A maioria das livrarias que a gente conhece não são intituladas ‘raciais’, mas a maior parte das obras que a gente encontra são de escritores brancos falando de coisas que não contemplam a população negra”, observa.

Foi justamente para suprir esta falta de representatividade que a Bantu foi fundada como projeto itinerante em 2013 e a loja física, no Centro da capital, inaugurada em 2016. Apesar de já acumular alguns anos de história, a livraria não ficou imune aos desafios que se impõem à maioria dos pequenos negócios durante a pandemia: “Ainda estamos fazendo algumas vendas, mas é uma quantidade que não supre as nossas despesas”.

Iniciativa em risco

Essas poucas vendas que a Bantu conseguiu manter estão sendo feitas por meio de entregas, mas são mínimas se comparadas ao movimento normal da loja. “Até tentamos abrir um pouquinho naquele período que o Kalil propôs, mas como é uma livraria pequena, não dá pra ficar com cliente dentro, isso é colocar a gente e ele em risco”, explica Etiene, que precisou dispensar o funcionário que a ajudava na livraria e agora está sozinha.

A pandemia também afetou outro ponto crucial para a sobrevivência da livraria: a realização de eventos. Isso porque, como explica a fundadora, a Bantu começou e ficou conhecida em feiras e eventos da capital, que agora foram cancelados: “A gente trabalhava muito em feiras e eventos, temos parcerias muito bacanas, porém foi tudo cancelado. E é aquela coisa: quem não é visto não é lembrado. Somos um negócio pequeno, não dá para ficar concorrendo com Amazon e outras livrarias grandes, fica inviável”.

A ideia da vaquinha online foi uma forma de tentar contornar todas essas adversidades. “A gente fica pensando em soluções, imaginando uma forma para alcançar o nosso público, aí uma amiga me deu a ideia, até porque, se a gente não pede ajuda, as pessoas não sabem que a gente precisa de ajuda”, pontua Etiene. O valor arrecadado vai ajudar a pagar contas atrasadas, aluguel e IPTU da loja, além de garantir a manutenção do espaço pelo próximo mês.

Como ajudar?

Quem quiser colaborar com a Livraria Bantu pode doar para a vaquinha (acesse aqui) ou comprar livros pelo Instagram (@livrariabantu) ou pelo Whatsapp (31) 98790-1388.

Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Redatora do BHAZ desde outubro de 2019. Jornalista graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e com atuação focada nas editorias de Cidades, Guia e Cultura no BHAZ.