Amostra de esgoto aponta que Covid-19 em BH pode ser 35 vezes maior

Ribeirão Arrudas em Belo Horizonte
Há oito semanas todas as amostras de esgoto apresentam o novo coronavírus (Amanda Dias/BHAZ)

Da UFMG

A estimativa de pessoas infectadas pelo novo coronavírus em Belo Horizonte se mantém no patamar de 500 mil pessoas, de acordo com pesquisa feita nas amostras de esgoto da cidade, dentro do projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos. A informação consta do Boletim de Acompanhamento nº 08/2020 do projeto, divulgado nessa sexta-feira (24).

Os resultados da análise das amostras de esgoto nas bacias sanitárias do ribeirão Arrudas e do ribeirão do Onça, que recebem esgotos de Belo Horizonte, apontam que a infecção pode ter atingido um número de pessoas 35 vezes maior do que o total de casos confirmados por testes clínicos.

O boletim também aponta que pela sexta semana consecutiva 100% das amostras de esgoto testaram positivo para o novo coronavírus na bacia do ribeirão Arrudas e nas últimas oito semanas de monitoramento na bacia do Onça. “Esses resultados indicam a presença e persistência do vírus no esgoto de todas as regiões/bairros que compreendem as sub-bacias de esgotamento monitoradas na semana epidemiológica 29”, explicam os pesquisadores.

Platô

Apesar de os pesquisadores terem reduzido a projeção de pessoas contaminadas na semana anterior, que teria passado de cerca de 500 mil para cerca de 350 mil, isso não se confirmou como tendência e a estimativa foi novamente elevada para cerca de 500 mil pessoas no atual boletim.

“Isto sugere que a curva epidêmica em Belo Horizonte pode estar atingindo um platô. Todavia, somente os resultados de monitoramento do esgoto nas próximas duas ou três semanas poderão confirmar se esse patamar será mantido ou se haverá tendência de queda no número de pessoas infectadas estimado”, afirmam os pesquisadores, no boletim.