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Familiar de vítima tem ataque de tristeza e destrói tributo em Brumadinho

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Um homem ainda não identificado destruiu uma homenagem prestada às vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Grande BH. Segundo a Avabrum (Associação dos Familiares das Vítimas de Brumadinho), que organizou o ato, o homem é familiar de alguma vítima e pode ter sido um momento de desespero. O tributo foi organizado nesse sábado (25), quando a tragédia completou 1 ano e 6 meses.

Nas imagens que viralizaram, um homem aparece pisando e destruindo balões que homenageavam as vítimas da tragédia. O ato de desrespeito ocorreu no letreiro da cidade, logo na entrada, onde o tributo estava. Veja o vídeo:

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“Ficamos bem chocados com a atitude. Mas, pelo vídeo, não conseguimos identificar quem era. Conversando com outras pessoas, soubemos que era familiar de uma das vítimas, e até saiu abraçado com dois balões. As pessoas aqui em Brumadinho estão em uma fase muito difícil, não vamos julgá-lo, só queríamos entender mesmo”, explica Natália de Oliveira, uma das diretoras da Avabrum, ao BHAZ.

Natália acredita que o homem possa estar com algum problema psicológico. “Quando a pessoa está muito depressiva, ela poderia fazer algo assim. Eu não sei como essa pessoa está, não o conheço pessoalmente. Desejamos que esse rapaz encontre a luz, que consiga dominar essa fúria. No primeiro momento senti muito raiva, mas com o passar das horas em acalmei e tentei entender”, continua.

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‘Aniversários na lama’

A diretora da Avabrum tem uma irmã que segue desaparecida. “A gente acorda todos os dias com o coração parado, relembra essa tragédia o tempo todo. E, agora, com as buscas ainda paralisadas, é mais difícil. As pessoas não são números”, desabafa.

A irmã de Natália é Lecilda de Olveira, de 49 anos. “Ela trabalhou na Vale por mais de 30 anos, ela amava aquela empresa. Até hoje ela não foi encontrada, já passou dois aniversários debaixo da lama”, completa.

Desde o rompimento da barragem, em janeiro de 2019, 259 vítimas foram identificadas pela Polícia Civil, outras 11 pessoas ainda seguem desaparecidas. As buscas foram suspensas em março deste ano por conta da pandemia da Covid-19.

Vitor Fernandes

Vitor Fernandes

Repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva da UOL.

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