Iniciativa gratuita vai ensinar programação a meninas da Grande BH

mulher computador
Voltado para meninas estudantes da rede pública, projeto quer inserir as adolescentes na área da tecnologia (Arquivo/EBC + Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Estão abertas as inscrições para a segunda edição do Garotas Applicadas, iniciativa da Avec (Associação Efigênia Vidigal de Educação e Cultura) que vai proporcionar educação tecnológica para meninas do ensino médio de escolas públicas de Belo Horizonte. Serão oferecidas 100 vagas para aulas de programação, desenvolvimento pessoal, liderança, negócios e empreendedorismo para as adolescentes.

As atividades são todas gratuitas e as interessadas podem se inscrever pelo formulário disponível no site da Avec (acesse aqui). Devido à pandemia, o projeto terá um novo formato: os 16 encontros vão acontecer por meio de videoconferência e serão acompanhados de material de apoio online e fóruns para a discussão dos assuntos abordados. Esta edição será iniciada com um encontro inaugural na próxima quinta (6).

A primeira edição, realizada no ano passado, contou com a participação de 35 garotas que, ao final do projeto e divididas em grupos, desenvolveram seis aplicativos. Saúde mental, autoestima, abrigo voluntário, meio ambiente e educação foram as temáticas que inspiraram os projetos desenvolvidos pelas garotas.

O curso é dividido em quatro áreas: Roda de Conversa com Mulheres Inspiradoras, que vai apresentar histórias de mulheres que venceram desafios na escolha e construção da própria vida profissional; Programação, que será liderada por equipe voluntária de profissionais atuantes na área para introduzir conceitos e práticas; Empreendedorismo, para desenvolver a atitude empreendedora, a liderança e a elaboração de um projeto pessoal e, por fim, desenvolvimento pessoal, que tem o objetivo de motivar, promover reflexões sobre identidade, autoestima e vínculos afetivos.

Garotas no poder

A educação tecnológica é vista como umas das portas para o empoderamento feminino. E este é um dos pontos relacionados a uma das finalidades da AVEC, que busca atender ao Objetivo do Desenvolvimento Sustentável nº 5 da ONU (Organização das Nações Unidas), que é justamente alcançar a igualdade de gênero. 

Marília Vidigal, da equipe idealizadora do projeto, explica que a ideia nasceu a partir da reflexão sobre a pequena presença de meninas nos outros projetos proporcionados pela Avec. “Oferecemos atividades que são muito empolgantes. A gente trabalha com Lego, com computação, com tecnologias que são superatuais, mas não temos tanta presença de meninas. Não estamos satisfeitos com isso. Primeiro porque as mulheres precisam da tecnologia e a tecnologia é uma escolha de carreira possível”.

“Além disso, a tecnologia significa emprego. Estamos num país que vive um desemprego de 13%, mas há vagas na área de tecnologia. E mesmo que não façam a opção de atuar numa área diretamente ligada à tecnologia, ela é uma ferramenta para o futuro. A ONU estima que 90% dos empregos do futuro vão precisar de alguma forma de tecnologia ”, completa.

Uma boa notícia é que pesquisa feita pela Avec com as 35 participantes da primeira edição mostra que, das que já concluíram o ensino médio, duas foram aprovadas nos cursos de Administração e Musicoterapia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e uma foi aprovada no Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica). Uma das garotas iniciou o próprio negócio, com o acompanhamento de dois membros da equipe de voluntários da Avec.

Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Escreve com foco na área de Guia e Cultura no BHAZ.