Festival de projeções realiza primeira edição no Norte de Minas

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Primeira edição do festival é dedicada a valorizar as riquezas do cerrado (Divulgação/Cerrado Mapping Festival)

Com várias atrações para quem gosta de arte e tecnologia, o próximo fim de semana vai marcar o encerramento de um evento inédito em Minas: o primeiro festival de video mapping – técnica que consiste na projeção de imagens em estruturas irregulares, como fachadas e edifícios. A reta final da primeira edição do Cerrado Mapping Festival, que acontece nos próximos dias, será recheada de atividades do universo das artes visuais, tudo gratuito e com transmissão online.

O local escolhido foi inusitado, mas conversa bem com o tema desta edição: o festival está acontecendo em um pequeno vilarejo situado aos pés da Serra do Espinhaço, no Norte de Minas. A Vila de Santa Bárbara, a cerca de 200 quilômetros de distância de Montes Claros, foi escolhida como palco desta edição por sua natureza exuberante, típica do cerrado mineiro – que é a grande estrela do evento.

De acordo com Ricardo Cançado, um dos organizadores, a escolha do tema foi uma forma de chamar a atenção para um patrimônio importante que se desgasta mais a cada dia. “O cerrado está sendo devastado e é muito importante para a fauna e para a flora. A gente quis ressaltar mesmo os pontos positivos do cerrado, essa importância que muita gente parece não perceber”, conta.

Todos os artistas convidados receberam um pequeno roteiro da fachada escolhida para as projeções e um resumo da proposta do festival. A partir daí, cada um pôde criar a própria tradução visual do tema. Os produtos finais serão projetados em um lugar também inusitado: as ruínas de uma fábrica têxtil em torno da qual toda a vida cotidiana da vila girava quando ainda era ativa.

Programação

As atividades propostas envolvem oficinas voltadas à comunidade local, um programa de palestras e debates com artistas e VJs – o “Visual Brasil Meeting”, uma oficina de mapping com conceitos fundamentais sobre a técnica de videomapping e um grande evento com projeção de conteúdo com alguns dos mais reconhecidos artistas do gênero.

A produtora do evento, Marília Pasculli, explica que quem morar perto do local e quiser ir poderá participar presencialmente, mas todas as atividades também estarão disponíveis online. “Vai ser tudo por transmissão online, sem precisar de inscrição. Quem estiver na região é muito bem-vindo, a gente está tomando todas as precauções sanitárias”. Ela conta ainda que a reta final do evento já começa amanhã (25), com um debate sobre a criação dos produtos finais com todos os artistas convidados do festival.

Mais informações sobre todas as atividades estão disponíveis no Instagram do festival (@cerradomappingfestival).

Visual Brasil Meeting

Data: 25, 26 e de 27 de agosto
Um programa de palestras e debates com artistas e VJs integrando os festivais Cerrado Mapping Festival e Visual Brasil, com transmissão on-line de todas as atividades educativas. O festival Visual Brasil acontece em Barcelona desde 2006 com objetivo de expor, formar novos artistas e compartilhar experiências no campo do audiovisual contemporâneo: vídeo arte, mapping, performances audiovisuais, instalações lúmicas e ações criativas em novas mídias. A programação conta também com palestras sobre o cerrado mineiro e com a participação de profissionais que participaram da pesquisa conceitual do festival e que atuam nas áreas de pesquisa ambiental e cultura patrimonial.

Noite de Video mapping nas ruínas

Data: 28 e 29 de agosto
A ruína da fábrica de Santa Bárbara, segunda indústria têxtil de Minas Gerais, recebe uma projeção mapeada através de obras de treze artistas renomados da cena atual de video mapping. O monumento histórico dos primórdios da industrialização em Minas Gerais terá sua beleza arquitetônica realçada pelas artes de: Carol Santana, Chema, Eletroiman, Vj Grazzi, Vj Gago, Homem Gaiola, Inzist, Jodele Larcher, Laura Campestrini, Letícia Pantoja, Spetto, Vigas, Vinícius Luz e Vini Fabretti numa performance visual durante duas noites seguidas. Simultaneamente ao mapping a instalação imersiva “Túnel da Memória” reforça o valor e o aspecto humano com a transmissão de depoimentos em vídeo dos moradores de Santa Bárbara. O festival propicia a criação de narrativas que dialogam com o patrimônio, a arquitetura e a memória desse lugar.

Edição: Roberth Costa
Giovanna Fávero
Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Escreve com foco na área de Guia e Cultura no BHAZ.

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