Queda preocupante no número de crianças com vacinação em dia

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Programa Nacional de Imunização, referência mundial, disponibiliza mais de 300 milhões de doses anuais (Reprodução/Envato Elements)

A vacina é um marco na história da saúde pública e globalmente reconhecida como uma das intervenções sanitárias mais economicamente viáveis. Aliada no controle, combate e eliminação de doenças, a vacinação em massa evita, atualmente, ao menos quatro mortes por minuto no mundo e gera uma economia equivalente a R$ 250 milhões por dia, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Brasil, pioneiro na incorporação de diversas vacinas no calendário do Sistema Único de Saúde (SUS), é um dos poucos países no mundo que oferta de maneira universal um catálogo extenso e abrangente de imunobiológicos. O Programa Nacional de Imunização (PNI), referência mundial, disponibiliza mais de 300 milhões de doses anuais e contribui, há mais de quatro décadas, para a redução da morbidade e mortalidade por doenças transmissíveis no país.

No entanto, pela primeira vez em quase 20 anos, metade das crianças brasileiras não recebeu todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Imunização em 2020. Segundo os índices do PNI, até o dia 7 de setembro, a cobertura vacinal estava em 51,6% para as imunizações infantis, sendo que o ideal é que ela fique entre 90% e 95% para garantir proteção contra doenças como sarampo, coqueluche, meningite e poliomielite.

O baixo índice de imunização já tem consequências: dados do Ministério da Saúde mostram que, até o início de agosto, o país tinha 7,7 mil casos confirmados de sarampo. Doença antes considerada erradicada no Brasil. As análises demonstram, ainda, que devido à pandemia do coronavírus, muitas pessoas deixaram de procurar as Unidades Básicas para se imunizarem, trazendo impacto nas coberturas vacinais de rotina do SUS, em especial às doses voltadas às crianças e adolescentes.

Frente a essa questão, a queda observada nos índices de vacinação tem promovido discussões acerca das liberdades individuais. A decisão de vacinar-se ou não expõe o conflito entre a escolha individual e a perspectiva da saúde pública, aumentando o desafio da compreensão dos fatores que contribuem para a hesitação, não-vacinação e até deslegitimação das vacinas. Essa decisão não apresenta apenas um risco pessoal, mas gera, também, consequências em larga escala, já que possibilita o reaparecimento de doenças controladas.

Para evitar esse tipo de retrocesso, é preciso entender que se vacinar é um ato de prevenção. Prevenir é melhor e mais barato do que remediar. Não há dúvida de que a vacina é a forma mais segura e eficiente de proteção contra diversas doenças e há evidências incontestáveis quanto à segurança oferecida a quem se imuniza. Vacinar-se é um ato em benefício próprio e também uma responsabilidade com o próximo. Vacinar os filhos é um ato de amor.

Laura Serrano
Laura Serranocontato@lauraserrano.com.br

Laura Serrano é deputada estadual eleita com 33.813 votos pelo partido Novo. Economista, Mestre pela Concordia University (Canadá), pós-graduada em controladoria e Finanças e graduada pela UFMG com parte dos estudos na Université de Liège (Bélgica). É membro da Golden Key International Honour Society (sociedade internacional de pós-graduados de alto desempenho).

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