Acidente em trecho duplicado evidencia necessidade de fiscalização na BR-381

Carreta bateu e provocou engavetamento na BR-381
Acidente em trecho duplicado acende alerta para necessidade de fiscalização (Corpo de Bombeiros de Minas Gerais/Divulgação)

O acidente que matou uma pessoa e deixou outras nove em estado grave, na manhã de hoje, aconteceu em um um dos poucos trechos duplicados da BR-381 e evidencia que a duplicação não deve ser a única medida tomada pelas autoridades para diminuir as ocorrências de trânsito na rodovia. A obra foi finalizada no início de agosto, mas não foi o suficiente para evitar o engavetamento na altura do km 414, no primeiro dia da Semana Nacional de Trânsito.

O trecho faz parte dos 35 km – de um total de 303 – que foram duplicados na BR-381, o que corresponde a 11,5% da rodovia. O engenheiro civil especialista em transporte e trânsito, Márcio Aguiar, explica que a duplicação não serve apenas para evitar acidentes, mas também para aumentar a capacidade da rodovia e aliviar o trânsito. A diminuição do congestionamento, porém, pode acabar gerando outro problema se não houver fiscalização.

“Quando a capacidade da rodovia aumenta, os motoristas também acabam acelerando mais, podendo perder o controle da velocidade. Nos trechos não duplicados, o grande problema é que é a BR-381 é uma rodovia sinuosa, fica em uma área com a topografia acidentada, e acontecem problemas na ultrapassagem. Quando o trecho é duplicado, o conforto do motorista é maior e ele pode exagerar na velocidade”, explica o especialista.

Fiscalização

Para o engenheiro, a chave da prevenção contra os acidentes na BR-381, e em qualquer outra rodovia, é a fiscalização. “Não é porque o trecho está mais livre que o motorista deve se distrair do controle da velocidade. A fiscalização precisa ser mais intensa, porque não é só a duplicação que vai resolver o problema”, defende.

O especialista explica que os radares são uma das formas de fiscalização, mas não basta que eles sejam instalados: os infratores precisam ser efetivamente multados para que a prevenção seja efetiva. Além disso, ele defende que a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e as concessionárias estabeleçam mais pontos de controle ao longo das rodovias e atuem pessoalmente no local.

“Quando acontece um acidente e as autoridades sabem que o trânsito está parado, por exemplo, os agentes têm que entrar em ação e ir até o final da fila de veículos para começar a controlar o trânsito e avisar os motoristas sobre a paralisação do trecho. O controle precisa ser rigoroso, não pode haver distração”, completa.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais ainda não sabe o motivo da paralisação do trânsito que fez com que a carreta não conseguisse parar no acidente desta manhã. Dentre as possibilidades, está um outro acidente que ocorreu na noite de ontem, na altura do quilômetro 403, que fez com que dois caminhões pegassem fogo.

‘Rodovia da morte’

Uma pessoa morreu e, no mínimo, nove ficaram feridas no acidente desta manhã, na altura da cidade de Nova União, na região Central de Minas Gerais. Uma carreta bitrem carregada de melancias não conseguiu parar e provocou um engavetamento, envolvendo dois carros e três caminhões. A BR-381 é conhecida como “Rodovia da Morte” devido à quantidade de acidentes.

A última duplicação na rodovia, que incluiu o trecho onde houve o acidente nesta manhã, foi inaugurada pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, no dia 3 de agosto deste ano. Na ocasião, ele afirmou que até dezembro de 2020 outros 31 quilômetros da rodovia seriam duplicados, totalizando 66 quilômetros.

Mapa descreve situação da BR-381
BR-381 liga BH a Governador Valadares e é chamada de ‘Rodovia da Morte’ (Nova 381/Divulgação)

Edição: Marcela Gonzaga
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

Comentários