UFMG começa testes de vacina contra a Covid-19 em voluntários

Fachada da Faculdade de Medicina da UFMG e imagem ilustrativa de uma seringa
O estudo faz parte da fase 3 da vacina candidata da Johnson & Johnson. (Moisés Santos/BHAZ + Willfried Wende/Pixabay)

A Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) vai iniciar na próxima semana a terceira fase de testes de uma das vacinas candidatas contra a Covid-19. O experimento será feito com voluntários com idade acima de 18 anos de qualquer área de atuação. As inscrições são realizadas pela internet (clique aqui).

A vacina que será testada é da empresa Johnson & Johnson, conhecida como Ad26.COV2.S. Essa é a primeira avaliação que a Instituição participa como centro colaborador da rede internacional CoVPN, que testará vacinas e anticorpos monoclonais produzidos por diversos laboratórios para combater o vírus SARS-CoV-2.

O objetivo dessa rede é testar diferentes produtos com o máximo rigor científico possível para obter resultados consistentes. Centros vinculados à CoVPN e J&J recrutarão de 30 a 60 mil participantes na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia, no México, no Peru, na África do Sul e nos Estados Unidos. A Faculdade de Medicina será responsável por testar a candidata à vacina em até dois mil participantes.

Fase 3

Nas etapas anteriores da vacina da Johnson & Johnson foram realizados testes que avaliaram a segurança e imunogenicidade (capacidade de gerar respostas) em voluntários sadios – esta última etapa antecede o registro nas agências reguladoras para uso pela população geral.

O imunizante utiliza como vetor um adenovírus humano, sem capacidade de replicação, no qual se insere o material genético do SARS-CoV-2. Trata-se de uma vacina muito promissora pela potência imunogênica, de acordo com os resultados dos primeiros testes. Já se sabe que uma única dose é suficiente.

Como será o teste?

Podem se candidatar pessoas com mais de 18 anos de idade, sem limite superior de idade, por meio do preenchimento de formulário na internet (acesse aqui). Nesse documento, o voluntário deve confirmar que tem a disponibilidade de comparecer ao Hospital das Clínicas da UFMG, onde será feita a aplicação da vacina.

Os voluntários serão divididos em grupos, de acordo com as etapas da pesquisa. Inicialmente, a vacina será testada em pessoas sem doenças prévias, em grupos com menos ou mais de 60 anos.

Após constatada a segurança do produto, haverá a segunda etapa com a testagem em pessoas da mesma faixa etária (grupo de 18 a 60 anos e o grupo com mais de 60 anos), mas com alguma patologia (obesidade, problemas cardíacos, hipertensão arterial, entre outras).

Nesse estudo não será exigido como critério de seleção nenhum tipo de ocupação profissional do voluntário, como por exemplo ser trabalhador da área de saúde. A prioridade é alcançar pessoas que corram mais risco de infecção pelo vírus. Espera-se ainda que o conjunto de voluntários recrutados reflita ao máximo a diversidade populacional, segundo variáveis como faixa etária, condição social, raça e gênero.

Duplo cego

Como é comum em outros estudos de avaliação da eficácia de um produto, haverá um grupo comparador. Isso significa que os participantes serão divididos por sorteio entre aqueles que receberão placebo e os que receberão a candidata à vacina.

Este é um estudo duplo-cego, em que nem os pacientes nem os investigadores sabem o que receberam. Todos serão acompanhados por 24 meses. Após a confirmação da eficácia da vacina, os pacientes voluntários que tomaram o placebo terão prioridade para receber o imunizante.

Com UFMG

Edição: Roberth Costa
Camila Saraiva
Camila Saraivacamila.saraiva@bhaz.com.br

Jornalista formada pela PUC-Minas em 2015. Pós-graduada em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo Centro Universitário UniBH em 2019.

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