Veja como se candidatar para testar a vacina contra Covid-19 na UFMG

Aplicação de vacina testada contra Covid-19
Voluntários podem ser de qualquer área de atuação, e não só profissionais da saúde (Governo do Estado de São Paulo/Divulgação)

A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) se tornou um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta terça-feira (6), por um simples motivo: a universidade abriu inscrições para voluntários dispostos a participar da terceira fase de testes de uma das vacinas candidatas contra a Covid-19. Moradores do estado se empolgaram com a possibilidade de serem um dos primeiros do país a se imunizar contra o novo coronavírus.

A vacina que será testada é da empresa Johnson & Johnson, conhecida como Ad26.COV2.S, e os testes recrutam voluntários com idade acima de 18 anos de qualquer área de atuação. As possibilidades são maiores do que as oferecidas pelos testes da candidata à vacina desenvolvida pela biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech, também testada pela UFMG, que recruta profissionais de saúde que atuem diretamente no cuidado de pacientes infectados pela Covid-19.

Como se inscrever

As inscrições para os novos testes podem ser feitas por meio deste link. As pessoas que tiverem interesse em se qualificar para um estudo de vacina experimental contra a Covid-19 devem responder um questionário com perguntas como idade, cidade onde mora, em que área trabalha, se tem alguma doença, entre outros fatores.

Os voluntários selecionados participarão do estudo por meio de sete visitas presenciais: uma no dia da vacinação; e, depois, com 1 mês; 2 meses; 6 meses; 1 ano; 1 ano e meio; e 2 anos após a vacinação. O voluntário deve confirmar que tem a disponibilidade de comparecer ao Hospital das Clínicas da UFMG, onde será feita a aplicação da vacina.

Empolgação

Nas redes sociais, centenas de usuários contaram que já se candidataram para participar do teste da vacina. Internautas demonstraram a empolgação pela possibilidade de serem imunizados contra a Covid-19 e a ansiedade para saberem se serão selecionados. “A UFMG pode testar oq eles quiserem em mim, me sinto pronta pra ser cobaia”, brincou uma usuária no Twitter.

Como será o teste?

Os voluntários serão divididos em grupos, de acordo com as etapas da pesquisa. Inicialmente, a vacina será testada em pessoas sem doenças prévias, em grupos com menos ou mais de 60 anos. Após constatada a segurança do produto, haverá a segunda etapa com a testagem em pessoas da mesma faixa etária (grupo de 18 a 60 anos e o grupo com mais de 60 anos), mas com alguma patologia (obesidade, problemas cardíacos, hipertensão arterial, entre outras).

Nesse estudo não será exigido como critério de seleção nenhum tipo de ocupação profissional do voluntário, como por exemplo ser trabalhador da área de saúde. A prioridade é alcançar pessoas que corram mais risco de infecção pelo vírus. Espera-se ainda que o conjunto de voluntários recrutados reflita ao máximo a diversidade populacional, segundo variáveis como faixa etária, condição social, raça e gênero.

Duplo cego

Como é comum em outros estudos de avaliação da eficácia de um produto, haverá um grupo comparador. Isso significa que os participantes serão divididos por sorteio entre aqueles que receberão placebo e os que receberão a candidata à vacina.

Este é um estudo duplo-cego, em que nem os pacientes nem os investigadores sabem o que receberam. Todos serão acompanhados por 24 meses. Após a confirmação da eficácia da vacina, os pacientes voluntários que tomaram o placebo terão prioridade para receber o imunizante.

A vacina

Esta fase de testes da vacina Ad26.COV2.S, da empresa Johnson & Johnson, tem como objetivo testar diferentes produtos com o máximo rigor científico possível para obter resultados consistentes. Centros vinculados à rede internacional CoVPN – da qual a UFMG faz parte – e J&J recrutarão de 30 mil a 60 mil participantes na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia, no México, no Peru, na África do Sul e nos Estados Unidos. A Faculdade de Medicina será responsável por testar a candidata à vacina em até 2 mil participantes.

Nas etapas anteriores da vacina da Johnson & Johnson foram realizados testes que avaliaram a segurança e imunogenicidade (capacidade de gerar respostas) em voluntários sadios – esta última etapa antecede o registro nas agências reguladoras para uso pela população geral.

O imunizante utiliza como vetor um adenovírus humano, sem capacidade de replicação, no qual se insere o material genético do SARS-CoV-2. Trata-se de uma vacina muito promissora pela potência imunogênica, de acordo com os resultados dos primeiros testes. Já se sabe que uma única dose é suficiente.

Com UFMG

Edição: Thiago Ricci
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

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